O custo de ser cuidador de um idoso a tempo inteiro

Por Mariana Camargo , 18 de Maio de 2022 Dependência


Quando um familiar começa a necessitar de ajuda com as atividades da vida diária (AVD’s), é muito comum que pessoas da família, principalmente os filhos, decidam tornar-se cuidadores porque acham que é a saída mais fácil, barata e segura. Há que ter em conta que os cuidados diários com um familiar idoso podem-se tornar extremamente desgastantes muito rapidamente. Os cuidados podem afetar a saúde física e psicológica do cuidador, além de poder ter gastos elevados que podem ser evitados com outros tipos de ajuda.


Queremos o melhor para o idoso e entendemos que o melhor cuidado será o prestado por nós mesmos, em casa, e sem gastar muito dinheiro. Mas isto nem sempre é verdade.



Claro que queremos o melhor para os nossos familiares idosos, e tentamos poupar ao não aceder a apoios domiciliários ou até à integração num lar de idosos. Mas é importante saber quais são os custos reais de carregar a responsabilidade de ser o cuidador de outro. Muitos cuidadores assumem o cuidado de familiares idosos por sentirem que é seu dever, e também por amarem muito o idoso, pensando que o estão a abandonar caso pensem em serviços profissionais. Leia este artigo, e saiba quais são os custos que tem ao tornar-se cuidador a tempo inteiro de um familiar idoso.



A vida profissional fica em stand-by


Ao assumir os cuidados integrais de um familiar idoso, muitas pessoas têm de desistir da sua carreira e dos seus empregos, ou pelo menos diminuírem suas horas de trabalho. Hoje em dia, existe o teletrabalho, mas mesmo esse não é compatível com todos os cuidados de uma pessoa dependente. Em alguns casos, existe a desistência gradual da carreira, começando com uma redução de horas (por exemplo trabalhando apenas a tempo parcial), até chegar ao desemprego completo devido a estar demasiado absorvido com o cuidado ao idoso.


Cuidar de um idoso que vai ficando gradualmente mais dependente é um trabalho a tempo inteiro, pelo que muitas vezes incompatível com a progressão profissional.



Há algumas pessoas que continuam a trabalhar, quer a partir de casa ou a tempo parcial, mas conciliar um emprego com um cuidado a tempo inteiro não é fácil mental nem fisicamente. Além disso, a falta de tempo para dar atenção ao trabalho pode custar a perda de benefícios, como bónus. Sem contar com os dias que podem ser obrigados a tirar de folga (não pagos) para resolver emergências ou complicações da saúde do idoso. Tudo isto dificulta naturalmente as possibilidades de promoção e melhoria de salário no emprego do cuidador. Também depois a retoma ao mercado laboral não é fácil, pois cuidar de um idoso é prolongado, e significa uma pausa significativa da carreira, que não fica bem no currículo.



Pode perder a estabilidade financeira


Sabemos que muitas reformas dos idosos não conseguem sustentar todos os seus gastos. Necessitam de remédios, assistência médica e materiais de enfermagem, sem contar com os gastos normais do dia-a-dia. O familiar que assume ser cuidador do idoso acaba por ter que ajudar com o pagamento das contas. Estas pessoas, deixando de trabalhar para prestar cuidados, ficam sem a estabilidade de ter um ordenado mensal compatível com a manutenção dos gastos pessoais, dos outros dependentes e do idoso. Por vezes, cuidadores acabam a usar as poupanças dos idosos e as suas próprias, ou até faz empréstimos para poder manter os cuidados necessários em casa. 


As reformas dos idosos muitas vezes são insuficientes para sustentar o idoso, e o cuidador pode ter de recorrer a poupanças ou empréstimos para fazer face às despesas diárias.



Os lares de idosos podem ser um custo algo avultado, mas incluem todos os cuidados profissionais de que o idoso precisa, possibilitando ainda aos familiares que continuem a trabalhar. Por isso, deve-se ter em mente que, ao invés de diminuir as despesas ao não ter o idoso num lar de idosos, onde ele teria cuidados profissionais especializados, quando um familiar assume o papel de cuidador o rendimento mensal do mesmo é prejudicada e assim as finanças podem sofrer.

A saúde do cuidador fica em risco


Muitas pessoas que atuam como cuidadoras de um pai ou parente dizem que se sentem sozinhas, e cerca de 40% relatam que cuidar é altamente stressante. O stresse e o isolamento social podem levar a depressão e a problemas de saúde mental de longo prazo. Também o trabalho propriamente dito não é fácil fisicamente. Envolve por vezes dar banho ao idoso, levantá-lo da cama ou, em caso de queda, do chão. Estas tarefas físicas do cuidado familiar podem aumentar a pressão arterial e, posteriormente, aumentar o risco de doenças crónicas.



As tarefas diárias do cuidador de um idoso são altamente desgastantes, tanto física como psicologicamente, e podem levar a stress, burnout e aumento de outros problemas de saúde.



Para aqueles que atuam como cuidadores de familiares com demência, os relatos são de níveis ainda mais altos de tensão, problemas de saúde mental e física e esgotamento do cuidador, de acordo com um estudo com 1 500 cuidadores familiares publicado no jornal científico The Gerontologist. Os riscos de saúde do cuidador de um idoso com demência incluem aumento da mortalidade, taxas elevadas de doenças crónicas e isolamento social severo dos cuidadores.



Cuidar de um familiar a tempo inteiro leva ao desequilíbrio da relação


Desta forma, podemos ver que apesar de muitas pessoas acharem que ao cuidar de um idoso em casa estariam a economizar dinheiro, pudemos perceber durante este artigo, os gastos são muitos e pode perder a estabilidade financeira ao ter de abdicar do seu trabalho para poder assumir esta função. Isto também leva a um distanciamento da relação com o seu pai ou familiar idoso, visto que o cuidador agora se foca no seu bem-estar físico e pode ficar emocionalmente sobrecarregado.


O cuidador tem pouco tempo para socializar com o idoso, visto que fica submerso no cuidado diário, e já não aproveita a sua companhia.



Um lar de idosos neste caso pode dar a segurança necessária para a preservação da qualidade de vida do idoso com um custo fixo mensal. E o familiar, ao invés de deixar o emprego, pode continuar a trabalhar para ajudar com esses custos, sem ter de sacrificar as economias de toda a vida. Além disto, o familiar acaba por ter mais energia e tempo para dar atenção ao seu familiar idoso nas visitas ao lar, se não se focar no seu cuidado.

A Lares Online está sempre a trazer tópicos necessários para que as famílias possam fazer as suas escolhas de cuidados aos familiares idosos de maneira esclarecida, por isso confira os nossos conteúdos para se manter informado sobre os temas acerca da qualidade de vida dos idosos e dos seus cuidados.



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