Quando o cuidador familiar do idoso precisa de descanso

Por Sónia Domingues , 08 de Julho de 2022 Apoios Sociais


Ser responsável pelas atividades quotidianas de um idoso não é tarefa fácil. O grau de dependência será proporcional à carga do trabalho exigida à pessoa que cuida, mas emocionalmente também é uma responsabilidade que impõe uma pressão acrescida.

O cuidador tem de cuidar da saúde, alimentação, higiene pessoal, administração da medicação e também tem de proporcionar momentos de recreação e lazer do idoso. Em suma, tem de zelar pelo bem-estar geral do idoso. E, por vezes, o cuidador acaba por se descurar dele próprio em prol da pessoa cuidada.

Não é inusitado que o cuidador acabe por se anular em relação ao idoso e negligenciar a sua saúde física e mental, principalmente quando se trata do cuidador informal. Define-se como cuidador informal um familiar, amigo ou pessoa próxima com quem o idoso já tem uma relação pré-estabelecida. O cuidador formal é um prestador de serviços com uma estrutura de apoio previamente organizada.



O que é o descanso do cuidador?


A rotina diária do cuidador informal gira à volta das necessidades do idoso, não estando habitualmente definidas pausas, no dia-a-dia, para que o cuidador descanse. As responsabilidades diárias e a falta de descanso podem levar a estados de ansiedade e outras perturbações psicológicas no cuidador informal, que poderá vir a perder qualidade de vida perante o dever de cuidar do idoso. Daí que seja necessário, e já esteja previsto na lei, o direito ao descanso do cuidador.

No estatuto do cuidador informal, está consignado o direito a descansar periodicamente, podendo o cuidador deixar o idoso cuidado a cargo de uma Unidade de Cuidados Continuados.



Segundo a lei, o cuidador informal tem direito a apoio psicológico, sempre que o solicitar. Também tem direito a beneficiar de períodos de descanso e encaminhar, por períodos máximos de trinta dias de internamento, a pessoa cuidada para um lar ou outra estrutura residencial para pessoas idosas. É ainda possível recorrer a serviços de apoio domiciliário adequados à situação da pessoa cuidada.

Como recorrer ao descanso do cuidador


O  estatuto do cuidador informal não prevê apenas as obrigações e deveres do cuidador informal. Reconhece também as suas necessidades e direitos. Segundo a lei portuguesa, o cuidador poderá beneficiar de um período de descanso, referenciando o idoso para uma unidade de internamento que pertença à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). 


O pedido deve ser feito por um profissional de saúde da área de residência do idoso a cargo do cuidador, referenciando o caso para a rede de cuidados continuados.



Deverá, para isso, ser efetuado contacto com um profissional dos Cuidados de Saúde Primários - Agrupamento Centros Saúde (ACES) ou Centro de Saúde (CS) da área de residência e referir a situação. Posteriormente, será feita uma proposta de referenciação para validação da Equipa Coordenadora Local, que deverá deferir o processo. 


​Os prazos de resposta são muito variados


O deferimento do processo poderá indicar o internamento do idoso numa unidade de cuidados continuados em poucos dias ou mesmo no prazo de 24 horas, o que acaba por resultar em grande stress e ansiedade tanto para o cuidador como para o idoso. O cuidador terá de organizar o processo de internamento temporário num curto período de tempo, o que significa preparar emocionalmente o idoso para a mudança, mas também aprontar os pertences e a medicação necessária para o tempo determinado do internamento.

A lei não prevê prazos para a conclusão do requerimento, podendo o idoso ir para uma unidade no espaço de 24h ou apenas passados meses do pedido.



Mas nem sempre as decisões são tão rápidas, ou há vaga imediata para o idoso. Na realidade, desde o pedido até ao deferimento do mesmo, pode passar um tempo indeterminado que, em muitos casos, se estende até um ano. Esta situação ainda é mais difícil de gerir com o idoso, visto que o cuidador vai deixando a sua saúde deteriorar-se à espera de um direito que é seu, podendo levar até a um internamento. O idoso acaba por sair prejudicado em consequência disto, visto que o cuidador não consegue prestar os melhores cuidados e não tem alternativa nenhuma a não ser esperar.

Optar por um lar privado pode ser a escolha mais rápida


Quando assim é, existe uma melhor opção, que será optar por integrar o idoso num lar ou residência privada por um tempo determinado. O cuidador terá apenas de escolher a melhor opção de residência para o idoso, agendar a estadia e todos os detalhes ficarão desde logo acordados entre ambas as partes. Esta é a melhor opção, mas apenas se ajusta a quem tenha disponibilidade financeira, uma vez que não existe qualquer apoio estatal nesta matéria.

São abundantes os lares que dispõem da possibilidade de alojamento temporário para idosos, para descanso de um cuidador, e assim não corre o risco de esperar longos meses para ter uma folga.



O cuidador poderá deixar a cargo todas as responsabilidades, sabendo que o idoso terá todos os cuidados necessários, de enfermagem, médicos ou de higiene pessoal. O cuidador terá o tempo necessário para usufruir de um válido tempo de descanso, retomando, depois do tempo de descanso, as suas obrigações para com o idoso, com uma redobrada disponibilidade.



​​Procura lar para um familiar idoso? 

Submeta um pedido ou ligue 939 667 800.

When visiting our website, you acept the cookies we use to improve your browsing experience.

 

Help?

+351 939 667 800