6 Directores Técnicos para se inspirar

Por Catarina Bouca , 28 de Maio de 2019 Profissionais


O bom funcionamento de uma residência para idosos reside numa direcção técnica competente. Estes profissionais suportam grande responsabilidade, já que está a seu cargo toda a gestão diária do equipamento. Coordenam as várias vertentes que fazem parte da instituição, desde as equipas médicas, de enfermagem e de auxiliares até às equipas de animação sociocultural, cozinha, lavandaria e manutenção.

Além disso, são os directores técnicos que comunicam com os familiares dos idosos, fazendo a apresentação inicial da residência e, numa fase seguinte, trabalhando o idoso em conjunto com a família.

Conheça o que pensam seis directores técnicos do nosso país sobre a profissão que exercem: os principais desafios que enfrentam, as áreas que mais os fascinam e as inovações que procuram introduzir no quotidiano das residências para idosos. 


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​Bruno Ferreira dos Santos

​Bruno Ferreira dos Santos, 37 anos, é proprietário e director técnico da Vita Residence, uma residência para idosos em Mirandela. Licenciado em Engenharia Informática, trabalhou vários anos como informático até que lhe surgiu a ideia de abrir uma residência própria.

«Mirandela é uma região com uma população muito envelhecida e com falta de equipamentos para acolher estas pessoas. Como um familiar meu tinha um terreno, pensei que seria interessante abrir uma residência sénior», conta. 

Da ideia de negócio à abertura da Vita Residence passaram-se cinco anos. Durante esse tempo, Bruno Ferreira dos Santos aproveitou para tirar formação na área, tendo adquirido uma pós-graduação em Gestão de Serviços de Saúde.

A Vita Residence abriu as portas em 2012 e Bruno Ferreira dos Santos assumiu a direcção técnica em 2014. A grande aposta deste sócio-gerente centra-se na «relação de transparência com os familiares dos clientes». «Para nós, é de extrema importância a envolvência da família em todo o processo de integração e continuidade do idoso no lar. Queremos que os familiares conheçam muito bem o nosso trabalho e participem em todas as decisões que dizem respeito ao dia a dia do idoso.»

Para o fundador da Vita Residence, um dos segredos para o sucesso de uma residência para idosos está num bom recrutamento de recursos humanos. «Quando entrevisto alguém, procuro perceber se aquela pessoa tem um verdadeiro gosto por esta área... porque o gosto é o mais importante, sem dúvida!»



Maria João Ferreira

​​Maria João Ferreira, 36 anos, trabalha há 12 anos como directora técnica em residências para idosos. Recentemente abraçou um novo desafio profissional: veio abrir a Plenus – Residências Assistidas, uma residência sénior em Lisboa que inaugurou em janeiro deste ano.

Para esta directora técnica, o maior desafio do seu trabalho é manter uma boa harmonia nas equipas e também na relação com os idosos e respetivas famílias. «Um director técnico é essencialmente um gestor que não pode de maneira alguma cingir-se apenas a um escritório. Temos que acompanhar de perto todas as equipas, a de enfermagem, médica, de auxiliares e de animadores socioculturais, para que possamos dar resposta a qualquer questão que os clientes e as suas famílias nos coloquem», explica.

Maria João Ferreira considera que a disponibilidade, a humildade e a adaptabilidade são características fundamentais para quem trabalha nesta profissão. Também atribui especial importância à animação sociocultural e às ofertas de atividades que uma residência para idosos dispõe: «Na Plenus, temos animação sociocultural todos os dias das 10:00 às 18:00, o que na minha opinião é muito importante porque desta forma evitamos que os nossos idosos fiquem parados a olhar para a televisão, o pior que pode acontecer... Além disso, organizamos debates que visam estimular a parte intelectual dos nossos clientes. Neste momento estamos a debater as eleições europeias.»

Para quem está a iniciar a profissão, Maria João deixa uma dica: «Saiam do escritório e não fiquem presos ao trabalho burocrático, que eu sei que é muito! Relacionem-se com os idosos porque é nessa relação que está a nossa missão.»



Rafaela Almeida

Rafaela Almeida, 40 anos, trabalha com idosos há 15 anos. Iniciou-se na área como terapeuta ocupacional, a sua formação inicial. Desde 2012 que assume a direcção técnica da Casa Azul, uma residência para idosos em Lisboa. Tem ainda um Mestrado em Gerontologia pela Universidade Nova de Lisboa.

​Para Rafaela, o que faz um bom director técnico é uma conjugação de conhecimento técnico e sensibilidade, já que se trata de um trabalho que lida muito de perto com a fragilidade do ser humano.

«A empatia e uma boa comunicação são ainda aspetos fundamentais nesta profissão, não só na relação com os idosos mas também dentro das próprias equipas», afirma a directora. E ainda uma aposta diária na formação dos colaboradores por parte da direção técnica. «Na Casa Azul, em todas as passagens de turno discutimos em equipa sob minha orientação os casos individuais que temos em mãos.»

Enquanto directora técnica, Rafaela faz também a ponte entre as sessões mensais de Psicologia Positiva e a parte de animação sociocultural da Casa Azul. «Temos grupos de Psicologia Positiva, dirigidos por uma psicóloga, onde todos os meses abordamos um determinado tema. Este mês foi o “Sabe-me Bem”. Nestas sessões grupais, procuramos que os participantes se foquem nos aspetos positivos das várias vertentes da vida. Os resultados têm sido bastante bons porque o que acontece é que os idosos acabam por partilhar uns com os outros as suas histórias de vida. Também conseguimos detetar quais são os interesses deles, o que gostam mais de fazer. Trata-se de uma informação importante para a animação sociocultural, que vai procurar ir ao encontro desses interesses através das atividades que organiza.»

O objetivo de Rafaela é que os idosos com quem trabalha se sintam cada vez mais em casa na Casa Azul e que os seus familiares confiem plenamente no trabalho que ali é desenvolvido. 




​Fátima da Silva Pereira

Fátima da Silva Pereira, 46 anos, é directora técnica na Residência Sénior Dona Emília, em Seia. É formada em Serviço Social e trabalha com idosos há 19 anos, uma área pela qual se apaixonou. Tem como política a prestação de um serviço cada vez mais diferenciado, humanizado e personalizado.

A principal dificuldade que diz enfrentar na sua profissão é o recrutamento de pessoal: «Temos alguma dificuldade em encontrar pessoas competentes que estejam aptas para desenvolver funções dentro da residência.» A formação dos recursos humanos é uma área à qual dá bastante atenção. «Nem sempre recrutamos pessoas com conhecimentos técnicos, por isso promovemos a formação interna e também encaminhamos os nossos funcionários para ações externas.»

Para a gestora, o sucesso de uma direcção técnica depende sobretudo de uma boa gestão dos relacionamentos interpessoais. «Falo da relação que estabeleço com os idosos, com os familiares e com a equipa», diz.

Considera o trabalho com a população envelhecida «extremamente gratificante. Depois da Licenciatura em Serviço Social fui trabalhar com jovens até que surgiu a oportunidade de fazer um estágio profissional na área da terceira idade. Gostei bastante e nunca mais trabalhei com outras populações.»



Susana Pedras

Susana Pedras foi directora técnica das Residências Montepio e do Domus Vida. Há dois anos, resolveu lançar o seu próprio projeto – Somos Vida Espaço Sénior, do qual fazem parte duas residências para idosos, uma em Lisboa e outra em Cascais.
​Atualmente assume a direcção técnica destes espaços.

​Licenciada em Fisioterapia e Enfermagem, depressa descobriu que queria trabalhar com idosos, “pessoas maiores”, como insiste em chamar a população mais envelhecida.

​«Desde muito nova percebi que as 'pessoas maiores' eram o meu alvo. Isto porque pouca gente gosta verdadeiramente de trabalhar com elas, já que os resultados são lentos e pequenos, mas, a meu ver, muito gratificantes!»

​Susana Pedras acredita que uma direcção técnica se diferencia «quando o diretor técnico sai do gabinete e vai ao encontro dos residentes. Eu só consigo conhecer os meus residentes se me sentar com eles e conversar, e só assim é que eu posso falar com a minha equipa e explicar o que os meus residentes necessitam», esclarece.

Outro fator que, na sua opinião, marca uma boa direcção é a relação de proximidade com a equipa. «Sem uma equipa eficaz e motivada eu não consigo ser uma boa directora técnica. Por isso, estou constantemente a convidar os meus subordinados a apresentarem os seus pontos de vista e a darem ideias, é uma forma de os motivar e de criar uma relação próxima com eles.»

A inclusão do idoso na sociedade e a procura de terapias menos usuais fazem parte do plano de ação de Susana Pedras para o Somos Vida Espaço Sénior. «Temos dois gatos no nosso espaço de Cascais. Tenho observado que a interação destes animais com os idosos produz resultados ótimos. Temos também uma parceria com uma escola de Cascais onde os nossos residentes recebem aulas de informáticas lecionadas pelos próprios alunos.»



Cristina Alves

​Cristina Alves é proprietária da Residência Sénior da Travessa, em Lisboa. Depois de uma carreira como enfermeira em diversas especialidades e de uma passagem por África, onde trabalhou na área da Saúde Materno-Infantil, assumiu, em 2016, a direcção técnica do lar que detém com outros dois sócios. 

​Para Cristina, uma boa direcção técnica assenta numa gestão de recursos humanos eficaz, em bons cuidados de saúde e na diversificação da oferta de atividades. Quando lhe pedimos para apontar uma das mais-valias da Residência Sénior da Travessa, Cristina fala imediatamente da alimentação e culinária.

​«Apostamos muito na boa cozinha e fazemos questão que os familiares façam refeições com os seus idosos aqui na residência. Todas as semanas temos comidas temáticas. Fazemos pratos típicos africanos e também de várias regiões de Portugal. É a forma que arranjámos de os idosos se sentirem próximos daquilo que foi a sua vida e também achamos que comer é um prazer muito importante e que eles devem usufruir disso.»

A jardinagem e a terapia musical são duas atividades que fazem parte da rotina dos residentes desta residência para idosos. «São duas atividades em que eu acompanho os idosos, são simples mas muito prazerosas», explica. «A ideia é que os nossos residentes se sintam o mais possível em casa. Esta é sem dúvida a nossa grande aposta.»

No futuro, Cristina gostaria de abrir a residência para idosos às pessoas de fora, porque considera o contacto dos residentes com o exterior muito importante. «A minha ideia é abrir um espaço de criação não comum à residência em que as pessoas de fora e os residentes possam circular e conviver.»



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