[Covid-19] Prevenir riscos para a pessoa idosa com demência

Por Susana Pedro , 07 de Julho de 2020 Demência

A pandemia de Covid-19 afetou grandemente a sociedade portuguesa. Com um número estimado de quase 200 mil casos de pessoas com demência, em Portugal esta é uma população que está mais vulnerável ao coronavírus.


As pessoas idosas com algum tipo de demência vêem afetadas as suas funções cognitivas, como a memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e reações emocionais normais. Por este motivo, estão tipicamente mais alienadas da realidade e podem não ter os cuidados adequados neste momento de crise de saúde pública.



Seja em casa, seja no lar, a demência leva a mais riscos


A demência está associada ao avançar da idade, pelo que os idosos com este défice cognitivo necessitam gradualmente de maior apoio. O facto de a demência potenciar perdas de memória e défice cognitivo leva a que este período de pandemia possa não ser completamente compreendido e lembrado na vida destes idosos.



As pessoas idosas com demência não compreendem a urgência e gravidade de uma pandemia e, por associação, não terão meios para se prevenir corretamente por si.



A minimização do risco e o facto de não adotarem medidas de prevenção regulares, como lavar as mãos ou permanecer em casa. Isto pode levar a que a contaminação seja mais fácil e o risco de contração de Covid-19 seja, portanto, muito maior.



A demência aumenta risco de Covid-19?


A demência, muito provavelmente, não aumenta o risco de infeção por Covid-19, assim como não aumenta o risco de outro tipo de gripe ou pneumonia. Ainda não foi encontrado qualquer tipo de correlação, mas é preciso ter presente que os estudos neste sentido foram muito preliminares.



Caso a pessoa idosa com demência acabe por contrair Covid-19, é mais provável que tenha sintomas mais graves se associada a outras doenças crónicas e a idade avançada.



Está provado que a idade avançada e a existência de outras doenças crónicas pioram consideravelmente o caso de infeção. Pessoas com doenças cardíacas ou outras doenças crónicas como diabetes foram relacionadas com algumas das manifestações mais violentas da Covid-19.



É preciso ter presente que muitas vezes o idoso com demência não conseguirá comunicar que não se sente bem, nem associar isso à pandemia de Covid-19.



Um dos maiores riscos na pessoa idosa com demência é mesmo a falta de comunicação. Com o défice cognitivo, pode ser muito complicado ao idoso compreender o que lhe está a acontecer e fazer-se compreender. Cabe ao cuidador e à família ter um olhar clínico e monitorizar bem os possíveis sintomas, para que a identificação de uma situação de infeção por coronavírus seja feita de forma precoce.



Cuidados a ter para prevenir infeção


Ajustar a rotina diária à nova realidade


Para a pessoa com demência, a rotina diária é uma necessidade. Mesmo em período de isolamento profilático é necessário que as horas de sono e refeições continuem bem definidas. Afinal, o ser humano é uma criatura de hábitos e isso fará com que a pessoa idosa com demência mantenha uma certa normalidade, mesmo em período de pandemia.


Um ponto muito importante a frisar é a toma de medicação. A regulação de doenças crónicas como as cardíacas ou diabetes é primordial nesta situação de saúde pública. Os hospitais são locais a evitar e, portanto, é necessário manter todos os cuidados para que não seja necessário lá ir.



Evitar que o doente venha a destabilizar


​Se não panicar e levar a situação com naturalidade é mais provável que os próprios idosos com demência levem a situação de forma leve e facilitem o cuidado. Não assista frequentemente a notícias repetidas ou sensacionalistas com o idoso. Dê preferência a atividades e entretenimento, para que não haja um problematizar maior da situação.


Promova algumas atividades simples no interior da casa ou no exterior, caso tenha jardim ou terraço. É importante que o idoso esteja ocupado e não veja um declinar acentuado das suas funções cognitivas por falta de estimulação. Tenha em atenção estas sugestões, que podem ser adaptadas ao contexto.



Relembrar os comportamentos de prevenção


As pessoas idosas com demência podem esquecer-se frequentemente da importância de lavar as mãos ou de se manter hidratadas. Por essa razão, é importante encontrar forma de levar os idosos a manter estes hábitos, mesmo que não compreendam a sua real importância.


Coloque sinais na casa de banho e cozinha com a forma correta de lavar as mãos. Pode também estimular pela imitação, levando o idoso a lavar as mãos consigo. Em casos mais difíceis, pode recorrer também a desinfetantes à base de álcool. É importante, neste último caso, que seja aplicado um creme de mãos frequentemente, pois o álcool desidrata muito a pele dos idosos.



Reforçar o acompanhamento e a supervisão


Ainda que a melhor opção seja mesmo o isolamento, o contacto com familiares e amigos não pode cessar. Sem sair de casa, crie uma rotina de contactos, seja por telefone ou mesmo videochamada. A pessoa idosa com demência assim não se sentirá tão isolada. Explique sempre que necessário e de forma simples que há uma doença contagiosa e é necessário minimizar os contactos presenciais.

Os cuidados médicos devem continuar a existir, mesmo em período de confinamento. Sempre que possível, recorra a consultas online, por vídeoconferência, ou a chamadas pelo SNS24. Caso haja alguma consulta presencial ou marcação de exames, é importante proteger bem a pessoa idosa com máscara e transporte adequado. 



Ajuda residencial para pessoas com demência

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