Como conciliar a sua vida com o apoio ao seu familiar idoso

Por Catarina Bouca , 01 de Agosto de 2019 Dependência


O envelhecimento dos nossos pais e avós idosos provoca uma série de desafios, de ordem logística, financeira, familiar, profissional e emocional, que quase todos nós, mais tarde ou mais cedo, somos obrigados a enfrentar.

​Quando o idoso começa a dar sinais de debilidade, a primeira reação que costumamos ter é ignorar a situação. Isto acontece porque nos custa aceitar que os nossos progenitores, os sólidos pilares em quem nos apoiámos a vida inteira, estejam a caminhar para o fim e que cada vez mais irão precisar do nosso apoio.

Se é fácil compreender que as crianças precisam do nosso cuidado, bastante mais complicado é entender que os nossos pais estão a entrar numa fase em que precisarão de todo o cuidado, atenção e carinho porque, muitas vezes, começam a perder as faculdades essenciais para a gerência do seu dia a dia. Nesse momento, confrontamo-nos com uma inversão de papéis na dinâmica familiar, o que pode causar alguma tensão, preocupação e desestabilização momentâneas.


Sinais de que o idoso precisa de apoio


​Sinais de alerta físicos

Postura instável, desequilíbrio, quedas, perda ou aumento de peso (extremos), dificuldade na visão, perda da audição (necessidade de aumentar o volume da televisão ou que o interlocutor aumente o tom de voz), diminuição da atividade (desistência de atividades como passear ou caminhar).


Sinais de alerta psicológicos

Descuido com a imagem e higiene pessoal, mudança de hábitos na arrumação da casa, alterações de humor frequentes, esquecimento das compras habituais ou do pagamento das contas, perda de objetos, falta a encontros marcados por esquecimento ou confusão quanto à localização do local.


Sinais de alerta sociais

Isolamento ou abandono de reuniões ou atividades de grupo.




Susana, 56 anos

«Depois de alguns episódios de saúde complicados e de um internamento prolongado, optámos, por decisão da minha mãe, pelo seu ingresso num lar. Fui visitar alguns, avaliámos as condições e decidimos. Entretanto, a minha mãe ficou em nossa casa até ao dia em que entrou no lar. Nesse dia senti uma tristeza muito grande, uma espécie de antevisão do fim. Ela ficou lá ainda cinco anos e estou convencida de que foi a melhor solução, porque teve cuidados e acompanhamento que não poderia ter em casa. Porém, no início é muito duro.»

(in Os meus pais estão a envelhecer)

​O que deve fazer perante os primeiros sinais de envelhecimento?


Em primeiro lugar, devemos olhar para a situação tal como ela é e evitar entrar em negação. Isto porque, se começarmos a traçar uma estratégia logo que os primeiros sinais se evidenciem, todo o processo será mais fácil e não seremos obrigados a tomar decisões urgentes e imediatas pois a situação já se agudizou de tal forma que não temos outro remédio. Ter tempo para planear é sempre bom.



1 - Converse com o idoso sobre o assunto

Tenha uma conversa com o idoso e pergunte como ele gostaria de viver no futuro e que apoio gostaria de ter no processo de envelhecimento. É uma conversa difícil, por isso deve acontecer num ambiente calmo, num momento em que o idoso esteja recetivo ao diálogo. Evite colocar imposições ao idoso.



2 - Investigue soluções de apoio em conjunto

Faça uma pesquisa das empresas de prestação de cuidados ao idoso. Se optar por esse caminho, marque entrevistas e nunca tome a decisão de contratar alguém sem o consentimento do seu idoso. É ele que vai passar mais tempo com a pessoa a contratar, por isso tem todo o direito de ser ele também a escolhê-la. 



3 - Não descarte o apoio familiar se possivel

O apoio ao idoso também pode ser dado pelos familiares, quando estes têm disponibilidade para tal. Nesse caso, uma boa conversa entre irmãos pode ajudar muito. Cada um deverá dizer abertamente o que pode dar e quais são os seus limites na sua ajuda. Evite as críticas e o reacendimento de ressentimentos e mágoas, pois em nada irão ajudar à resolução da situação.

4 - Considere a eventual solução em lar 

Se a família não tiver disponibilidade para acompanhar o idoso e se o apoio domiciliar não for uma opção, parta para uma pesquisa bem feita sobre a oferta existente de residências para idosos. A entrada de um idoso num lar precisa de ser preparada, tanto do ponto de vista emocional do idoso como do ponto de vista financeiro do mesmo. Conte com a ajuda do médico de família do idoso para tomar as decisões. Uma vez escolhido o lar, o respetivo diretor técnico deverá ser um apoio importante na preparação do idoso para a sua nova realidade. Normalmente, esse trabalho é feito em conjunto com os familiares.



5 - Informe-se sobre os apoios sociais existentes

Se os recursos financeiros não forem suficientes para fazer face às despesas de um lar, poderá recorrer a uma comparticipação por parte da Segurança Social. Existem diversos apoios para idosos com dificuldades financeiras, desde o Complemento por Dependência ao Complemento Solidário para Idosos. Também pode requerer uma cama social, embora o tempo de espera possa ser longo. Esteja ciente de que existem muitos idosos com carências financeiras e que os lugares nos lares comparticipados pela Segurança Social são limitados.



Para cuidar bem do idoso, tem de cuidar bem de si próprio


Lembra-se daquela publicidade que dizia «Se eu não gostar de mim, quem não gostará?». Pode parecer uma frase feita, mas não é. De facto, se eu gostar mais de mim próprio, respeitar-me-ei mais e com isso terei dos outros maior respeito e admiração. E para gostar de mim, eu tenho de cuidar de mim, não há outra forma.

Existem muitos relatos de cuidadores informais que acabaram por abdicar das suas vidas pessoais e profissionais em prol do apoio ao idoso. São histórias muito tristes e que frequentemente acabam mal. Por isso, há que ter em mente que o facto de se comprometer a apoiar o familiar idoso não pode significar deixar de ter vida própria. É, portanto, fundamental encontrar estratégias de conciliação entre o apoio que se dá e todas as outras dimensões da sua vida, que não devem ser descuradas mas sim estimuladas.



Estabeleça limites e priorize necessidades 

Para cuidar de si, tem de ser capaz de estabelecer limites e hierarquizar necessidades, as sentidas pelo idoso ao seu cuidado, as suas próprias necessidades e as daqueles que lhe são mais próximos. Deste modo, estará a equilibrar o impacto do cuidado nas restantes dimensões da vida e a racionalizar os seus esforços, orientando-os para aquilo que de facto é importante.


Inicialmente o colocar limites pode trazer sentimentos de culpa a quem está no papel de cuidador. É muito importante que não se deixe afundar por esses sentimentos, pois em nada irão ajudar a melhorar a situação.

​Por vezes, o próprio idoso joga com esses sentimentos, o que faz com que o cuidador se sinta ainda mais culpado. Esta dinâmica é algo comum, mas, por ser muito disfuncional, deve ser travada o mais rapidamente possível. Frases como «Vou morrer e estou aqui sozinho», «Já ninguém gosta de mim nem quer saber de mim porque estou velho», «Não te vás embora, filho!», «Só me apetece morrer, estou sozinho na vida» são utilizadas com frequência e têm um impacto muito negativo no familiar cuidador.


Catarina, psicoterapeuta

«A culpa é um sentimento muito ligado à pressão para cuidar e, nesse sentido, está muito mais presente nas mulheres. Espera-se que as mulheres estejam sempre disponíveis para cuidar: das crianças, dos doentes, dos velhos, da casa e da família. Como se isso fosse uma função natural da mulher. Claro que sabemos que não é assim, mas o peso da pressão social e o medo do julgamento são muito fortes e levam as mulheres a procurar fazer tudo e a serem muito exigentes consigo próprias e com aquilo que fazem pelos outros. A culpa surge, claramente, por esta via, afeta a autoestima e leva a fortes sentimentos de insatisfação.»

(in Os meus pais estão a envelhecer)
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​Descanse o mais que possa, fisica e emocionalmente

É muito importante que o cuidador tenha tempos de pausa em que consiga abstrair-se dos cuidados e das preocupações. Uma boa opção é ir de férias com a família. Durante este período, o seu familiar idoso poderá ficar ao cuidado de outro familiar, de um amigo, de um profissional ou num acolhimento residencial. Os telefonemas ao idoso não devem passar dos dois por dia e devem ser feitos em horas fixadas para tal.

Quando os nossos pais envelhecem e começam a necessitar de cuidados regulares, somos invadidos por um turbilhão de emoções, que passam pela tristeza, pela frustração, pela culpa e, muitas vezes, pela raiva. São emoções comuns que não têm apenas a ver com a sobrecarga de trabalho enquanto cuidador, mas também com o assistir à degradação física e psicológica daqueles que mais amamos e de nos sentirmos confrontados com a aproximação da perda.



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