4 Receios que afinal são benefícios na ida para um lar

Por Joana Marques, atualizado a 21 de Junho de 2026 Idosos

 ​Os idosos têm vários medos, mas uma das coisas que mais os atemoriza é a ida para um lar, que representa uma grande mudança de vida. Quando confrontado com esta decisão, o seu familiar idoso pode sentir-se preocupado e ansioso. Os familiares estão numa posição ideal para explicar que esses receios são naturais, mas que a ida para um lar de idosos pode ser um passo muito positivo na manutenção da saúde e qualidade de vida.


Leia o nosso artigo e descubra quais são os 4 receios infundados mais comuns entre os idosos. Uma vez desmistificados estaremos a contribuir para o envelhecimento ativo e saudável.



Os 4 receios infundados mais comuns entre os idosos na ida para um lar


Neste momento, os lares de idosos são testados frequentemente, pelo que acabam por ser mais controlados que as casas individuais. O período de quarentena à entrada de novos utentes e as restrições de visitas acabam por mostrar as normas rígidas a que estas instituições estão sujeitas.



1 - Vou perder a minha independência e liberdade

A mudança para um lar não implica que o idoso abdique da sua liberdade, que não é dissociável do processo de envelhecimento e não é independente da manutenção das suas capacidades físicas e mentais. 

Em algumas situações a institucionalização atribui alguma independência ao idoso, que passa a ter à sua disposição um leque diversificado de ajudas que garantem o seu bem-estar físico e psicológico, o que se traduz em mais tempo livre para fazer o que realmente quer e goste. Reforce que a institucionalização tem como objetivo preservar ao máximo a autonomia do idoso, algo que é conseguido se os seus desejos e necessidades forem tidas em conta, desde que estejam reunidas condições segurança.



2 - Vou perder a minha privacidade e individualidade

Regra geral, se pudesse optar, o idoso preferia ficar em casa do que ir para um lar. No entanto, um lar pode ser um sítio onde o idoso se sente confortável, seguro e no qual pode construir novas vivências e memórias. Existem lares e residências que disponibilizam apartamentos e quartos individuais.

Mesmo que divida um quarto com outro utente, o idoso pode sempre personalizar o seu espaço com fotografias de família, livros preferidos e outros pequenos objetos de decoração trazidos de casa ou oferecidos por familiares e amigos. É possível que o idoso receie deixar de ser a pessoa que era antes da entrada para o lar e de que a institucionalização implique abandono, separação, solidão e sofrimento.

No entanto, lembre o seu familiar idoso de que está à distância de um telefonema ou de uma visita e que esta poderá ser uma boa oportunidade para fazer novas amizades e construir novas memórias, que o vão enriquecer emocional e socialmente, sem que seja obrigado a abdicar dos seus valores, crenças e desejos.



3 - Vou passar a viver no meio de estranhos

O medo de passar a viver entre desconhecidos deve ser combatido desde início, pois a entrada para um lar vai implicar a convivência em grupo. Uma forma de combater este medo é explicar ao seu familiar idoso que alguns desses estranhos se podem transformar em amigos e companheiros de jornada.

Incentive o seu familiar idoso a pensar na ida para o lar como uma oportunidade de socializar com outras pessoas da mesma faixa etária, com as quais terá muitas coisas em comum. Além disso, é uma excelente maneira de aumentar a auto-estima e combater a ansiedade e os pensamentos negativos.

Este é também o medo de não se adaptar a um lugar estranho, onde tudo é diferente e novo. Por isso, na fase de adaptação, é conveniente que a família esteja presente e disponível. Ao ir para um lar, o idoso vai ser afastado das suas rotinas e atividades diárias, pelo que de início poderá precisar de mais carinho e atenção dos seus familiares, para que não se sinta completamente desamparado.



4 - Vou ficar aborrecido e envelhecer mais depressa 

    Este é um dos maiores medos (e mitos) dos idosos e que resume bem todos os outros medos já mencionados. Mesmo que o idoso já se sinta sozinho e isolado em sua própria casa, há sempre a tentação de pensar que a institucionalização é um “mal maior”, porque associa essa transição ao início do fim da sua vida.

    Por si só, a solidão e o isolamento têm um grande impacto na saúde física e psicológica dos idosos. Estes sentimentos ocorrem independentemente de o idoso estar em sua casa ou num lar, pelo que uma forma de combater este medo de envelhecer mais depressa é evidenciar as atividades que a instituição oferece e as diversas formas como o idoso se pode entreter em contexto de lar.

    Os medos devem ser substituídos pela perspectiva de que a mudança para um lar se traduz numa vida mais preenchida, estimulada, acompanhada e livre de preocupações. Não deixe que o seu familiar idoso fique preso à ideia ultrapassada de que os lares são sítios de dependência, falta de autonomia e esquecimento. Este é o principal mito e entrave ao desenvolvimo destas instituições.

    É certo que o idoso terá que fazer cedências e submeter-se a regras e horários que não existem na sua casa. No entanto, atualmente, as equipas dos lares e residências estão cada vez mais alerta para a importância do envelhecimento ativo, que é também uma política de saúde pública, pelo que o idoso não tem nada a recear!


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