Prevenção e resposta a tempestades em lares de idosos

Por Maria Martins, atualizado a 20 de Fevereiro de 2026 Notícias


Perante os acontecimentos extremos das últimas semanas, marcados pela tempestade Kristin, que deixou um rasto de destruição em várias regiões do país, sobretudo em zonas rurais, tornou-se evidente a vulnerabilidade de muitas comunidades, principalmente a população idosa. Edifícios danificados, telhados arrancados, estradas submersas e zonas isoladas, sem eletricidade ou meios de comunicação. Para os idosos, incluindo os que vivem em lares, o impacto foi ainda mais profundo, não apenas físico mas também emocional, sendo difícil de apagar.

A crescente frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos exigem uma resposta cada vez mais estruturada e responsável por parte das instituições, sobretudo quando estão em causa pessoas particularmente vulneráveis, como os idosos.

Cuidar de pessoas idosas é, também, assumir um compromisso com a sua segurança, num tempo em que fenômenos extremos se tornam uma realidade. 
Neste artigo, elaboramos um guia de prevenção e reação a tempestades em lares de idosos, que podem ajudar a prevenir incidentes graves e auxiliam na recuperação pós-eventos extremos. 



O que torna os lares de idosos mais vulneráveis a tempestades? 

Existem várias razões que deixam os lares de idosos mais vulneráveis a tempestades, entre outras, situações de risco:


  • População fragilizada: A maioria dos idosos que vivem no lar, têm problemas de saúde que lhes afeta a saúde mental ou a capacidade funcional.

  • Insuficiência de funcionários: As respostas a emergências podem ser insuficientes para manter os idosos em segurança, principalmente em eventos noturnos, onde o número de trabalhadores é significativamente menor.

  • Dependência de energia: Elevado uso de aparelhos elétricos de uso clínico ou terapêutico, equipamentos de mobilidade e de segurança, entre outros.

  • Meios de transporte limitados: Os lares de pequena dimensão poderão não ter os meios necessários para a evacuação dos seus residentes.



Como devem os lares de idosos agir durante uma tempestade?


​Durante eventos desta magnitude, conforme alertado pela Polícia de Segurança Pública e pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, num lar de idosos deve reforçar-se a permanência em zonas interiores mais seguras, afastada de portas com vidros, com estores fechados, evitando deslocações desnecessárias e o uso de elevadores.

É recomendado fazer um pequeno kit de emergências, incluindo lanternas com pilhas extra (nunca usar velas), rádios a pilhas para acompanhar os comunicados oficiais, manter um telemóvel e power banks carregados, medicamentos, água e alimentos não perecíveis. Equipamentos elétricos não essenciais devem ser desligados, mantendo sob supervisão os dispositivos médicos indispensáveis. 

Os documentos essenciais dos residentes devem estar organizados em sacos impermeáveis, guardados numa zona elevada e de fácil acesso. Convém também ter listas impressas de contatos de emergência.

Devem verificar-se infiltrações de água, retirar tapetes soltos para prevenir quedas e manter as janelas fechadas para reduzir correntes de ar, assegurando que os residentes ficam bem agasalhados e com roupas confortáveis. 
É fundamental manter um ambiente calmo, que transmita confiança, tranquilize os residentes e não permita saídas para o exterior até a situação estar totalmente segura. 




Que apoios governamentais estão disponíveis para os lares de idosos?

 
​​Em certas situações de emergência, como em tempestades graves, incêndios, inundações e entre outras, existem vários mecanismos de ajuda, nomeadamente em termos de resposta operacional, em que os lares são tidos como prioritários na resposta imediata dos Serviços de Proteção Civil.

Quando é decretado o estado de calamidade em algum concelho ou região do país, são ativados mecanismos excecionais, apoios a famílias, empresas, lares e instituições, que podem ter acesso facilitado a apoios logísticos e financeiros.



Apoios financeiros para os lares afetados pela tempestade Kristin
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Na sequência da tempestade Kristin, a Segurança Social vai atribuir uma comparticipação financeira para garantir a continuidade dos serviços e apoiar a recuperação dos lares de idosos. O apoio destina-se à reparação de infraestruturas danificadas, substituição de equipamentos fixos e móveis, viaturas, contratação de serviços e outras despesas essenciais para assegurar a segurança, conforto e bem-estar dos residentes.

O valor da comparticipação será definido mensalmente podendo ser estendido pelo período temporal necessário, garantindo estabilidade às instituições e tranquilidade às famílias.

Para além disso, muitas comunidades em Portugal têm organizado ações de solidariedade e donativos, como recolha de alimentos, bens de higiene, material de proteção e apoio direto às famílias e instituições afetadas, reforçando o cuidado e a proximidade com quem mais precisa.


Os lares de idosos também podem ser abrangidos pela isenção de contribuições à Segurança Social, caso tenham a sua situação fiscal e contributiva regularizada.


Isto acontece, caso a sua atividade ou rendimento tenha sido diretamente afetado pela situação de calamidade, podendo ser pedida a isenção total ou parcial:

  • Isenção total: Esta tem uma duração de seis meses a 1 ano. O lar de idosos tem de comprovar que houve perda de rendimentos ou redução da capacidade produtiva, como perda de instalações, equipamentos de trabalho ou veículos.

  • Isenção parcial: Este apoio é para empregadores que contratem pessoas desempregadas devido à situação de calamidade. 


​Se o seu lar foi afetado por estas calamidades e quer saber mais sobre os apoios, deve aceder ao formulário no portal da Segurança Social Direta e iniciar sessão, escolher a opção “Canal E-Clic”, criar um pedido, da seguinte forma:

  • Eventos de vida: Apoio e respostas sociais;

  • Assunto: Medidas excecionais de apoios às IPSS

  • Motivo: Apresentar um pedido e aceder ao link para o formulário online.



Tempestades e catástrofes naturais: Estará o seu lar pronto para eventos futuros?


​Perante os fenómenos climáticos cada vez mais imprevisíveis, a preparação para o futuro deixou de ser uma opção, e tornou-se numa responsabilidade. 

Para garantir a segurança da estrutura e dos seus residentes, o lar deve manter o edifício em bom estado de conservação, ter abastecimentos de energia e água alternativos, planos de emergência atualizados e apostar em canais de comunicação eficazes para contactar as famílias. A transparência nestes casos é tão importante quanto a ação.


É também recomendado que as instituições possuam seguros multi-riscos empresarial/edifícios.


Estes seguros incluem coberturas específicas como tempestades, inundações, fenómenos sísmicos e outras causas naturais. Pode ainda ser relevante incluir responsabilidade civil exploração e perdas de exploração garantindo que o seguro cobre não só a reparação física, mas também os custos da inatividade temporária da instituição.

No entanto, para preparar o futuro, não basta assegurar o reforço das infraestruturas. É preciso promover a resiliência emocional das equipas, criar um ambiente de apoio, assegurar o bem-estar dos residentes, cultivando uma cultura de prevenção contínua com empatia, cooperação e compromisso.

Um lar de idosos bem preparado para situações climáticas severas pode dar mais tranquilidade e confiança às famílias, assegurando que o idoso se encontre em segurança em momentos complexos. 



Procura soluções de apoio para o seu idoso ou instituições?

A Lares Online pode ajudar! Ligue 939 667 800 ou preencha o formulário.