Verão nos lares de idosos: como proteger os residentes do calor
Por Maria Martins, atualizado a 06 de Julho de 2026 Notícias
Para muitos idosos, o verão é sinónimo de dias mais animados. Os dias ficam mais longos e o bom tempo convida a passeios, atividades ao ar livre e momentos de convívio que contribuem para o bem-estar físico e emocional de cada residente.
No entanto, esta é também uma altura do ano que exige atenção redobrada. As temperaturas elevadas podem afetar a pessoa idosa de forma mais intensa, tornando essencial reforçar alguns cuidados no dia a dia.
Da hidratação à proteção solar, passando pela alimentação e pela organização dos espaços, há pequenas medidas que fazem toda a diferença durante os meses mais quentes. Conheça alguns dos aspetos que os lares de idosos devem ter em conta durante o verão.
Ondas de calor e os riscos para os idosos em lar
Durante o verão, são frequentes as ondas de calor, caracterizadas por temperaturas anormalmente elevadas durante vários dias consecutivos.
Nos últimos anos, estes episódios têm-se tornado mais frequentes e intensos na Europa devido às alterações climáticas. Portugal, com muitas horas de sol anuais, está particularmente exposto, aumentando o risco para a população.
Os idosos fazem parte dos grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo. Com o avançar da idade, o organismo perde parte da sua capacidade natural de regular a temperatura corporal e a sensação de sede tende a diminuir, aumentando significativamente o risco de desidratação e de outras complicações de saúde. Quando existem doenças crónicas, limitações de mobilidade ou toma regular de medicação, este risco torna-se ainda mais elevado.
Entre as principais consequências da exposição prolongada a temperaturas elevadas destacam-se:
Desidratação;
Insolação e golpe de calor;
Agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias;
Alterações da tensão arterial;
Maior risco de quedas, tonturas e episódios de confusão.
A prevenção assume um papel fundamental nestes momentos, quer os idosos vivam em casa, quer estejam integrados num lar de idosos. Em lar, as equipas devem estar preparadas para adotar medidas que minimizem os riscos associados, promovam o conforto e a segurança dos idosos, protegendo a sua saúde e bem-estar.
7 medidas preventivas a implementar em lar de idosos durante o verão
Relembrar o consumo de água dos residentes
A desidratação é um dos principais fatores de risco do verão. Nos idosos, principalmente, uma vez que com o avançar da idade, é comum que a sensação de sede diminua.
Algumas das consequências da desidratação são febres baixas, tensão arterial baixa, taquicardia, confusão, aumento do risco de quedas ou mesmo delírio. Em casos extremos, pode evoluir para infecções urinárias ou até insuficiência renal.
Mais de um terço dos idosos portugueses apresenta sinais de desidratação, um problema que pode ter consequências graves quando não é tratado a tempo.
No caso dos idosos com demência, doença de Alzheimer e os que estejam acamados, são os que precisam de uma atenção redobrada, mas mesmo os idosos autónomos devem ser incentivados a beber água.
Adaptar a alimentação nos dias mais quentes
Optar por refeições mais leves e refrescantes, com alimentos ricos em água, como frutas, legumes e saladas, traz um conjunto de benefícios, especialmente durante o verão.Privilegiar uma dieta à base de vegetais durante o verão, com alimentos ricos em água, atua na prevenção de desidratação, e traz ainda outros benefícios:
Facilita o processo de digestão
Previne o cansaço e a sonolência
Reduz a probabilidade de azia
Alimentos como a melancia, tomate, pepino, melão são excelentes opções para oferecer aos idosos várias vezes ao dia, assim como gelatina, fruta e saladas. Moderar a utilização de sal é essencial, uma vez que o excesso de sódio pode favorecer a desidratação.
Tal como a adaptação, a conservação dos alimentos merece igualmente uma atenção redobrada. Os produtos frescos deterioram-se mais rapidamente, pelo que devem ser armazenados corretamente e respeitar rigorosamente as normas de segurança alimentar.
Preservar o ar fresco e arejar o espaço nas horas de menor calor
Depois de dias com temperaturas tipicamente acima dos 28º, é natural que as casas e os espaços fiquem mais quentes e parece que não arrefecem. Procurar as sombras, com as janelas e os estores fechados nas divisões de maior exposição solar, podem ajudar a preservar o ar fresco que pode entrar durante a noite.
O conforto térmico é essencial para os idosos, pelo que as ventoinhas podem ser a opção mais agradável para o bem estar de todos.
O final do dia é o melhor momento para os idosos saírem um pouco à rua e abrir as janelas da casa, com as devidas precauções mas para permitir que entre ar fresco nos espaços.
Cuidados na toma e preservação da medicação
Alguns medicamentos podem aumentar a sensibilidade ao calor ou favorecer a desidratação. Por isso, os meses de verão podem exigir um acompanhamento mais próximo de alguns residentes.
Diuréticos, medicamentos para a tensão arterial e outros tratamentos podem exigir uma vigilância mais próxima durante os meses de verão. Da mesma forma que se deve considerar os efeitos da medicação, a preservação da mesma requer igualmente cuidado, uma vez que podemos correr o risco de que a medicação perca as suas propriedades, ou que haja uma alteração dos seus efeitos.
Sempre que existam dúvidas, é importante articular com o médico responsável para identificar os idosos que necessitam de cuidados adicionais.
Ajustar os horários e o tipo de atividades
O verão convida a passar mais tempo no exterior, mas é importante escolher bem a altura do dia. Sempre que possível, os passeios e as atividades ao ar livre devem acontecer durante a manhã ou ao final da tarde, quando as temperaturas são mais amenas.Nas horas de maior calor, vale a pena privilegiar atividades dentro das instalações, em espaços frescos e bem ventilados. Em casos extremos, devem ser evitadas atividades que possam trazer esforço físico excessivo.
Reforçar a vigilância dos residentes
Se por um lado, as temperaturas elevadas nos deixam mais abatidos, para os idosos estas alterações podem ser mais drásticas.
O calor extremo, conjugado com a desidratação nos idosos, pode aumentar episódios de confusão ou desorientação, sobretudo em idosos com demência ou outras alterações cognitivas. Sentarmo-nos com os idosos, ter uma conversa, ver ao longe o seu comportamento, pode ser o suficiente para entender se há alguma alteração emocional nos idosos.
Optar por roupa mais leve e fresca
Nos dias de maior calor, optar por roupa mais fresca como calções, vestidos, camisas, t-shirts, podem fazer a diferença no conforto dos idosos.Os idosos mais dependentes, principalmente os idosos que sofrem com demência, devem ser acompanhados no momento de se vestirem para garantirmos que a roupa que escolheram é ajustada à temperatura.
Nos momentos de atividades, se forem realizados no espaço exterior, deve se considerar a utilização de um chapéu de sol, uns óculos de sol e ainda protetor solar nas zonas da pele que não estejam cobertas.
Cuidados e rotinas no verão: a adaptação para a terceira idade
O verão traz mais oportunidades para conviver, passear e desfrutar do exterior, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos idosos. Para que estes momentos sejam vividos em segurança, basta reforçar alguns cuidados simples, como a hidratação, a proteção solar, a alimentação adequada e a vigilância dos idosos mais vulneráveis.Mais do que reagir aos problemas, as boas práticas passam pela prevenção. Uma equipa atenta, espaços preparados e rotinas adaptadas às temperaturas mais quentes fazem toda a diferença para que os residentes possam aproveitar esta época do ano com conforto, tranquilidade e segurança.
Na Lares Online acreditamos que a partilha de informação útil contribui para um setor mais preparado e para melhores cuidados prestados às pessoas idosas. É por isso que continuamos a publicar conteúdos dedicados aos desafios do dia a dia dos lares de idosos.