5 formas de combater a solidão no idoso
Por Maria Martins, atualizado a 27 de Agosto de 2026 Idosos
Envelhecer traz mudanças que nem sempre são fáceis. A reforma, a perda do companheiro, problemas de saúde ou a diminuição da autonomia podem fazer com que uma pessoa idosa passe cada vez mais tempo sozinha. Para algumas pessoas, a falta de contacto regular com familiares, amigos ou outras pessoas pode pesar no dia a dia e afetar o seu bem-estar.
A família tem aqui um papel importante, mas nem sempre consegue estar presente todos os dias. É também neste ponto que uma estrutura como um lar de idosos pode fazer a diferença, criando oportunidades de convívio, atividades e relações sociais.
Neste artigo, explicamos o que pode estar por detrás da solidão na terceira idade e de que forma a família e os lares de idosos podem intervir para fazer a diferença.
Solidão nos idosos: qual é a realidade em Portugal?
A solidão na terceira idade não é uma consequência inevitável do envelhecimento, mas é uma realidade que merece atenção.
Em Portugal, cerca de 500 mil idosos vivem sozinhos e sem apoio, segundo dados apresentados numa reportagem da SIC em maio de 2026. É um número que ajuda a perceber a dimensão de um problema que muitas vezes permanece invisível. E a solidão pode ter consequências que vão muito além do sentimento de estar só.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, realizado com mais de 300 idosos no Baixo Alentejo, encontrou uma relação entre níveis mais elevados de solidão e uma maior utilização dos serviços de saúde. Entre os participantes com solidão severa, eram mais frequentes as consultas, as idas às urgências e o consumo de medicamentos.
Os investigadores defendem, por isso, que a solidão deve ser reconhecida e acompanhada, mas também que é preciso criar mais oportunidades de convívio, participação e ligação à comunidade.
4 fatores que contribuem para a solidão nos idosos
A solidão pode surgir por diferentes motivos e, muitas vezes, não existe apenas uma causa. Mudanças na rotina, perdas pessoais, problemas de saúde ou o afastamento da família podem contribuir para que o idoso passe mais tempo sozinho e se sinta mais isolado.
A reforma e a mudança de rotinas:
A ausência de interações diárias com colegas e quebras de rotinas estabelecidas, frequentemente resultam na falta de motivação para participar em atividades sociais ou mesmo sair de casa.
A perda do companheiro e dos amigos
A perda de pessoas próximas, o luto pela perda do companheiro ou de um amigo, bem como a falta de relações de proximidade, pode aumentar o sentimento de solidão e levar ao afastamento social.
Problemas de saúde e perda de autonomia
Condições físicas ou mentais debilitantes podem dificultar a participação em atividades e o contacto com outras pessoas. À medida que a autonomia diminui, o idoso pode passar mais tempo em casa e tornar-se mais isolado.
Viver sozinho ou estar mais afastado da família
Viver sozinho ou ter pouco contacto com a família pode aumentar o sentimento de solidão e de abandono, especialmente quando existem poucas oportunidades de convívio.
Como pode a solidão afetar a saúde e o bem-estar do idoso?
A solidão prolongada pode afetar várias áreas da vida do idoso, desde o seu bem-estar emocional até à saúde física e cognitiva. Quando a falta de contacto social se torna uma realidade diária, podem surgir sentimentos de tristeza, ansiedade, desânimo e perda de motivação, aumentando também o risco de depressão.
A saúde cognitiva também pode ser afetada. Recentemente foi realizado um estudo no Japão, que acompanhou cerca de nove mil idosos, para perceber de que forma o isolamento e a falta de estímulos sociais podem estar relacionados com o declínio cognitivo. Chegaram à conclusão que quanto menos o contacto social o idoso tiver, maior é a atrofia do volume cerebral.
No dia a dia, o isolamento pode ainda levar o idoso a sair menos de casa e a movimentar-se menos, contribuindo para a perda de condição física e de autonomia. Podem também surgir alterações no apetite, algum descuido com a higiene pessoal ou a própria habitação, aumentando a vulnerabilidade a quedas e outras dificuldades.
5 dicas para combater e contornar a solidão no idoso
Nem sempre é fácil perceber o que fazer quando sentimos que um familiar idoso está mais sozinho. E não é preciso começar por grandes mudanças. Muitas vezes, são os pequenos momentos de contacto e as atividades que dão sentido à rotina que podem ajudar.
Escutar sem críticas
Mostrar interesse pelas histórias, experiências e opiniões dos mais velhos pode ser uma forma simples de os fazer sentir ouvidos e valorizados. Mais do que conversar, é importante dar-lhes tempo e atenção para partilharem aquilo que viveram e aquilo que têm para ensinar.
Manter a proximidade
Uma chamada, uma visita, um almoço em família ou simplesmente um convite para um passeio são formas de manter a ligação. Sempre que possível, também é importante incentivar atividades de que o idoso goste e que lhe permitam estar com outras pessoas.
Incentivar atividades e interesses
Experimentar uma nova modalidade ou participar numa atividade em grupo pode ajudar a criar uma rotina e novas oportunidades de convívio. Um curso, uma atividade cultural, um grupo local ou até um hobby podem ser bons pontos de partida.
Aproximar o idoso da tecnologia
Para quem tem familiares ou amigos que vivem longe, aprender a utilizar videochamadas e outras ferramentas digitais pode ser uma forma simples de manter relações no dia a dia.
Promover o convívio com a comunidade
Manter o idoso ligado à comunidade pode ajudar a criar novas relações e a trazer mais companhia para o dia a dia. Centros de dia, associações locais, universidades sénior ou grupos de caminhada são algumas opções que podem incentivar a participação social e dar ao idoso novas oportunidades de convívio.
Como pode um lar de idosos ajudar na solidão e no isolamento social?
Quando a família já não consegue garantir um acompanhamento diário, um lar de idosos de qualidade pode ajudar a criar uma rotina mais acompanhada e oportunidades regulares de convívio.
Para além do apoio nas atividades do dia a dia, pode proporcionar:
Planos de atividades adaptados aos interesses e capacidades dos residentes;
Animação sociocultural e momentos de convívio;
Oportunidades para criar laços de amizade com outros residentes e com a equipa;
Espaços de convívio;
Possibilidade de acompanhamento psicológico, quando necessário;
Atividades que permitem ao idoso manter-se ativo e envolvido no dia a dia.
A escolha de um lar de idosos deve ter em conta não só os cuidados de que o idoso necessita, mas também a forma como a instituição promove a sua participação, autonomia e integração.
O importante é que o idoso continue a ter uma rede de apoio à sua volta e que não fique sozinho quando as necessidades aumentam. Quando essa rede já não consegue garantir todo o acompanhamento, procurar outras formas de apoio pode ser também, uma forma de cuidar.