Como lidar com pessoas (idosas) muito difíceis?

Por Susana Pedro , 17 de Outubro de 2018 Longevidade


​Envelhecer é um processo biológico natural e impossível de reverter. Contudo, este é, também, um processo cheio de complexidade, e nem sempre fácil, sobretudo porque se agrava o grau de dependência de quem envelhece. Lidar com idosos pode ser algo bastante desafiante, já que nem todos encaram da mesma maneira o envelhecimento e a possibilidade de depender de outrem. Neste artigo iremos visitar idosos com perfis muito difíceis.



O processo de Envelhecimento

Envelhecer, embora seja algo iminentemente integrante do devir do percurso humano, não é algo linear, já que existem diferenças muito interligadas à situação económica e social ou à condição física, e que podem mudar de idoso para idoso.


​O envelhecimento não é um processo linear.


Envelhecer não é um processo, ainda que absolutamente natural e inexorável, facilmente encarado com alguma serenidade, já que é bastante associado a um elevado grau de dependência, gerada pela diminuição da saúde física ou mental. Para além disto, existe sempre alguma resistência generalizada em aceitar mudanças no quotidiano e a adoção de um novo modelo de vivência.

Por este motivo, é necessário que as comunidades encarem a ideia de que para os idosos o envelhecimento é um processo complexo e muitas vezes angustiante e que, em virtude disso, e por ser algo que a todos diz respeito, é necessário desenvolver empatia e compaixão para com quem já entrou nessa fase da sua vivência humana.



Porque alguns idosos se tornam difíceis?

Ora, partindo da premissa que o envelhecimento é algo inevitável e um processo de reajustamento para com o dia-a-dia e para com o Outro, é necessário perceber que os idosos passam por uma fase que pode ser realmente angustiante e que nem sempre têm os mecanismos certos de adaptação a esta nova realidade. Ainda é necessário, por parte da comunidade, não esquecer que o idoso vai perdendo os papéis que assumiu durante um largo período da sua vivência. Estes não só passam de cuidadores a serem cuidados como, ainda, têm que lidar com a sua retirada da vida ativa, o que, para alguns, pode ser algo realmente difícil de encarar.

Os idosos passam de ser cuidadores a ser cuidados, lidando ainda com o término da vida activa, o que não é fácil.


É, por este motivo, natural e compreensível que a entrada na velhice traga um rol de emoções ao idoso, e que nem sempre seja fácil, para este, percebê-las, encaixá-las na nova realidade ou controlá-las.

Contudo, para além do idoso, também é necessário relembrar e prestar atenção ao papel importantíssimo do cuidador que, não raras vezes, também é afetado por estas alterações emocionais, físicas e económicas na vivência daquele que é o objeto do seu cuidado. A figura do cuidador é essencial já que ela é o garante da manutenção da dignidade humana da pessoa idosa

Ora, o cuidador é confrontado com a miríade de emoções que se alojam no idoso e, por este motivo, é um alvo muito vulnerável e permeável aos estados de espírito daquele.



Perfis de idosos muito difíceis:

De entre os perfis de idosos difíceis e que lutam continuamente com as mudanças operadas nas suas vidas, existem diferentes tipos muito bem identificados. Assinalamos três tipos:

1 – O idoso Irredutível

Este perfil demarca-se sobretudo pela inflexibilidade por parte do idoso em readaptar-se às mudanças verificadas na sua vida. Por este motivo, ao não encarar ou aceitar a sua nova realidade ou condição física, recusa os serviços do cuidador. Tal atitude pode resultar num risco concreto e real em relação à sua saúde e até segurança. Esta situação pode desembocar num estado de exaustão física e emocional para os filhos ou cuidadores.



2 – O idoso Patriarca

Como o próprio nome indica, o Idoso Patriarca é aquele que exerce uma autoridade dogmática sobre os seus cuidadores ou familiares. Do mesmo modo que o perfil do Idoso Irredutível, não facilita a prestação de auxílio, pois não compreende o real estado das suas necessidades e carências, já que é extremamente conservador e agarrado, de certo modo, à sua figura marcante no seio familiar. Demonstra, portanto uma certa inflexibilidade no seu comportamento.



3 – O idoso Manipulador

Este tipo de idoso difícil, o Manipulador, tem uma elevada propensão para a auto-comiseração, conseguindo manipular as pessoas em seu redor. Por norma, queixa-se muito de modo a chamar sobre si toda a atenção dos cuidadores e familiares. Este tipo de comportamento poderá estar intrinsecamente ligado à necessidade de o idoso voltar a ter o poder de controlar situações, como aconteceu sempre ao longo da sua vida adulta. Assim, esta atitude poderá ser um modo de reaver esse controlo perdido. Contudo, é necessário avaliar bem cada situação já que a linha que separa um idoso Manipulador de um caso de demência poderá ser muito ténue.



Como lidar com idosos difíceis?

Uma das coisas essenciais e que reforça o que dissemos anteriormente é que, apesar dos perfis que foram apresentados, do Idoso Irredutível, Patriarca ou Manipulador, é necessário criar laços fortes de empatia e compaixão por estes idosos. Colocarmo-nos de espírito e mente no lugar daquele Outro que um dia, inevitavelmente, seremos nós. É indispensável perceber que as mudanças bruscas no quotidiano são difíceis de processar e encaixar e que, quantas vezes, são imensamente difíceis! Este é o primeiro passo para lidar eficazmente com um idoso de perfil mais complexo. Ele pode ser um desafio à nossa capacidade de nos vermos espelhados nos olhos do Outro.

Apesar de tudo isto, é importante, como modo de garantir a dignidade física e mental do idoso, comunicar com ele assertivamente, compreendendo a complexidade das suas emoções mas sendo muito claro e seguro em relação à necessidade de serem assegurados os seus cuidados como modo de prevenir qualquer incidente que coloque em risco a sua saúde ou segurança.

Não sendo fácil lidar com idosos de perfil mais complexo, podemos, contudo, dizer que desafiam, numa base diária, a nossa capacidade de nos ligarmos a eles e de, certo modo, de nos revermos neles e repensarmos o fluxo natural do devir humano, de uma outra maneira.


Criando laços fortes de empatia e compaixão 


Colocando-nos de espírito e mente no lugar do Outro


Comunicando assertivamente


Compreendendo a complexidade das emoções que pode sentir


Sendo claro em relação aos cuidados necessários



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