3 Dicas para atividades em lares de idosos confinados

Por Joana Marques, atualizado a 13 de Junho de 2023 Profissionais


Os lares e residências para idosos são espaços de socialização, que promovem o envelhecimento ativo, a participação social e a realização de um conjunto de atividades de cariz recreativo, cultural, social e educativo, com o objetivo de preservar a identidade e o bem-estar físico, emocional e cognitivo dos mais velhos.
​


A Covid-19 relegou para segundo plano os animadores socioculturais e levou à suspensão de todas as atividades realizadas no exterior.



​As rotinas dos idosos residentes em lares têm sido constantemente alteradas, devido à imposição de medidas de confinamento e desconfinamento. As visitas de amigos e familiares, as saídas ao exterior para passeios ou visitas culturais e a presença dos animadores socioculturais estão condicionadas devido à renovação de sucessivos estados de emergência, com medidas cada vez mais restritivas.


O confinamento dos idosos aos lares é uma inevitabilidade desta doença, que é particularmente grave entre os mais velhos.



No entanto, os seres humanos não se contentam em sobreviver e é necessário garantir que a vivência em lar continue a ser estimulante, dinâmica e envolvente, mesmo em contexto de crise. Este artigo pretende valorizar a importância das atividades nos lares durante o confinamento. Com ou sem a presença de animadores socioculturais, os idosos precisam mais que nunca estar física e emocionalmente ativos.



Os efeitos negativos do confinamento


A pandemia trouxe desafios sem precedentes às instituições do setor social. No último ano, os lares foram forçados a canalizar grande parte dos seus recursos humanos e materiais para a prevenção da Covid-19. Além disso, o cumprimento das regras de higienização de residentes idosos, profissionais e espaços passou a ocupar grande parte da rotina quotidiana dos lares.
​


É necessário combater sentimentos de ansiedade, angústia, desânimo e apatia que têm sido recorrentes nos idosos devido ao distanciamento social e confinamento.



​As atividades socioculturais e o exercício físico deixaram de ser centrais na vida dos idosos em lar, o que tem contribuído para o aprofundamento do sentimento de solidão e degradação da saúde física e cognitiva dos mais velhos.


As atividades de animação não servem apenas para ocupar o tempo livre dos idosos, mas também para que eles se sintam ativos e integrados.



​Durante esta crise de saúde pública, os idosos que residem em lares têm estado muito tempo desocupados, o que pode levar ao tédio, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade e falta de razão de viver. Por si só, o confinamento já causa muita ansiedade, e a saúde física e mental dos idosos tem ainda mais tendência para se deteriorar, se eles não estiverem ocupados com atividades diversificadas.


Em média, os idosos estão desocupados 8 horas por dia. Mesmo em confinamento, essas horas devem ser dedicadas a lazer, comunicação, ginástica mental e exercício físico.



​A pandemia piorou as capacidades físicas, cognitivas e sociais dos idosos residentes em lares. Um estudo da Universidade de Coimbra que analisou o impacto do primeiro confinamento entre os mais velhos são mencionadas queixas de perda de memória e de declínio cognitivo em termos gerais.


Também se registou uma redução na mobilidade, um elemento-chave no que se refere à autonomia e independência dos idosos.



​O decréscimo da frequência (ou mesmo suspensão) das sessões de fisioterapia, a limitação das visitas e saídas ao exterior e a diminuição da atividade física já se fazem notar na qualidade de vida dos idosos. Menos ativos e funcionais, os idosos confinados em lares são mais propensos a quedas, que podem levar à imobilização na cama.

3 Dicas para idosos ativos em lares confinados

​

É necessário proteger os mais velhos da Covid-19, mas será que o devemos fazer a todo o custo? Claro que sim, mas apenas quando não existe alternativa (e existe sempre alternativa, mesmo em contexto de crise). A pandemia continua sem fim à vista e, para que os idosos que residem em lares tenham um futuro com qualidade, é preciso ir mais além e criar condições para que continuem ativos, envolvidos e ocupados.


O tempo de agir é agora. Quanto mais tempo os idosos estiverem inativos, maiores serão as perdas.



​Os profissionais dos lares devem, por isso, encontrar tempo e vontade para estimular os idosos durante os  períodos de confinamento. Devem ser criativos dentro das limitações impostas pelo distanciamento social e pensar em novos métodos para manter os idosos física, cognitiva e emocionalmente ativos.


A pandemia pôs à prova a criatividade dos animadores e a sua capacidade de diversificar e reinventar as atividades.



​Algumas atividades deixaram de ser feitas por causa das normas de higiene e segurança, especialmente aquelas que são feitas em grupo. A animação sociocultural teve que ser adaptada às especificidades de cada lar.


Não existem fórmulas mágicas. As atividades têm que ser adaptadas aos idosos residentes em cada lar e às condições preexistentes.



A diminuição das atividades em grupo por razões de higiene e segurança leva à quebra da proximidade entre os idosos, que se sentem menos relaxados e abertos a novas experiências. O confinamento não significa que se deixem de realizar atividades em grupo, mas elas só devem ser realizadas se o lar tiver espaço suficiente para que seja respeitado o distanciamento de 1,5 a 2 metros. Todos estes condicionamentos exigem que as atividades sejam repensadas.



1 - Apostar nas preferências pessoais

​

Uma das grandes vantagens de um lar de idosos é a possibilidade de socialização, decorrente de uma vida em comunidade e integrada na comunidade. No entanto, os idosos que estão confinados nos lares também devem manter o distanciamento entre si, mesmo que não existam suspeitas de Covid-19 ou que já esteja em marcha o processo de vacinação.
​


Deve-se explicar ao idoso que o distanciamento é uma situação temporária e excecional.



​Devem ser estimulados os gostos pessoais de cada um e se for necessário adaptar as suas atividades preferidas em grupo ao contexto individual:

  • Os trabalhos manuais, como colagens,  pinturas, recortes, bordados, tricô ou crochê, podem continuar a ser realizados desde que cada idoso tenha o seu próprio material;
  • Uns podem dançar sem que haja contatos entre si, enquanto outros podem simplesmente ficar a ouvir a música;
  • Organizar uma tarde de cinema: apostar em filmes portugueses antigos ou comédias, que são ideais para aliviar tensões, estimular a memória e melhorar o humor;
  • Fazer palavras-cruzadas, puzzles e outros jogos de memória e ocupação de tempos livres (por exemplo, seguir a Sebenta da Quarentena);
  • Cultivar uma pequena horta ou cuidar de plantas e flores em vaso no quarto ou varanda;
  • Disponibilizar jornais, revistas e livros para os idosos que gostam de ler.


2 - Fazer atividades físicas leves

​

As restrições nas atividades que estimulam a psicomotricidade obrigam a encontrar formas de manter os idosos ativos de formas simples e pouco exigentes do ponto de vista físico ou material:
​


  • Dar caminhadas durante o maior tempo possível dentro do quarto, nos corredores ou no jardim;
  • Sentar e levantar da cadeira com frequência;
  • Sentar e elevar alternadamente os braços lateralmente, à frente e acima dos ombros;
  • Alongar com auxílio de uma toalha presa aos pés ou às mãos;
  • Abrir e fechar as mãos com frequência;
  • Em pé, elevar alternadamente os joelhos ou treinar o equilíbrio, uma perna de cada vez.

​

3 - Tirar partido das novas tecnologias


Hoje em dia é muito mais fácil entrar em contacto remotamente e em tempo real com familiares e amigos. Os telemóveis, tablets ou computadores são uma fonte inesgotável de oportunidades de comunicação, de partilha, de participação na comunidade e de criação de novas formas de ocupar os tempos livres.
​


As novas tecnologias só são úteis se os idosos souberem tirar partido delas. Se forem ensinados, abrem um novo mundo de entretenimento!



​Existem inúmeras atividades virtuais que os idosos podem desempenhar e que ajudam a estimular o sentido estético, visual, motor e auditivo:

  • Visitas virtuais a museus nacionais e internacionais ou a exposições temporárias;
  • Pesquisar sobre os mais diversos assuntos, o que estimula a capacidade para resolver problemas e o desenvolvimento cognitivo através da acumulação de novos conhecimentos;
  • Participar em cursos online gratuitos ou fazer workshops temáticos;
  • Jogar online (e até contra outros jogadores) jogos de cartas e de tabuleiro (damas e xadrez, por exemplo);
  • Manter contato com família e amigos através das redes sociais e participar em fóruns de discussão e trocas de ideias;
  • Viajar pelo mundo sentado na cadeira, através de mapas interativos, do visionamento de vídeos sobre os mais diversos locais ou de imagens de câmaras vídeo que fazem emissões em direto.

​A pandemia não vai durar para sempre e espera-se que em breve os idosos possam regressar lentamente ao seu estilo de vida anterior, sem restrições, especialmente no que se refere a visitas e saídas ao exterior.



Os idosos confinados em lares continuam a precisar de diversidade, estímulos e entusiasmo nas suas vidas.



​Desse modo, o mais importante é que os mais velhos se mantenham ativos e envolvidos durante os períodos de confinamento. O tipo de atividades mais adequadas vão sempre variar consoante os utentes de cada lar, das suas capacidades físicas e mentais, do seu grau de dependência e, acima de tudo, das condições que têm ao seu dispor (no que se refere ao espaço e aos materiais e equipamentos disponíveis). Quando há vontade, disponibilidade e criatividade, não existem limites para a imaginação e tudo é possível, mesmo que cada um se mantenha dentro da sua pequena bolha de proteção.


​Tem um lar com atividades?

Registe a sua Instituição no Lares Online.

Se preferir, pode falar connosco: 924 059 935.