Doença de Parkinson: Cuidados oferecidos em lares de idosos

Por Sónia Domingues, atualizado a 23 de Fevereiro de 2026 Dependência

Muitos residentes em lares de idosos sofrem da doença de Parkinson, uma patologia que afeta cerca de 20 mil portugueses, segundo estimativa desenvolvida pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Esta doença neurodegenerativa afeta sobretudo pessoas com mais de 60 anos e, apesar de ainda não se conhecer a sua origem, suspeita-se da existência de fatores genéticos e ambientais associados ao seu desenvolvimento. Pela sua natureza progressiva e debilitante, as pessoas com doença de Parkinson necessitam, ao longo do tempo, de mais cuidados de saúde e de maior vigilância. Por esse motivo, é fundamental que existam lares de idosos com estrutura e serviços aptos a prestar este tipo de apoio.

Neste artigo, vamos compreender melhor a doença de Parkinson e perceber o que os lares podem oferecer para assegurar uma melhor qualidade de vida a quem vive com esta condição.



A descoberta da doença de Parkinson


A doença de Parkinson foi inicialmente descrita pelo médico inglês James Parkinson, no seu ensaio “An Essay on The Shaking Palsy”, em Abril de 1817, que expôs os sintomas vividos por seis pacientes. Os principais sinais em comum entre os doentes consistiam em tremores involuntários incessantes e na perda de massa muscular. No entanto, apesar da sua abundante e brilhante contribuição para a evolução da geologia e paleontologia na época, esta publicação foi subestimada.

Após um século, o neurologista francês Jean-Martin Charcot, ao pesquisar sobre o tema, retirou a publicação da obscuridade e acabou por atribuir a esta doença o nome de “Parkinson”, em homenagem ao médico que primeiro a descobriu. Hoje em dia, a doença de Parkinson é amplamente conhecida e estudada tanto por médicos como por cientistas, que procuram a evolução e a inovação nos tratamentos clínicos. 



Os principais sintomas de Parkinson


A doença de Parkinson apresenta sinais e sintomas que devem ser vigiados para permitir um diagnóstico atempado e um tratamento adequado, assegurado o bem-estar do doente.

Se não for diagnosticada numa fase inicial da doença, pode haver uma perda irreversível de funções, bem como, diminuir a eficácia das intervenções terapêuticas. O Parkinson é uma doença que se manifesta através de um declínio progressivo da função cognitiva e da perda gradual das funções executivas. A medicação e as cirurgias existentes para o tratamento do Parkinson podem, apenas, abrandar a progressão da doença. Em alguns casos, a Terapia de Estimulação Cerebral Profunda poderá reverter alguns sintomas. 

Assim, as famílias devem estar muito atentas, se observarem sintomas, como:

  • Tremor em repouso: Tremores involuntários, que geralmente começam nas mãos e podem progredir para outras partes do corpo, bem como dificuldade nos movimentos;

  • Desequilíbrio ou alterações na marcha: Marcha mais lenta, com passos curtos ou a arrastar os pés, podendo surgir curvatura postural acentuada e diminuição da expressão facial, incluindo menor frequência do piscar dos olhos;

  • Alterações cognitivas: A memória pode manter-se preservada nas fases iniciais, mas surgem lentidão no pensamento, dificuldade de concentração e menor capacidade de foco;

  • Alterações emocionais: Podem surgir estados de apatia, perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas, ansiedade ou depressão;

  • Alterações da tensão arterial: Podem ocorrer quedas abruptas da tensão arterial ao levantar-se;

  • Perturbações de sono: Sonolência diurna, alterações do sono REM, insónias, pesadelos ou sonhos intensos;

  • Alterações gastrointestinais e urinárias:  Diminuição do apetite, obstipação e dificuldade em engolir. Pode também ocorrer incontinência urinária ou aumento da frequência urinária.



O diagnóstico de Parkinson

O diagnóstico da doença de Parkinson é um ato médico complexo, que envolve exames neurológicos, avaliação clínica detalhada, testes genéticos e, quando necessário, exames complementares.

Importa salvaguardar que vários sintomas podem ser comuns a outras patologias, o que pode conduzir a erros de diagnóstico. Por esse motivo, esta doença não deve ser diagnosticada de ânimo leve. As patologias mais comuns que partilham sintomatologia com Parkinson revelam-se como parkinsonismos atípicos, demência de corpos de Lewy, demência frontotemporal e tremor distónico.

A doença de Parkinson inclui-se nas mais de 60 patologias neurodegenerativas que afetam os neurónios (as células que constituem o cérebro humano) permanentemente. Estima-se que a doença de Parkinson, em conjunto com o Alzheimer e a doença de Huntington, sejam das doenças responsáveis por grande parte dos diagnósticos incorretos de demência, nos idosos. 



A progressão da doença de Parkinson nos idosos

Tal como acontece com outras doenças neurodegenerativas, o Parkinson instala-se de forma gradual na vida das pessoas, muitas vezes de maneira silenciosa. Particularmente, no caso dos idosos, no início, os sinais podem ser subtis e facilmente confundidos com mudanças normais do envelhecimento. Com o passar do tempo, porém, a doença vai marcando presença e trazendo novos desafios, tanto para quem vive com Parkinson como para quem cuida.

À medida que a condição evolui, o corpo torna-se mais vulnerável e algumas capacidades vão sendo afetadas. Existem períodos de maior estabilidade e outros em que a progressão pode acontecer de forma mais rápida, sobretudo em fases de maior fragilidade física ou emocional, por isso o acompanhamento médico é fundamental. 

Mesmo com acompanhamento adequado, trata-se de uma doença progressiva. A sua evolução é geralmente descrita em cinco estágios:


  • Estágio Inicial: Sintomas ligeiros, geralmente com tremor unilateral, podendo surgir alterações posturais ou ligeira perda de equilíbrio. Nos idosos, mesmo estas manifestações iniciais podem aumentar o risco de quedas e comprometer a segurança nas atividades do dia a dia, como caminhar em casa ou subir escadas.

  • Estágio Bilateral: Os sintomas agravam-se e estendem-se ao outro lado do corpo. A fala pode tornar-se mais arrastada e com menor projeção, dificultando a comunicação. A locomoção torna-se mais lenta e pesada, e funções simples como levantar-se da cama ou de uma cadeira passam a exigir maior esforço. Embora o idoso possa manter alguma autonomia, as limitações começam a interferir de forma mais evidente na sua independência.

  • Instabilidade moderada: Este estágio caracteriza-se por lentidão acentuada e perda de equilíbrio. Tarefas como vestir-se ou alimentar-se tornam-se difíceis de realizar sem ajuda. A diminuição dos reflexos e a incapacidade de manter estabilidade em pé aumentam significativamente o risco de quedas, que nos idosos podem resultar em fraturas, hospitalizações e perda súbita de autonomia.

  • Instabilidade postural grave: A doença torna-se mais incapacitante e o idoso já não consegue permanecer em pé ou caminhar sem apoio. A dependência física é marcada e as atividades diárias exigem ajuda permanente. Nesta fase, podem tornar-se mais evidentes alterações cognitivas, desorientação e maior vulnerabilidade emocional.

  • Totalmente dependente: No quinto e último estágio, o estado de saúde encontra-se gravemente comprometido. O idoso depende de terceiros para todas as atividades básicas, já não consegue caminhar nem manter-se em pé e pode permanecer acamado ou dependente de cadeira de rodas. A rigidez muscular é acentuada e os défices cognitivos tornam-se mais evidentes. Nesta fase, são também mais frequentes complicações associadas à medicação, como confusão mental ou alucinações.



A resposta dos lares no apoio a idosos com Parkinson


A doença de Parkinson traz consigo muitas mudanças, tanto para o doente como para a sua família. Com o agravamento dos sintomas e o aumento progressivo da dependência, especialmente em contexto de envelhecimento, torna-se cada vez mais exigente garantir, no domicílio, todos os cuidados que estes doentes necessitam.

Neste contexto, um lar de idosos de qualidade preparado para acompanhar situações de maior dependência pode representar uma resposta adequada, ao garantir cuidados de saúde continuados, apoio nas atividades diárias e opções de estimulação ajustadas às necessidades dos doentes de Parkinson. 

Além de acompanhamento especializado, alguns lares oferecem cuidados complementares que visam preservar a autonomia e a qualidade de vida do idoso com Parkinson, ajudando a minimizar o aparecimento ou o agravamento de algumas limitações, tais como:

  • Acompanhamento médico regular: Monitorização da medicação e adaptação terapêutica ao longo da progressão da doença.

  • Terapias complementares: Fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional contribuem para preservar a mobilidade, comunicação e autonomia.

  • Espaço seguro e adaptado: Ajudas técnicas, casas de banho adaptadas e mobiliário adequado reduzem o risco de quedas e facilitam as atividades diárias.

  • Apoio emocional: Acompanhamento psicológico adequado às diferentes fases da doença.

  • Assistência permanente: Apoio nas atividades diárias, como para, se vestir, alimentar ou caminhar.

  • Atividade física regular: Exercício adaptado que contribui para a manutenção da mobilidade e redução da rigidez muscular



Envelhecer com dignidade apesar do Parkinson

Envelhecer com doença de Parkinson significa lidar com limitações progressivas que podem afetar a mobilidade, a autonomia e o bem-estar emocional. Ainda assim, é possível promover qualidade de vida através de cuidados ajustados às necessidades da pessoa idosa e de um acompanhamento atento à evolução da doença.

Num lar de idosos preparado para acompanhar situações de maior dependência, podem ser assegurados cuidados continuados, apoio nas atividades diárias e um ambiente seguro, contribuindo para preservar a autonomia possível em cada fase da doença.

Garantir acompanhamento adequado, estabilidade e respeito pelo ritmo individual é essencial para que a pessoa com Parkinson possa envelhecer com dignidade.



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