[Covid-19] Cuidados extra que deve ter com os seus pais idosos

Por Joana Marques , 22 de Abril de 2020 Idosos


A crise de saúde pública que a Covid-19 desencadeou em Portugal tem sido particularmente difícil para os idosos e seus familiares. Depressa associado a um grupo de risco, as preocupações aumentaram com a proliferação de casos da Covid-19 em lares de idosos, que não conseguiram impedir que alguns dos seus utentes e colaboradores fossem contaminados pelo vírus, mesmo estando em isolamento e a cumprir as recomendações da DGS.



As preocupações das famílias não se esgotam na vulnerabilidade dos idosos que estão neste momento em lares, pois nem todos estão institucionalizados.



Embora os idosos estejam a viver esta pandemia de diferentes formas, mantém-se a importância das medidas preventivas e dos cuidados extra a ter. Ultrapasse de forma mais serena este período, evitando que os mais velhos sejam contaminados ou contaminem outros membros da família. Como foi referido, nem todos os idosos se encontram institucionalizados e alguns dos que estavam em lar foram acolhidos temporariamente pela família, considerando que estão mais seguros debaixo do mesmo teto.


Alguns idosos aguardam vagas em lar ou têm de fazer o período de quarentena em casa de familiares antes de ingressarem numa instituição.



Há idosos a viver temporariamente com a família porque estão a aguardar vaga num lar, a fazer a quarentena antes da admissão, ou porque a resposta social que recebiam fechou por incapacidade de gerir a crise. Os centros de dia e alguns apoios domiciliários acabaram por ter de fechar ou reduzir os seus serviços.  Assim, há pessoas que precisam de alguns cuidados extra, estejam a morar com familiares temporariamente ou nas suas próprias casas.


Outra parte da população mais velha vive sozinha na sua própria casa, com rotinas difíceis de quebrar. 



Estes idosos são os mais afetados pelo estado de emergência decorrente da Covid-19, vendo a sua liberdade vedada. Há ainda os casos de agregados multigeracionais, em que o espaço familiar é dividido entre várias gerações. Nestas casas, normalmente convivem avós, filhos e netos, como antigamente era o mais comum.



Tenha noção dos riscos


Deve impor regras de higienização e distanciamento mais restritivas se durante este período de pandemia se se verificarem as seguintes situações:

1- Se algum membro do agregado familiar tem sintomas.


a) O ideal é transferir o idoso aparentemente saudável para outro local, recorrendo a outros familiares, vizinhos ou amigos que vivam nas redondezas, estejam saudáveis e tenham capacidade para o receber temporariamente;


b) Se não for possível tirar o idoso de sua casa, a pessoa doente deve estar em isolamento o mais longe possível do membro mais vulnerável. Peça ajuda a vizinhos ou amigos próximos para que ajudem na compra de alimentos e medicamentos, pois ninguém deverá sair de casa durante o período de isolamento.



2 - Se o idoso esteve em contacto possível (em lar ou unidade de saúde) com a Covid-19.


O lar onde o seu pai ou mãe estava institucionalizado fechou por não ter capacidade de lidar com um surto da Covid-19? Ou retirou-o do lar porque não confia que esteja lá mais bem protegido do que em sua casa? Como não foi testado, não tem a certeza se ele pode estar infetado.


Em qualquer uma destas circunstâncias, o idoso deve ser isolado num quarto e mantido afastado do resto da família durante um período mínimo de 14 dias, findo o qual, se não apresentar sintomas de infeção, pode começar a interagir com todos os que vivem debaixo do mesmo teto. Deve ser sempre a mesma pessoa a estar em contacto com o idoso infetado ou em quarentena, a casa de banho deve ser higienizada após a utilização, bem como todas as superfícies. 


Consulte o nosso artigo que explica passo a passo as precauções a ter num período de quarentena. Lembre-se de que as pessoas em isolamento não podem partilhar espaços comuns ou utensílios de cozinha, pratos, copos, toalhas e lençóis, que devem ser imediatamente lavados depois de uma utilização.



Crie um stock de medicamentos


Como não sabe durante quanto tempo o seu pai ou mãe vão ficar em sua casa, é boa prática ter um stock dos medicamentos prescritos aos idosos que seja suficiente para, pelo menos, três semanas. Sem exageros, tenha também um pequeno stock de medicamentos para a febre e estados gripais, de máscaras e de luvas.


Informe-se sobre formas alternativas de obter medicamentos sem sair de casa, como o novo serviço dos CTT em parceria com a Associação Nacional de Farmácias, que garante a entrega no dia seguinte de todas as encomendas feitas até às 16h.



Aproveite as entregas ao domicílio


Cada ida à rua para se abastecer de bens alimentares ou farmacológicos é uma potencial situação de risco. Se optou por um isolamento total, pode fazer as compras online. Caso viva longe, e não possa fazer as compras por ele, faça o mesmo para o seu familiar idoso caso este tenha permanecido sozinho em domicílio próprio. 



Tente que o idoso não saia de casa mais que o estritamente necessário, ajudando-o na logística do dia-a-dia.



Se não houver entregas na zona de residência ou considerar que demoram muito tempo e precisa de algo mais imediato, pode pedir a um vizinho em que tenha confiança para o fazer. Existem também diversas instituições que estão a prestar auxílio voluntário nesta altura de crise, e que pode aproveitar, assim como algumas linhas de apoio para as quais o idoso pode ligar caso necessite de algo.


Adote medidas preventivas


Se vai à rua para se abastecer, proteja-se com luvas e máscara, e quando chegar à porta de casa desinfete cada produto com álcool. Esta regra do que vem da rua não entra em casa sem ser higienizado é muito importante e deve convencer o idoso de que tem de o fazer, caso saia de casa, seja para comprar pão, o jornal ou ir ao mercado local.


No caso de estar a prestar apoio ao domicílio ao seu familiar idoso, assegure-se de que utiliza sempre o mesmo veículo e não leve ninguém consigo. Os contactos com mais que uma pessoa não são necessários e apenas maximizam as possíveis vias de contágio da Covid-19.



Incite a atividades diferentes


Os idosos regem muito da sua vida pelas pequenas tarefas que têm de fazer e que lhes proporcionam socialização. A ida ao café ou a compra diária de pão numa mercearia ou padaria local hoje estão vedadas, e isso pode causar extrema ansiedade. Tente que os idosos substituam estas tarefas em que iam à rua por outras que possam fazer na segurança de casa.

Incite o idoso a utilizar as novas tecnologias para navegar na internet ou ler notícias. Avise-o da existência de burlões, que se aproveitam dos idosos com promessas de falsas curas ou vacinas. Faça uma lista de amigos e familiares a que pode ligar e diga-lhe que quer saber das novidades mais tarde. Pode apelar a diversas atividades que o idoso goste de fazer.


Crie um plano com as atividades para o dia, em que os relembre também de fazer pequenos lanches entre refeições e de beber água.



Numa ótica mais recreativa, pode incitar aos passatempos. Utilize o tablet para lhe mostrar como aceder a jogos de sudoku ou a palavras-cruzadas. Caso o idoso não goste de tecnologia, pode imprimir em papel ou cartolina alguns destes exercícios.

O sentido de utilidade também é muito importante. Se o idoso gostar de coser ou bordar, por exemplo, pode pedir-lhe novas pegas para a cozinha, ou o conserto daquela camisola de malha que tem guardada no fundo do armário há meses. Faça-o sentir-se útil, mesmo que não possa sair de casa para fazer as suas atividades normais.


Estabeleça algumas regras


Nos agregados familiares multigeracionais em que os adultos estão a trabalhar a partir de casa, todos estão sob stress e em constante vigilância. Saber comunicar é uma grande vantagem, pois tem que explicar aos seus pais que é necessário estabelecer limites, rotinas e comportamentos flexíveis. Isto é válido quer para quem está a viver temporariamente com idosos como para os idosos que estão a viver nas suas casas.


Explique que, mesmo que esteja a trabalhar a partir de casa, é como se estivesse fora de casa, e que não pode ser interrompido com muita frequência.



No entanto, incite-os a fazê-lo caso precisem de ajuda ou não se sintam bem. Combinem o que são interrupções justificadas e as que só têm como objetivo chamar a sua atenção. Todas as comunicações que possam esperar, podem ser feitas quando terminar o seu horário de trabalho. Pode mesmo dar um pequeno horário com as horas em que começa e em que termina o seu trabalho, para o idoso poder acompanhar.


Estas sugestões não se aplicam se os seus pais tiverem demência. Neste caso é preciso estruturar o tempo da família de forma a que todos contribuam para o bom funcionamento das rotinas instaladas e procedimentos de segurança, com paciência e repetição.



É necessário explicar


Fazendo parte do grupo de risco que não deve mesmo sair de casa, os idosos têm-se mostrado mais audaciosos do que os próprios filhos e netos. Quem ainda não ouviu o típico «isso agora é que era bom, não me deixarem fazer a minha vida»? Em tempos de Covid-19, os papéis inverteram-se e são agora os filhos que tentam que os pais não saiam de casa, como se fossem novamente adolescentes. 


Para os idosos é muito mais difícil permanecer em confinamento. Sentem que estão a perder o pouco tempo que têm e não se conformam.



Em tempos de normalidade, a vida da maior parte dos seniores passa muito pela rua: o ir ao café, comprar o jornal e dar dois dedos de conversa, ou juntar-se a outros reformados no jardim a conversar ou a jogar às cartas. Todos adoram os mimos presenciais dos mais novos, e a separação dos netos e crianças é a que custa mais.


No entanto, como todos sentimos na pele, estes não são tempos normais, e seja à custa de reprimendas, repetição ou medidas de controlo, é essencial que eles entendam que não podem sair de casa, para sua proteção e dos outros. 



Apele ao bom-senso, de forma calma e clara, e deixe evidente que esta é só uma fase e que em breve poderão fazer a sua vida normal e voltar a abraçar os netos.


Se o idoso não viver consigo, faça vídeos frequentes das crianças para que possam matar um pouco as saudades. Diga-lhes que vai perceber se mentirem ou omitirem saídas não autorizadas e injustificadas, apele ao bom-senso e use o argumento de que esta é só uma fase e que em breve estarão de regresso às suas rotinas, tão independentes e autónomos como dantes.


Afinal, não desejamos todos que regresse tudo ao normal?



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