Envolver residentes idosos em atividades no lar

Por Sónia Domingues , 21 de Junho de 2021 Profissionais


​O que fazer quando alguns idosos não querem participar nas atividades de um lar? Como podemos motivar o idoso para que tenha um envelhecimento ativo e rico em atividades culturais, lúdicas e desportivas? Neste artigo, vamos destrinçar o que poderá ser feito para envolver os idosos nas diversas atividades que são desenvolvidas nos lares.


Deverá ser a função do profissional descobrir o que motiva o idoso, para, então, criar uma atividade em que o possa envolver.




Em primeiro lugar, o profissional que trabalha com idosos deve estar consciente que o idoso não deverá ser forçado a cumprir as atividades, como se de uma obrigação se tratasse. Deverá, no entanto, ser envolvido em alguma atividade que o estimule e da qual retire prazer. Cabe ao profissional tentar compreender o que está por trás desta recusa e tentar apresentar opções diferentes para que o idoso possa encontrar uma atividade compatível.

Idosos podem ter razões para não participar


Os idosos também poderão estar desmotivado por outras razões. Tem de se perceber previamente a situação de cada um, para poder adequar as atividades e envolvê-los da melhor forma na vida comum do lar.

Há que estudar todos os fatores que possam estar a interferir no processo. Poderá ser a medicação que está desajustada e o idoso sentir-se letárgico. Nesse caso, deverá ser feita uma avaliação médica para inverter essa situação. No sentido oposto, os idosos poderão estar a sofrer algum processo depressivo que ainda não foi diagnosticado e que urge descobrir.


Se for um residente recente, o idoso pode estar em processo de ajustamento ao lar. Poderá sentir saudades da família e isola-se no seu quarto.



O exercício físico como atividade poderá ser também motivador da recusa do idoso, por ter receio de se magoar. Mas é essencial para que o idoso tenha uma maior mobilidade e destreza. O profissional do lar de idosos pode adequar o exercício à condição física do idoso, e propor diferentes modalidades. Desde apenas fazer alongamentos, a técnicas mais relaxadoras, como o Pilates e yoga, ou atividades mais animadas, como jogos de grupo, caminhadas, aulas de aeróbica e até zumba, conquanto se adequem os exercícios à condição física do idoso.



Atividades desiguais para idosos diferentes


As atividades desenvolvidas nos lares de idosos habitualmente têm uma preocupação na estimulação física e cognitiva do idoso e também pretendem incentivar a socialização e integração do idoso no lar, e, em regra, os idosos gostam de participar nas diversas atividades, mas há alguns mais «teimosos» que se recusam em participar.


«Dividir para envolver»: esta deverá ser a máxima do animador, visto que não deve trabalhar com todos os idosos de igual forma.



Se excluirmos os fatores que aqui foram expostos, então há que procurar uma atividade em que o idoso se queira envolver de bom grado. Há que ter em conta os gostos e interesses de cada idoso, as suas capacidades físicas e cognitivas e também deverá ser tido em conta as relações pessoais entre os diferentes idosos. O idoso que se recusa a participar poderá começar por fazer apenas alongamentos e pequenos exercícios no quarto, e, progressivamente, dar pequenos passos até ao exterior e participando de algumas atividades de grupo.



Criar uma relação com os idosos


Para envolver os idosos, o responsável pelas atividades lúdicas, culturais e desportivas, pode criar grupos em que os idosos se adequem em termos de gostos pessoais e graus de dependência. Terá de haver uma simbiose entre técnico e idoso, para que a atividade proposta faça sentir o idoso valorizado e ativo. O idoso residente no lar é um cliente muito especial e deverá ser tratado como tal pelo animador.


O animador deve ser capaz de criar uma boa relação com o idoso, que seja motivadora e empática.



O técnico deverá abandonar qualquer estereótipo que tenha em relação ao envelhecimento e procurar atividades diversificadas que sejam enriquecedoras. As atividades propostas podem proporcionar momentos de aprendizagem e novas experiências que sejam criativas, motivadoras de momentos de alegria e descontração.

Um exemplo de sucesso é o Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, em Ílhavo, que é conhecido e reconhecido por ter uma abordagem à terceira idade criativa, muito alegre e espontânea.


Atividades familiares favorecem adesão


Os técnicos de animação devem recorrer ao gosto particular do idoso. Se se trata de uma pessoa que gosta de cozinhar, pode participar na confeção de um bolo, por exemplo. Se gosta mais de plantas, pode estar envolvido nos cuidados de manutenção do jardim. Se o idoso gostar de literatura, poderá ler um livro para os outros residentes do lar.


Por vezes, o desconhecimento pode ser motivador de receio por parte do idoso, comece por atividades familiares.



O animador pode procurar alguma atividade que o idoso já fazia anteriormente à sua estadia no lar, tais como jogar às cartas e ao dominó, onde o idoso poderá estar mais à vontade, uma vez que já conhece estas modalidades. Sopa de letras e palavras cruzadas para estimular a mente, também poderão ser tidas em conta, tendo em conta as capacidades mentais do idoso.

Estes são apenas alguns exemplos em que um gosto particular do idoso, pode ser transformado numa atividade que o retire do quarto.


As famílias também deverão ser envolvidas nas atividades dos lares de idosos com a frequência possível.



Os familiares poderão ser envolvidos em diversas atividades, como peças de teatro, leitura de livros para os idosos, ou então, não podendo ser presencialmente, poderá ser estimulada a partilha de correspondência e a recuperação de memórias através de recordação de histórias passadas.


Atividades temáticas para todos os gostos


O animador precisa de ter imaginação, paciência e flexibilidade para conseguir chegar a bom porto, mesmo com os idosos mais teimosos. Festas populares, a chegada do verão, Dia de Camões e as vindimas são apenas alguns dos imensos temas que o animador do lar tem disponíveis no calendário anual para preparar uma atividade diferente e que pode ser motivadora para os idosos mais renitentes. 



Dependendo do grau de dependência, o idoso poderá participar num bailarico de Santo António, ou pode estar envolvido na própria preparação da festa.



No início do verão, o animador pode planear uma saída de praia, e se não for possível, pode trazer a praia até ao lar de idosos. Com paciência e imaginação, tudo é possível.

As vindimas poderão ser uma «desculpa» para fazer um piquenique temático, com os petiscos de antigamente. Estes poderão ser sugeridos ou até feitos pelos próprios idosos, que podem assim recordar os sabores do seu passado.



Novas tecnologias são uma boa ferramenta


As novas tecnologias podem e devem ser utilizadas como ferramentas para motivar os idosos mais teimosos no lar e cujo motivo poderá ser a de considerarem que as atividades propostas são pouco desafiadoras ou que trabalharam com computadores na sua anterior vida profissional e que gostariam de voltar a aceder aos mesmos como motivo recreativo.


Existem vários jogos online específicos para uma população mais idosa e que estão disponíveis gratuitamente.


Jogos de memória, bingo e xadrez online, quiz de cultura geral e a «forca» são alguns exemplos que estão disponíveis nas diversas plataformas.



​O envelhecimento faz-se a nível biológico, psicológico e social e as atividades recreativas que se praticam no lar de idosos deverão compreender o grau de envelhecimento e tentar contrariar ou, pelo menos, retardar este processo.

É com este pensamento em mente que o profissional da animação deve planear as suas atividades, tentando integrar o idoso no lar, desafiando-o a fazer novas descobertas e mantendo-o o mais ativo fisicamente quanto possível. E, se o animador tiver calma, empatia e muita paciência, poderá convencer o idoso mais teimoso em participar nas atividades que se realizam no lar.

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