Amar (não) é ser você a cuidar

Por Susana Pedro , 19 de Março de 2019 Envelhecimento


O processo do envelhecimento traz consigo inúmeras mudanças na vida das pessoas. Somos, desde o momento em que nascemos, tradicionalmente cuidados pela família próxima. A mãe cuida das primeiras necessidades do filho e acaba por ser um elemento fulcral ao longo de toda a nossa vida.

Com o passar dos anos, a pessoa idosa vai perdendo gradualmente as suas faculdades, seja as cognitivas, seja as motoras. Assim sendo, vai gradualmente sendo necessário apoio para que o idoso efetue as suas atividades diárias com dignidade.

A carreira, que abarca agora homens e mulheres, levou a que cuidados antes atribuídos à família passassem para instituições. Surgem assim os cuidados geriátricos, para cuidar dos idosos, e, seja no seu domicílio, com apoio domiciliário, seja em centros de convívio, centros de dia ou lares residenciais, todos contribuem para o apoio da pessoa idosa.

Mesmo com estes serviços disponíveis para contribuir para o bem-estar e conforto dos idosos, ainda há uma grande contrariedade em institucionalizar ou mesmo permitir a terceiros cuidar dos nossos idosos, preferindo-se cuidar destes em casa, pelos nossos próprios meios. No entanto, muitas vezes esta não é a melhor opção, mesmo que pareça.



Manter uma presença assídua na vida dos nossos pais

Há ideia de que o recurso à intervenção de terceiros, contratados, funciona como um descartar da situação, deixando os pais no lar ou entregues a apoio de profissionais, e não fazendo mais parte activa das suas vidas. No entanto, nunca será este o objectivo deste tipo de serviços. É sempre importante manter contacto com a vida do dia-a-dia dos idosos.

Todo o apoio e afecto não desaparecem apenas derivado a uma mudança de residência (que é, na base, o processo de institucionalização do idoso) ou derivado da mudança de cuidador para um profissional. As necessidades afetivas do idoso e da própria família continuam a existir, em ambas as situações.

É necessário muito acompanhamento para contrariar o sentimento de abandono que, por vezes, surge associado à necessidade de apoio frequente, seja em lar ou na sua residência.​


É importante telefonar frequentemente, principalmente a idosos lúcidos, e fazer visitas. Os idosos, como qualquer outra pessoa, apreciam ser escutados e valorizados. Mesmo que apenas alguns minutos na hora de almoço, ou mesmo ao final do dia, serão sempre tidos em conta e farão toda a diferença.



Impacto na nossa vida pessoal e profissional

Ora o cuidado de um idoso mais ou menos dependente é cansativo, e drena toda a energia da casa. Adicionando a esta situação um trabalho a tempo inteiro ou mesmo parcial, o cansaço é mais que evidente e determina uma mudança.

​Nesta situação, há poucas opções: recorrer à institucionalização do idoso, recorrer a um profissional que faça serviço domiciliário (cuidador permanente em casa ou serviço mais geral) ou abdicar de alguma forma da carreira de um dos familiares, para procederem ao cuidado a tempo inteiro do idoso.

Não é possível fazer uma pausa na nossa vida

Pensando em abdicar da carreira, é necessário perceber realmente tudo o que estará relacionado com esta perda. Dificilmente será possível retomar mais tarde a carreira, seja em que área for, no ponto onde a deixou. Também, havendo um hiato, é complicado manter-se a par das novidades e alterações que vão sempre existindo, a um ritmo cada vez mais acelerado.



O que implica cuidar permanentemente de alguém

Apesar de pensarmos que muito devemos aos nossos pais, pois eles sempre cuidaram de nós, é importante ter em mente que a nossa vida também se vai desenrolando. Colocar toda a nossa vida profissional e pessoal em pausa não é realmente uma opção, pois muito se perde enquanto se cuida de um idoso.

A vida pessoal acaba por ser muito afetada, havendo um afastamento dos colegas de trabalho, amigos e mesmo outros familiares. O quadro da saúde mental acaba por se deteriorar, mesmo que de forma gradual e algo imperceptível.

As tarefas de acompanhamento de higiene e outras atividades diárias têm uma grande exigência e não podem ser feitas sem rigor. Os cuidados tornam-se muito pesados, e muitas vezes, não sendo repartidos pelos vários familiares, pesam mental e fisicamente no cuidador.

Amar nunca pode ser viver em função do bem-estar de outra pessoa, mas sim apoiá-la e garantir que lhe são prestados os cuidados de que necessita, sem nos prejudicarmos pessoalmente.



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