Lares de idosos e as alterações climáticas

Por Daniel Carvalho , 01 de Outubro de 2019 Lares e Residências


​Quando falamos de alterações climáticas, o tema diz respeito a todos, dos mais novos aos mais velhos. Não há idade para abraçar esta causa e é possível contribuir, seja no início ou no fim de vida. Somos todos habitantes do nosso planeta, todos contamos.

Seja pela queima dos combustíveis fósseis, pelo exagero no consumo, ou pelo excesso de lixo, todos temos consciência de que a atividade humana é a única responsável pelas alterações climáticas severas dos últimos 50 anos.


As consequências dispensam apresentações. Vivemos na era das frequentes vagas de calor, incêndios florestais e secas. As estações do ano têm tendência para se tornarem irregulares e imprevisíveis. Os nossos vizinhos do norte da Europa têm sido alvo, cada vez mais, de fenómenos naturais como tornados, tsunamis e cheias. Nas zonas urbanas europeias, onde o fluxo de população é enorme, não existem muitas infraestruturas adaptadas e capazes de amenizar os efeitos do clima e, por este motivo, temos sentido, sem qualquer filtro, todas as consequências descritas.


Em Portugal, prevê-se que, num espaço temporal de 50 anos, o estilo de vida no nosso país altere por completo, bem como os nossos traços culturais. O causador? O clima.



No caso dos idosos 


Incluir os idosos neste tema não é fácil e é necessário alguma agilidade para o fazer com sucesso. Os idosos de hoje são fruto de uma geração onde a informação não existia com tanta abundância e fácil acesso. 


O hábito é o maior inimigo da mudança

Muitos idosos já reconhecem a importância de adotar medidas que beneficiem o ambiente, ou mesmo que não tenham grande informação sobre o assunto demonstram abertura para saber mais. No entanto, passar à fase da mudança de comportamento é bastante complicado.

 
O ser humano é um ser de hábitos, e,  quanto mais idade temos, mais o hábito se terá enraizado no nosso ser. O nosso corpo, ao estar em contato constante com alguns pensamentos e comportamentos, habitua-se a esse estado de ser. A par disto, são libertadas substâncias para o nosso organismo que estão associadas a esses pensamentos e comportamentos habituais. 

Quando decidimos que queremos mudar algum padrão de comportamento ou pensamento e começamos a fazer diferente, o corpo deixa de receber essas substâncias às quais estava habituado e sentirá a sua falta, como se de uma adição se tratasse.



A maioria dos lares também não está preparada para a mudança


​Os lares são um negócio complexo e tomar medidas práticas que beneficiem o ambiente seria uma mudança significativa no dia-a-dia dos seus profissionais.


Os lares continuam a consumir uma quantidade gigantesca de água, energia e resíduos. Uma auditoria realizada recentemente em três lares de idosos situados no Porto revelou um enorme potencial de poupança energética e gás natural.

Entre as medidas destacam-se a substituição da iluminação existente por uma de maior eficiência e de menor potência; a instalação de painéis solares para reduzir o consumo destinado às águas quentes sanitárias e a instalação de equipamentos para monitorização de consumos. Através da recolha e tratamento de dados com um analisador de energia verificou-se que a monitorização de consumos permite baixar significativamente os custos da fatura energética.


Contudo, as condições atuais não poderão ser a desculpa para a falta de implementação de medidas. Existem já muitos lares a quererem ser um exemplo a seguir nesta temática. Neste artigo, trouxemos três exemplos inspiradores.



Desperdício Zero em assistência ao idoso na Austrália


Um aumento significativo no desperdício de resíduos para os aterros sanitários entre 2010 e 2014 fez soar o alarme no governo do sul da Austrália. Após entrada do assunto no parlamento, ficou decidido que iria ser feita uma parceria entre o governo, os serviços nacionais de assistência ao idoso a empresa de gestão de resíduos ‘Zero Waste SA”.



As medidas

O primeiro objetivo da campanha foi despertar o estímulo da reciclagem nos idosos. A única maneira de eles passarem a ser uma das soluções do problema era informá-los acerca do tema. Se os idosos conseguissem perceber a importância de reciclar numa perspetiva teórica, então tudo seria facilitado na hora da implementação de medidas.


Entre as medidas, conta-se a substituição dos antigos caixotes convencionais por recipientes devidamente etiquetados e com a respetiva cor. Juntamente ao local de reciclagem (escolhido estrategicamente), estava exposto um painel com a explicação de cada cor e o impacto positivo que iria ser causado no ambiente.


A par desta está o report mensal da quantidade de resíduos poupados por cada lar e quantidade de recursos financeiros poupados com a implementação das medidas. Desta forma, passou a ser possível medir o impacto causado e ainda a possibilidade de correção de alguns desvios de modo a melhorar a performance do equipamento nos meses seguintes.



Os resultados

Os resultados foram excelentes. O período de avaliação levado a cabo pelos responsáveis do programa demonstraram que a percentagem de resíduos reciclados aumentou em 40%, e a poupança financeira visou valores entre os 23% e os 28%.

​Apenas uma parte da totalidade dos lares de idosos existentes na Austrália decidiu entrar no programa e, ainda assim, estes tiveram um papel preponderante no crescente número de equipamentos que passaram a adotar medidas de reciclagem intensivas.

Cozinha eco-friendly de um lar de idosos na Austrália



Uma instituição eco-friendly em Portugal


A casa do Povo de Abrunheira é detentora de várias Estruturas Residenciais para Idosos e, recentemente, tem vindo a destacar-se positivamente pela implementação de medidas que visem a redução de consumo.


Este ano, assinalaram a participação na Feira do Ano em Montemor-o-Velho com um espaço eco-friendly. Para tal, a casa do Povo tomou uma medida simples: convidou toda a gente, menos o plástico! A instituição quis levar o exemplo que já pratica com os seus idosos para servir como exemplo para todas as outras instituições locais.


A ideia foi rejeitar todo o material de plástico de uso único, demonstrando que é possível erradicar o plástico em eventos de tanta expressão a nível local. Como? Usando louça reutilizável, incluindo pratos e talheres, oferecendo um copo único amigo do ambiente, personalizado e bastante apelativo. Depois de lavado, passa a ser uma recordação do evento.



Um pequeno gesto, um impacto enorme

 Em termos práticos, foram erradicados do evento cerca de 2000 pratos, 2000 talheres, 2500 garrafas de água, 3500 taças de sobremesas e  4000 copos. 

​Esta presença amiga do ambiente vem dar sequência à adoção de comportamentos semelhantes já implementados nas suas estruturas residenciais para idosos, reduzindo assim a pegada ecológica.

Material reutilizável da Casa do Povo da Abrunheira


 

Aproveitar, Recarregar, Reutilizar

 A atuação da Casa do Povo da Abrunheira assenta num conjunto de medidas concertadas as todos os setores das suas estruturas para idosos. Na cozinha, eliminaram o uso de embalagens de plástico, passaram a transformar fruta menos apelativa visualmente em compota e introduziram alimentos de origem vegetal em substituição dos de origem animal. No escritório, substituíram muito do material por consumíveis semelhantes recarregáveis, como por exemplo as pilhas.

As restantes ações tencionam sempre apelar à reutilização. Optam por produtos duráveis e evitam os descartáveis, eliminam o uso de sacos de plástico e reduzindo o uso de papel. Assumem também o uso racional de água e luz, por exemplo com recurso a lâmpadas led em substituição das convencionais.


 

É ou não possível tomar medidas em lares de idosos?


A resposta é sim e este último exemplo é o embaixador perfeito do combate às alterações climáticas. Trata-se de uma organização pequena, sem recursos financeiros ao nível das maiores empresas em Portugal, mas com uma característica muito própria: a vontade de agir.


Esta ação deve ser planeada e, acima de tudo, concertada com os interesses e vontade de todos os intervenientes, sejam eles proprietários, residentes ou colaboradores. Caso contrário, a longo prazo, tudo isto não passará de uma tentativa.


Este deve ser o mote a seguir: agir como um todo. Independentemente das caraterísticas da organização, dos recursos e do tempo de existência, todos conseguimos reduzir o consumo, por mínimo que seja. Acredite, a junção de todos os mínimos irá ter um impacto enorme no nosso ecossistema.



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