Quem é o idoso, em 2021?

Por Sónia Domingues , 30 de Setembro de 2021 Longevidade


O que é que define ser idoso no ano de 2021, em pleno século XXI? Quais são as características do Homem que fazem com que ele passe da chamada idade ativa para um estado de senioridade? Será que a pandemia de Covid-19 veio alterar a nossa perspetiva em relação ao conceito de idoso?


 A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza o idoso como alguém com mais de 60 anos. Mas será a idade mais do que um número?



Harrison Ford é idoso? E a Madonna?


Se formos analisar pelo mundo do espetáculo, não faltam exemplos de pessoas que já ultrapassaram os 65 anos e não dão mostras de qualquer fragilidade associada à terceira idade.


Senão vejamos. Harrison Ford, o famoso ator por trás de Indiana Jones, gravou o primeiro filme da saga quando tinha 39 anos e representou pela última vez o arqueólogo aventureiro em 2008, quando já tinha 66 anos, ou seja, já era um «idoso», segundo a OMS.  E, pasme-se, agora, com 79 anos, está a gravar um novo filme da famosa chancela que passou para as mãos da Disney.


No mundo do espetáculo não faltam exemplos de pessoas com mais de 65 anos e que continuam a trabalhar ativamente.




E o que dizer da rainha da pop, Madonna? Com 63 anos é dona de uma figura invejável e não parece sofrer de qualquer declínio no seu estado de saúde. Como estes dois exemplos mais famosos, também muitas pessoas acima dos 60 anos, gozam de uma vitalidade e saúde que não denunciam a sua idade, nem apresentam qualquer característica que identifique um idoso.



Afinal de contas, o que define um idoso em 2021?


Ao aferir o cenário em Portugal, verifica-se que aos 65 anos a maior parte das pessoas continua a trabalhar, até porque a idade da reforma é de 66 anos e cinco meses.

Este cálculo é feito com base na esperança média de vida das pessoas com idade superior a 65 anos. De destacar que, no ano de 2022, a reforma vai voltar a subir para os 66 anos e sete meses, visto que a média de vida aumentou.

Segundo a ciência da gerontologia, que estuda o envelhecimento, para definir quando uma pessoa passa a ser idosa, terá de se ter em conta diversos pontos: a idade cronológica, a situação social e a aparência física ou o estado de saúde.



Ter atingido determinada idade e deixado de trabalhar

Na idade cronológica, pode-se estimar que a pessoa é considerada idosa quando atinge uma determinada idade. Já no que refere à situação social, poderá definir-se a partir de quando tem direito a reformas, apoios e ajudas sociais diversas, e deixa efetivamente de trabalhar.



Ter um aspecto envelhecido, excesso de peso ou pouco cuidado

Poderá ser analisado se a pessoa tem um aspecto visivelmente envelhecido. Se uma pessoa tiver uma pele mais curtida pelo sol, poderá aparentar ter mais idade. Como se apresenta, o vestuário que escolhe, se tem excesso de peso ou, se pelo contrário, é muito magra, são algumas características que poderão ditar a perspetiva das outras pessoas quanto à idade real do indivíduo.



Ter doenças debilitantes, falta de saúde e pouca vitalidade

Quando uma pessoa sofre com uma doença ou doenças debilitantes, pode ter as mesmas características que identificam um idoso, sem que tenha a idade cronológica para ser considerada como tal. O estado de saúde é primordial para avaliar se uma pessoa deve ser considerada idosa ou não. Caso apresente diversas fragilidades associadas a uma idade mais avançada, como perda de memória, tremores, pouca vitalidade, poderá ser considerada idosa.



Em Portugal temos um bom exemplo

Dando um pequeno exemplo, o atual Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, nasceu em 1948, perfazendo a 12 de dezembro de 2021 os 73 anos de idade. Mas continua a ter um papel muito ativo e, a nível de saúde, não se lhe conhecem fragilidades.



O presidente português é conhecido por, todos os dias, tomar um banho de mar, demonstrando a sua resistência física.



Já o oposto também acontece muito frequentemente. Não iremos dar nenhum exemplo para não ferir suscetibilidades, mas existem pessoas que, perante uma fragilidade de saúde e envelhecimento precoce, parecem cair no conceito de idoso antes de atingirem os 60 anos.



Ainda há preconceito com a idade


Por falar em suscetibilidades, a partir de que idade é que podemos chamar alguém de idoso, sem que seja considerado uma ofensa? Existe um preconceito associado à idade, geralmente mais vinculado às culturas ocidentais, que não é de subestimar.


Ainda em março deste ano, as Nações Unidas (UN) apresentaram um relatório que indica o impacto que o preconceito sobre a terceira idade tem sobre instituições e os sistemas jurídico, social e de saúde, estimando-se que, a cada segundo, uma pessoa sofra de preconceito «moderado a alto» por estar na terceira idade.



Na pandemia, ser idoso era ser frágil



Com o advento da pandemia, este preconceito agravou-se. A idade foi em alguns locais usada como único critério para a prioridade no acesso aos cuidados de saúde, na utilização de tratamentos vitais (quem não se lembra do exemplo de Itália, em que, perante a escassez de ventiladores, os idosos eram excluídos do tratamento, em detrimento dos doentes mais jovens), e até no isolamento social a que foram castigados, por serem a população mais frágil. 


Muitas das noções que hoje em dia se têm do idoso são baseadas em estereótipos ultrapassados. Este é um desafio que se apresenta em 2021: converter a nossa perceção do que é um idoso.



​Conforme a esperança média de vida tem vindo a aumentar, ao longo dos séculos, também a população  mais velha é cada vez mais diversificada, podendo um idoso de 80 anos gozar de um bom estado de saúde e grande agilidade mental, enquanto outros podem estar mais fragilizados e dependentes. Não há um padrão homogéneo quando vamos estudar a população acima dos 60 anos. Daí que se torne mais urgente redefinir o nosso conceito de idoso.



No envelhecimento, a envolvente conta


A diversidade que hoje em dia se encontra na população idosa não é fruto de uma casualidade. Embora o fator genético também tenha de ser levado em conta, esta está muito ligada à envolvente do idoso.

​A habitação, a família, a comunidade em que o idoso está inserido, se tem facilidade no acesso a cuidados de saúde… Tudo isto afeta, a médio e longo prazo, os comportamentos e decisões que o idoso faz e que mexem diretamente com o seu estado de saúde mental e física.



O que mudou com a pandemia?


Tal como temos vindo a analisar, o idoso de 2021 é bastante diferente do idoso de há alguns anos. Se formos classificar o idoso, apenas tendo em conta a idade cronológica, podemos verificar que a pandemia, sendo um evento catastrófico para o mundo, acabou por levar a algumas mudanças.


A pandemia de Covid-19 veio dividir o idoso em duas categorias: o idoso frágil que tem saúde mais debilitada e o idoso saudável. Várias doenças fragilizam o sistema imunitário e provocam maior vulnerabilidade em relação a vírus. Mas doenças crónicas muito comuns como hipertensão, obesidade e diabetes, prevalecentes em milhares de idosos, comportam também um risco acrescido para quem contrair o vírus. ​Verificou-se, por outro lado, que o idoso que estava em melhores condições de saúde, que tinha uma vida mais ativa e saudável, em termos gerais, não foi tão afetado pela doença. 



​Os idosos ganharam vontade de ter um estilo de vida mais ativo e de adotar uma dieta mais equilibrada, assim como, de utilizar as novas tecnologias para poder contactar familiares e amigos.




Esta constatação veio levar mais idosos a procurarem o caminho de uma vida mais saudável e ativa. Hoje em dia, existe uma maior preocupação em seguir um estilo de vida mais ativo e uma dieta mais equilibrada, uma vez que se provou o risco que algumas doenças crónicas detêm.


Por outro lado, a necessidade de aceder às novas tecnologias para poder contactar familiares e amigos, levou os idosos a explorarem as novas tecnologias, o que acaba por ser positivo, uma vez que ativam a mente ao explorar aquilo que desconheciam. Um exemplo disso mesmo deu a Rainha de Inglaterra, Elizabeth II, de 95 anos, que durante sete meses de 2020 ficou recolhida  numa das suas residências, e utilizou as novas tecnologias para, frequentemente, contactar os familiares e continuar com o seu trabalho.



Ser idoso em Portugal


Portugal é o quarto país da União Europeia com uma percentagem maior de pessoas com mais de 65 anos. Mas, se por um lado se verifica a fragilidade da condição de vida de milhares de idosos em Portugal, por outro lado, tem-se verificado uma consciencialização da população que é necessário melhorar a condição de vida das pessoas mais velhas. 

Os lares e residências para idosos promovem cada vez mais uma senioridade vivida com maior atividade física e mental. Promovem programas que permitem ao idoso valorizar a autonomia, enquanto proporcionam uma vida social ativa, na companhia dos seus pares, família e amigos. Por seu lado, as autarquias promovem programas de atividade física e cultural, com descontos no ingresso às diversas estruturas, sejam elas piscinas municipais, ou museus. Por todo o país, pululam centros de dia que oferecem diversas ocupações que vão de jogos, a festas, atividades desportivas e culturais diversas.


A pouco e pouco, em Portugal vai-se olhando para o idoso como uma pessoa completa, integrante e funcional da sociedade.



A pouco e pouco, o idoso começa a ser percecionado como uma pessoa completa, numa complexidade construída ao longo dos anos, e que pode e deve ser reconhecida como uma fonte de saber. O idoso quer ser ativo e parte integrante e funcional da sociedade, não deve ser vislumbrado como alguém que já não tem utilidade para a comunidade.


Para terminar, um exemplo da pujança da terceira idade. O presidente da maior potência mundial, os Estados Unidos da América, Joe Biden: a vinte de novembro de 2021 irá completar 79 anos. É idoso?



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