4 Dicas para melhorar a saúde mental dos idosos
Por Joana Marques, atualizado a 22 de Junho de 2023 Idosos
A expressão «mente sã, corpo são», do poeta latino Juvenal, nunca perdeu a sua atualidade, embora tenha sido escrita há quase dois mil anos. Hoje em dia, sabe-se que um ser humano saudável, independentemente da fase da vida em que se encontra, é aquele que está num estado de bem-estar físico, mental e social. No entanto, nem sempre é possível ou fácil manter este equilíbrio.
Neste artigo, explicamos-lhe quais são os sinais de alerta que não deve ignorar e damos-lhe dicas que contribuem para melhorar e preservar a saúde mental dos idosos, especialmente em tempos dominados pelo confinamento e distanciamento social.
A importância de uma boa saúde mental
A saúde mental do idoso deve ser vigiada e preservada e suscitar o mesmo nível de preocupação que suscitam as outras enfermidades físicas e com sintomas mais evidentes. Sabe porquê? Porque são inúmeras as doenças que têm causas emocionais ou que podem piorar devido a problemas mentais. A este processo dá-se o nome de somatização, que ocorre quando o estado emocional e psíquico gera reações físicas no organismo.
Existem uma série de doenças que surgem devido a elevados níveis de ansiedade e que são muito comuns em pessoas de idade mais avançada.
O corpo físico é um reflexo das emoções e dos pensamentos, pois o organismo encontra sempre forma de sinalizar os problemas. É perfeitamente possível que o estado de saúde do seu familiar idoso piore se ele estiver mentalmente perturbado, de que é exemplo:
enfraquecimento do sistema imunitário;
dores no corpo (costas, ombro, pescoço);
dores de cabeça;
formigueiro (braços ou pernas);
insónia;
problemas cardíacos ou respiratórios (asma, bronquite);
dermatites;
perturbações no sistema digestivo (diarreia, refluxo, azia).
Esta lista inclui uma série de problemas de saúde muito comuns entre os mais velhos, que também podem ter origem ambiental ou genética. É preciso que esteja atento, porque existem muitas depressões na terceira idade por diagnosticar, pelo que qualquer alteração deve ser reportada ao médico de família.
Esteja atento a estes sinais no idoso
Desse modo, é importante saber quais são os sinais a que deve estar atento se o seu familiar idoso apresentar algum destes problemas em conjugação com a observação de sinais que indicam uma anormalidade ou alteração emocional:aparecimento de sentimentos de tristeza, angústia e ansiedade;
apatia e perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas;
cansaço, fadiga e falta de energia;
irritabilidade / aumento de queixas sem motivo;
alterações de sono;
alterações de apetite (perda ou ganho de peso);
dificuldades de concentração, memória e raciocínio;
crises de choro;
diminuição da autoestima e negligência dos cuidados pessoais ;
mau humor e atitudes desagradáveis ;
vontade de permanecer na cama depois do acordar.
Estes sinais alertam o familiar ou o cuidador para a existência de uma perturbação da saúde mental, que por vezes é erradamente confundida com demência, mas que pode indicar o início de uma depressão ou de outra afecção do foro mental. Esteja atento aos sinais, porque uma das melhores formas de melhorar a saúde mental do idoso é agir preventivamente antes que o problema se torne crónico ou de tratamento mais prolongado.
Dicas para melhorar a saúde mental do idoso
De entre as razões que podem contribuir para o deterioramento da saúde mental dos idosos encontram-se a inatividade após a reforma, isolamento após a viuvez, a morte de amigos, a incapacidade de encontrar um sentido para a vida e o aparecimento ou agravamento de doenças. Qualquer uma destas situações pode gerar sentimentos de tristeza, angústia e ansiedade, e mesmo levar à depressão.
1 - Comida saudável, mas apetitosa
Adapte os pratos favoritos do idoso, aqueles que lhe trazem boas memórias, para que as refeições sejam também momentos de prazer.
É muito importante que o seu familiar idoso sinta prazer quando come. Uma boa alimentação pode ajudar na recuperação de transtornos mentais, como a ansiedade excessiva e a depressão, mas não substitui a consulta de profissionais especializados.
2 - Um exercício por dia, nem sabe o bem que lhe fazia
O objetivo não é que o seu familiar idoso treine para a maratona, mas sim que se exercite de forma a reforçar a sua autonomia no desempenho das tarefas diárias.
O exercício sistemático, adaptado e planeado ajuda a prevenir doenças crónicas, inclusivamente a depressão, e permite aos mais idosos desempenharem pequenas tarefas do quotidiano que contribuem para um bem-estar generalizado e para o aumento da autoestima.
3 - Em busca de um sentido para a vida
O pós-reforma é uma oportunidade para novos começos. Incentive o idoso a abraçar novos projetos e ocupar os tempos livres com atividades prazerosas.
É inegável que a pandemia veio limitar as atividades em que os mais velhos se podem envolver. Desaconselham-se saídas ao exterior não essenciais e a convivência com outras pessoas. No entanto, os impedimentos são passageiros e de futuro os idosos vão poder retomar as suas ocupações: passear, ir ao café, ao cinema ou ao teatro com os amigos, fazer voluntariado e ajudar os netos. Estes são apenas alguns exemplos de atividades que conferem bem-estar psicológico e que contribuem para a felicidade do idoso.
4 - Manter a ligação com o mundo «lá fora»
Modernize o quotidiano do idoso! Incite-o a explorar o mundo online e mostre-lhe como a tecnologia pode fazer com que ele se sinta menos sozinho e inútil.
Sem sair de casa, virtualmente (quase) tudo é possível: fazer uma refeição com familiares e amigos através de uma videochamada, fazer «aquele» curso tantas vezes adiado, ver uma exposição, assistir a um concerto ou viajar pelo mundo. A Internet disponibiliza uma infinidade de coisas para fazer e incontáveis possibilidades de socialização, que vão ajudar a manter a mente do seu familiar idoso saudável, ativa e bem disposta!
5 - Procure ajuda médica, se for necessário
As sugestões do Lares Online não substituem a procura por ajuda médica especializada, caso note que o idoso está infeliz ou em sofrimento porque se sente sozinho, inútil, ou angustiado. O primeiro passo é marcar uma consulta para o médico de família, que conhece o histórico do seu familiar idoso e que faz a ponte para outras especialidades que lidam diretamente com a saúde mental.