Questões sensíveis para pensar com o seu pai idoso neste Natal

Por Sónia Domingues , 14 de Dezembro de 2021 Envelhecimento


​Há conversas que custam, que doem, só de pensar em começar a falar. Por receio de mal-entendidos, pelos estigmas errados que ainda existem. Mas, nesta Quadra Natalícia, enfrente esses receios com muito amor, paciência e compreensão, porque são estas as armas com que lutar para tomar uma decisão que por vezes não é fácil, mas que será benéfica para todas as partes envolvidas, principalmente para o seu pai idoso.



Neste Natal, zele pelo seu pai idoso


Existem várias questões que deve fazer a si próprio para aferir se o seu pai ainda mantém a qualidade de vida desejável e se está em segurança e conforto.


Aproveite a época festiva para pensar em algumas questões sensíveis:


  1. O meu pai passa a maior parte do tempo sozinho ou acompanhado? 
  2. Tem acesso aos cuidados médicos e de saúde de que necessita?
  3. Tem amigos e família que o visitem regularmente?
  4. O meu pai idoso tem alguma atividade social?
  5. Faz alguma atividade física regular?
  6. O meu pai precisa de assistência noturna?
  7. Está dependente de outrem para realizar as atividades básicas do dia-a-dia?
  8. Necessita de cuidados específicos, como alimentação adaptada ou terapias?
  9. O meu pai beneficiaria do apoio de um psicólogo todas as semanas?
  10. Tem uma rede de apoio próximo da sua casa (vizinhos e amigos) que o auxilie, caso algo aconteça?

São estas questões que deve fazer a si próprio, ao seu pai e a toda a família, e a que deve responder com toda a honestidade e toda a dignidade possível. Pode ser necessário olhar para as coisas sob uma perspetiva diferente e mais alargada para chegar a uma nova solução, que vá de encontro às necessidades do seu familiar. Sejam estas relativas à saúde, à segurança, e à socialização do idoso, porque a idade não é impeditiva de ter uma vida ativa, completa e integrada na comunidade que o rodeia.


Esteja atento aos sinais de alerta 


São vários os sinais que podem indicar que o idoso já não tem capacidade para viver sozinho. Neste Natal, aproveite para verificar se o seu pai idoso mantém as faculdades intactas ou se, pelo contrário, se verificam alguns destes elementos:

  • acidentes ou quedas recentes;
  • recobro muito lento de doenças;
  • dificuldades em cumprir as tarefas diárias (como limpeza da casa, higiene pessoal, cozinhar e ir às compras);
  • flutuação significativa no peso;
  • desmazelo na aparência ou higiene;
  • parte objetos com facilidade;
  • desgoverno nas contas de eletricidade, água ou outras.


Questões sensíveis que não pode adiar


Conversar com o seu pai idoso sobre uma mudança na sua vida, que se adeque melhor à condição da terceira idade, pode não ser fácil, mas será crucial para que o idoso mantenha a qualidade de vida. Com muita paciência e empatia, será possível chegar a um entendimento entre todos.

Aproveite este Natal para levar este assunto para cima da mesa. Ao início, o seu pai poderá apresentar alguma resistência à mudança, mas com serenidade pode-lhe explicar que é para o seu bem. Todas as opções terão em vista a qualidade, e pretendem que o seu pai consiga viver mais ativamente a sua terceira idade.


Aponte as vantagens da vida mais assistida, reforçando que não se trata de um abandono, mas de uma mudança para melhor.



Terá de ser necessário lembrar ao seu pai que as suas capacidades físicas e mentais ficarão mais tolhidas, com o passar do tempo. Portanto, só terá vantagens em aproveitar apoio e estimulação cognitiva, mental e também tem terapias vocacionadas para fortalecer os músculos mais frágeis do idoso. 

Para levar o pai a aceitar a mudança, também será vantajoso assegurar-lhe que irão procurar, em conjunto, uma solução em que tenha acesso aos cuidados médicos de que necessita e também os de enfermagem. Em idades mais avançadas, as pessoas tendem a preocupar-se mais com o acesso à saúde, por isso, nunca é demais reforçar ao seu pai idoso que a mudança será a melhor opção.



Quando e como deve ter esta conversa?


Pode parecer insignificante, mas não o é, de todo. O local onde vai manter a conversa com o seu pai idoso é fundamental para que ele entenda as suas palavras e a sua motivação. Com o avançar da idade, o idoso vai perdendo as suas capacidades de audição e outros barulhos e sons podem atrapalhar o entendimento e deixá-lo frustrado e ansioso.

Será necessário procurar um local calmo, acolhedor, sem sons e ruídos à volta que possam confundir o seu familiar idoso. Deverão estar aprazivelmente instalados, numa temperatura ambiente agradável, note que o idoso sente mais frio.


Procure um local calmo, sem ruídos e com temperatura agradável; aposte num tom afável, com discurso claro e objetivo.



O tom de conversa a adotar será afável, mas tente não cair no tom paternalista, porque o seu pai pode não gostar. Utilize palavras e frases curtas, objetivas e fáceis de entender. Repita a ideia, caso seja necessário, mas por outras palavras. Não deverá esconder a boca ou virar costas ao idoso no meio da conversa. Utilize um tom de voz alta, mas não confunda com autoritarismo, é apenas subir o volume da sua voz, para que o seu compreenda bem.

O contacto físico, por exemplo, uma mão pousada no braço do idoso, pode ser importante para que este sinta afabilidade. Não deverá interromper o idoso quando ele fala, tente compreender as suas dúvidas ou questões e responda clara e objetivamente. Não deverá infantilizar o seu pai idoso, em momento algum, caso ele mantenha a lucidez e as suas capacidades mentais preservadas. Fale com ele de igual para igual, e tenha sempre em consideração os seus argumentos e sentimentos.

Os perigos que o seu pai enfrenta sozinho em casa


Se o seu pai idoso já se encontra mais frágil, pode incorrer em vários perigos na sua casa, desde logo uma queda, com consequências mais ou menos graves, que pode deixá-lo prostrado no chão por várias horas, até alguém dar conta. ​De facto, verificou-se um aumento exponencial de casos de idas às urgências por pessoas com mais de 65 anos, no ano de 2020, face ao ano anterior.

As quedas em casa motivaram 45 mil idas às urgências hospitalares, na população idosa, representando 89% dos acidentes nesta faixa etária com necessidade de cuidados urgentes. As quedas são a principal causa de morte acidental em Portugal, na população com mais de 65 anos.


Aponte acidentes frequentes que acontecem a idosos em casa (quedas, incêndios, queimaduras e hipotermia) e como não quer que o seu pai passe por nada disso.



O motivo deste aumento, em ano de pandemia, foi devido ao sedentarismo dos idosos que ficaram mais tempo fechados em casa. Segundo a investigadora Monserrat Conde, professora assistente da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve, basta os idosos estarem mais parados para se notar uma perda de forças nos membros inferiores e também mais falta de equilíbrio, o que potencia as quedas. 

Se o seu pai idoso se sentir mal a meio da noite, não haverá quem o ajude de forma imediata. Mesmo que ligue a um familiar, este pode não ouvir o telemóvel por se encontrar a dormir ou encontrar-se longe demais para o poder acudir. E se for acometido por uma doença súbita? Estes são apenas os riscos mais imediatos, mas existem muitos outros, dependendo da própria casa do seu pai idoso.


Lembre o seu pai que precisa de segurança


As ameaças externas, infelizmente, são recorrentes em Portugal. Deverá conversar com o seu pai idoso sobre as ameaças à sua integridade, em que incorre quando está sozinho. Como seja o perigo dos assaltos, que têm sido recorrentes em Portugal, em que os idosos a viverem sozinhos são sujeitos a roubos, muitos deles com violência associada.

Além disso, basta abrir um jornal para darmos conta das burlas e tentativas de burlas que são feitas, tendo como vítimas os idosos que estão sozinhos. Os perigos são constantes e são uma ameaça constante ao bem-estar do idoso, que deve ser advertido para estas questões, de forma empática.


Converse com calma com o seu pai idoso sobre assaltos e burlas a que pode estar sujeito quando vive só na sua casa.



É comum os idosos terem medo que lhes aconteça algo de mal, que sejam abordados por estranhos, ou mesmo que sofram um acidente quando estão sozinhos. Aliás, existe mesmo um transtorno de ansiedade associado a estes receios do idoso. 

Mas o seu familiar pode não se sentir à vontade para abordar este tema, por se sentir constrangido, ou não querer «dar parte de fraco», como se diz na gíria. E este será um problema que os familiares irão enfrentar por diversas vezes. O seu pai idoso pode não expressar as suas dificuldades na rotina diária. Esta será uma questão a abordar, com muita cautela, para não o deixar agastado ou mesmo encolerizado.


Ir para casa de familiares pode não ser a melhor solução


Por vezes, a solução que primeiro ocorre é mudar o idoso para a habitação de um familiar, que acabará por lhe dar apoio diário. Mas esta é uma solução que poderá acarretar consequências danosas para o seu pai idoso e também para os outros familiares. Se, a princípio, pode aparentar ser uma solução viável, a médio prazo essa mudança pode trazer malefícios para o idoso e para o seu familiar cuidador.

Perceba durante esta conversa com o seu pai se ele estará à vontade para pedir o auxílio as vezes que necessita. Muitas vezes, os idosos acabam por anular as suas necessidades porque temem estar a ser chatos ou inconvenientes, ou mesmo por serem demasiado orgulhosos para tal. Também a habitação do familiar pode não estar apetrechada com os elementos de saúde e segurança necessários para o amparo do idoso, como uma cama articulada, chuveiro acessível e corrimãos de apoio.


Existe uma mudança de dinâmicas, o cuidador fica assoberbado, deixando de ter tempo para si. Tudo isto é prejudicial ao seu pai idoso, a longo termo.



A responsabilidade de assegurar a segurança e conforto do seu pai dentro da sua casa pode acabar por ser um fardo. Também o nível de responsabilidade e peso que se coloca sobre o familiar que acolhe o idoso pode ser excessivo. Se acontecer alguma coisa ao idoso, a culpa poderá recair sobre si. Mesmo que os familiares compreendam, a sua consciência pode pesar. Explique ao seu pai idoso que esta é uma decisão muito sensível, e qual é a sua disponibilidade e a da restante família para uma situação em que o idoso precise de ajuda diária.

Terá de ter em conta todas as eventualidades para perceber, em conjunto, se será esta a melhor solução a adotar. O nível de pressão que sente ao pensar na responsabilidade que é ser cuidador da saúde e bem-estar do seu pai deve ser bastante. Conseguirá gerir casa, trabalho e restante família, ao mesmo tempo que cuida do seu pai idoso? Muitos cuidadores acabam por deixar os seus empregos para cuidar a tempo inteiro.

​A sua saúde pode deteriorar-se com o peso de tantas tarefas. Dificilmente conseguirá estabelecer um horário onde inclui horas dedicadas em exclusivo para si e o nível de stress e ansiedade irá aumentar. Poderá até ter menos paciência para os familiares diretos e com o seu pai idoso.



Remate a conversa com muito amor


Perante tudo aquilo que foi dito durante a conversa com o seu pai, verifique quais serão so próximos passos a seguir. Depois de perceber quais são as necessidades mais imediatas do seu pai idoso, poderá procurar ajuda e uma solução que seja favorável a toda a família. Conseguirá de certeza potenciar uma terceira idade que vale a pena viver para o seu pai.

Nesta quadra natalícia, o amor é o único caminho a seguir. Com amor, este Natal assuma com convicção que irá tomar a decisão mais favorável para o seu pai. Dê-lhe um abraço e voltem à mesa dos doces de Natal, que deverá estar a chamar por vós.


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