Discórdia familiar na escolha de cuidados para o idoso

Por Mariana Camargo , 26 de Setembro de 2022 Profissionais

Durante o processo de decisão de uma família sobre os cuidados necessários e a eventual admissão num lar, é raro que todos estejam na mesma página quanto aos cuidados a prestar ao idoso. Alguns, estando mais próximos da situação, reconhecem as necessidades que o idoso tem. Outros não conseguem aceitar que o idoso saia de casa e vá para um lar com cuidados profissionais.

São muitas as possíveis causas da discórdia entre os familiares, e neste artigo vamos apresentar como pode ajudar as famílias que entram em contacto consigo a conseguir chegar a acordo.



Razões da discórdia familiar na escolha de cuidados


A decisão de admitir um idoso num lar de idosos normalmente já é difícil e demorada. Depois, a família tem de escolher para qual instituição ele irá. Em todo o processo de procura e escolha, são muitos os pontos onde os familiares podem discordar, muitas vezes levando o processo a demorar tempo que o idoso já não pode esperar confortavelmente.

Para ajudarmos as famílias a chegarem a consenso nesse processo, preparámos este artigo: um guia de como os lares podem perceber a situação de cada família e agir para ajudá-la a ultrapassar esses problemas, para chegar ao objetivo final - que o idoso tenha os cuidados de que precisa e que merece.



Desconhecimento da situação atual do idoso


Quando a discórdia aparece no processo de decisão de admitir o idoso num lar, muitas vezes os familiares que não aceitam essa escolha não estão a par das necessidades que o idoso tem no seu dia-a-dia. É comum que um dos filhos ou familiares, seja o que mora mais perto do idoso, ou o que tem uma relação mais próxima com o pai, acabe por ficar com muito trabalho quando este começa a envelhecer e precisar de ajuda. Por isso, os outros familiares, mais alienados da situação, acabam por não perceber todos os cuidados e acompanhamento de que o idoso necessita. É dever do filho cuidador comunicar a situação, mas muitas vezes isso não resolve nada.



Visão negativa da ida para um lar


Há aqueles que têm rejeição à ideia de decidir que o seu pai, mãe ou avó, vá para um lar porque tem uma imagem negativa e tem medo de que o idoso se sinta abandonado. A comunicação social historicamente não mostra o que de bem se faz nos lares, perpetuando esta ideia negativa. A maioria das pessoas nunca entrou num lar, e é muito suscetível às histórias que passam na televisão ou surgem nos jornais. Sem contar com as ideias românticas de que cuidar de um familiar idoso é a melhor forma de assegurar o seu bem-estar. Infelizmente, na maioria das situações isto já não é bem assim, e apenas cuidados profissionais podem assegurar a saúde e envelhecimento ativo dos idosos.



Falta de noção da urgência dos cuidados 


Mais uma razão que é muito comum é existirem familiares que acreditam que cuidados frequentes de profissionais ainda não é necessário para o idoso. Isso pode acontecer por falta de convívio diário, e não conhecimento das necessidades. Ou porque o familiar cuidador acha que ainda consegue prestar todos os cuidados ao idoso sozinho. Muitos cuidadores não sabem que podem  chegar a burnout e descurar as suas vidas pessoais, para conseguirem responder a todas as necessidades de vigilância e apoio de que o seu familiar idoso precisa. Para ajudar na determinação de se o idoso necessita ou não do cuidado constante que só um lar de idosos pode prestar, a opinião de um especialista pode ser uma boa ajuda. Neste caso, a família pode pedir a opinião de um médico que conheça a realidade daquele idoso, seja o médico de família ou outro médico assistente.


Discórdia quanto ao orçamento familiar


A família, quando decide que o idoso estará melhor num lar, ainda pode estar com dificuldades na escolha. Nesta fase, pode haver discórdia sobre o preço ou comparticipações familiares. Preço por considerarem ser muito caro, principalmente se a reforma do idoso não comportar todos os custos. Em alguns casos, o preço é fator de discórdia mesmo quando o idoso tem possibilidades de pagar tudo, devido a quezílias entre irmãos ou à falta de conhecimento dos valores médios dos lares de idosos. Quanto às comparticipações familiares, sempre que necessárias, podem surgir problemas quando os familiares não têm todos poder de compra semelhante, ou quando há dificuldades em falar sobre dinheiro.


Dificuldade na escolha do tipo de instituição

Mais uma razão da discórdia dos familiares, se bem que menos frequente, é o tipo de cuidados prestados. Alguns podem achar que a instituição é muito hospitalar, ou que não é especializada em alguma demência ou necessidade do idoso. Outros podem achar que uma estrutura mais familiar iria beneficiar o idoso. Também pode haver confusão com a localização se a instituição ficar muito longe da maior parte da família, ou se ficar manifestamente mais próxima de um dos familiares em detrimento da maioria.

Como ajudar a família a chegar a consenso


Entretanto, é importante frisar às famílias que não devem gastar um tempo precioso, que o idoso às vezes não tem e que pode prejudicar a sua saúde, em conflitos familiares. Enquanto profissional, tem de encontrar formas de facilitar o consenso entre os vários familiares do idoso, para que ele não sofra e tenha rapidamente acesso aos cuidados mais personalizados possível. A comunicação entre os familiares é de extrema importância, e deve ser estimulada por parte dos profissionais. Essa é a resposta para a maioria das causas de discórdia na escolha de cuidados para o idoso, porque normalmente são muitas pessoas que devem ter as suas expectativas alinhadas para poderem confiar na escolha de uma nova moradia para um ente querido que necessita de cuidados especializados.


​​A resposta a quase todos os problemas é uma comunicação calma, onde todos possam apresentar os seus pontos de vista, para que o responsável do lar consiga assim argumentar com os aspetos positivos que o lar traria em resposta às necessidades do idoso.



Muitos problemas passados pela família podem vir à tona durante esta escolha. Por isso, se for um responsável de um lar, ou um familiar que quer encontrar uma solução para o problema da discórdia, deve sempre tentar perceber o ponto de vista de cada filho, ou familiar. Apenas assim pode apresentar os pontos positivos que o lar traria para o dia-a-dia do idoso, potenciando o seu envelhecimento ativo, e para a melhora da sua qualidade de vida e do convívio com toda a família.

A Lares Online está sempre a preparar conteúdos para ajudar famílias e responsáveis de lares de idosos a estarem preparados para qualquer tipo de problema que possa afetar a qualidade de vida dos idosos. E por isso, o guia de como lidar com a discórdia familiar tem tanta importância, já que queremos sempre que o idoso tenha disponível todos os cuidados de que necessita e merece.

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