Demência, o "Elefante na Sala" em lares de idosos

Por Susana Pedro , 28 de Junho de 2018 Lares e Residências


A natureza humana deseja sempre encontrar a melhor opção para aqueles que nos são mais queridos; amigos e mesmo família serão sempre por nós protegidos. Numa situação de um idoso que necessite de transitar para um lar, a família tenta tipicamente encontrar a melhor solução, com os melhores cuidados, os melhores funcionários e as melhores instalações.

No entanto, o crescente número de pessoas com demência coloca novos desafios às instituições de terceira idade e aos cuidadores. Constatou-se num Estudo da União das Misericórdias Portuguesas que apenas 3% dos idosos nos lares não tem alterações cognitivas, e que 8% tem alterações cognitivas mas sem apresentar demência.



A demência é uma doença degenerativa progressiva que se caracteriza pelo desenvolvimento de défices cognitivos múltiplos. É considerada um dos maiores problemas de saúde da população idosa, cuja prevalência e incidência estão associadas ao envelhecimento, uma vez que aumentam com a idade.



A maioria das famílias, quando visita um lar, gostaria de encontrar um lar com pessoas idosas mas saudáveis, mesmo que os seus familiares não tenham essa saúde. Quando se fala de demência, as famílias ficam muito incomodadas por deixar os seus familiares idosos junto de terceiros com esta patologia, porque são tidos como instáveis e até perigosos.

Mesmo que o idoso em questão tenha demência, a sua família preferiria que este ficasse rodeado de pessoas saudáveis, que possam estimular as funções cognitivas do idoso e fazer com que este se sinta integrado num grupo.



​A demência no contexto institucional

Cuidar de uma pessoa com demência é mais exigente psicologicamente do que cuidar de uma pessoa com limitações de outra ordem, devido sobretudo às dificuldades de comunicação e à interacção difícil. Os idosos com limitações físicas compreendem o que o cuidador diz, e podem colaborar (ou não, consoante a sua vontade) nos cuidados de saúde e higiene.

Uma pessoa idosa com demência é muito mais complexa que isto, visto que muitas vezes não compreende o que se está a passar, e pode tornar-se algo agressiva caso o cuidador não o trate de forma adequada a esta patologia.



​Os objetivos gerais da intervenção com pessoas idosas com demência são:

  • Manter a autonomia funcional;
  • Aumentar a qualidade de vida;
  • Dar conforto e dignidade;
  • Adequar expectativas – dos técnicos e da família;
  • Definir objectivos;
  • Planos de intervenção individualizados – que tenham em conta os aspetos da personalidade, a história pessoal e profissional, interesses, motivações;
  • Não frustrar a pessoa idosa/não a infantilizar;
  • Adequar a intervenção ao contexto onde é realizada.


​Outra questão importante na institucionalização do idoso com demência é o envolvimento da família nos cuidados. A interacção com os familiares dos idosos é muito importante, visto que, frequentemente, há pouco envolvimento das famílias na dinâmica institucional e existem expectativas díspares. Muitas famílias pensam que, ao colocarem o idoso num lar, ficam ‘livres’ da responsabilidade que ele comporta, e deixam essa responsabilidade para os cuidadores, descartando-se do acompanhamento frequente.



​O que um lar precisa de ter

Para bem cuidar de uma pessoa demente, é necessário um lar que, para além do mínimo que se pode exigir a nível de cuidados de saúde, higiene e instalações, tenha experiência com pessoas com demência.

Muitos lares dizem que têm esta experiência e conhecimentos no campo da demência, mas na verdade tratam as pessoas com demência da mesma forma que tratariam de uma pessoa que precise de cuidados nas AVD’s (actividades da vida diária), o que não é de todo a mesma coisa.

Há muitos lares que aceitam pessoas com demências, mas depois não têm pessoal adequado (com formação e experiência em cuidar de pessoas com demências) para lidar com este tipo de doenças e, em alguns lares, nem o espaço físico é o mais apropriado, nem o pessoal sabe como lidar com algumas situações delicadas.



​Importância da Animação Sociocultural como prevenção da demência

Muitas vezes, a melhor estratégia que o lar pode ter é a Animação Sociocultural. Esta, sendo frequente e intensiva, estimula o idoso (com ou sem demência) e contribui para a manutenção das suas capacidades cognitivas. Para além disto, sendo feitas actividades em grupo, é estabelecida uma consciência de grupo e a solidariedade entre as várias pessoas cresce.



Sinais de bem-estar nas pessoas idosas com demência:

relaxamento corporal; assertividade; sensibilidade para necessidades do outro; humor; auto expressão criativa; mostrar prazer; mostrar afeição e expressar diversas emoções.



Sinais de mal-estar nas pessoas idosas com demência:

ansiedade; medo; aborrecimento; desconforto físico; tensão muscular; agitação; apatia; alienação cultural; retirada e raiva intensa.



​Separação ou Inclusão?


Esta opção da estimulação cognitiva é válida em quase todas as situações, ainda que seja de particular relevância identificar caso exista um elemento perturbador e retirá-lo do grupo, pois as pessoas com demências são facilmente influenciáveis por emoções negativas, e o bem-estar da maioria deve sempre ser preservado.

Apesar de o recomendado em geral ser uma integração da pessoa demente num grupo com outros idosos, existem casos especiais e de sucesso na separação destes, como é o exemplo da Unidade para as Demências da Casa de São Pedro de Alverca, inspirada na Unidade de Cuidados Continuados Bento XVI.

Nestes casos em que a separação é a decisão final, apenas importa se o objectivo é a estimulação personalizada e adaptada a 100% à sua doença. A ser formado um grupo de pessoas idosas com demência, este deve ter um plano de actividades que foque necessariamente os aspectos mais presentes da demência e favoreça as capacidades cognitivas e a memória destes idosos.



​Separar apenas por separar não é opção

Caso este plano de actividades não exista, ou não tenha condições para existir, o recomendado é a realização de pequenas actividades com a totalidade das pessoas do lar, não havendo separação, para criar um sistema de inclusão.

Num lar, diversos idosos com vivências e formas de ver a vida diferentes acabam por ter de coabitar, pelo que o melhor caminho passa pelo incentivo à criação de laços entre estes, independentemente das patologias que apresentem.



...e o idoso não deve ser o elefante na sala

Com ou sem demência, o desejo primordial das famílias e dos amigos é que os idosos institucionalizados tenham a melhor qualidade de vida possível, com condições que lhes permitam um envelhecimento sustentado e saudável. Por muito que seja importante o colectivo, cada idoso deve ser estimulado e acompanhado de forma individual, de forma a nunca se tornar o elefante na sala do lar.

Quanto mais estimulados forem e quanto mais contacto com outras pessoas tiverem, estando apenas com pessoas que apresentem patologias semelhantes ou estando com pessoas idosas com quadros de saúde diferenciados, mais equilibrada vai ser a estadia destes idosos no lar.


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