[Sondagem] Animais de estimação em lar de idosos: sim ou não?

Por Sónia Domingues , 07 de Janeiro de 2022 Lares e Residências


Ter um animal de estimação num lar de idosos não é novidade, são uma adição apreciada pela esmagadora maioria dos residentes e dos profissionais que lá trabalham. Também são do conhecimento geral os benefícios que um animal de estimação confere aos idosos. Mas ainda são poucos os lares que abrem as portas aos animais de estimação dos idosos. 

O Lares Online promoveu uma sondagem dirigida aos lares, no sentido de conhecer a perceção que os profissionais têm em relação ao tema. E as conclusões são identificativas de que ainda há poucas residências a aceitar os animais de estimação dos idosos, por variadíssimas razões.



Metade dos lares inquiridos eram de natureza social e metade privados 


O inquérito pretendeu aprofundar as razões que levam os lares de idosos a aceitar ou a negar o acesso dos animais às suas instalações, seja em pequenos períodos de tempo, ou por um prazo indefinido. Em termos de natureza da entidade, esteve bem repartida sendo 51% dos lares inquiridos de cariz privado e 49% de cariz social.

Natureza dos laresParticiparam nesta sondagem lares localizados de norte a sul do país, em treze dos dezoito distritos do continente português. A sondagem consistiu num conjunto de questões que abordou os animais de estimação no lar: seja mascotes ou animais de estimação dos idosos residentes. Dois terços dos lares têm entre onze e quarenta idosos residentes, sendo que uma pequena fração tem menos de dez idosos residentes, e cerca de trinta por cento têm mais de quarenta residentes.



Muitos lares optam por ter pelo menos uma mascote


A maioria, ainda assim, de 59% dos lares não tem qualquer mascote. Dos lares abordados, um número simpático de quarenta e um por cento têm um animal de estimação. Destes, 44% têm apenas uma mascote, ao passo que 20% têm dois animais e 36% têm mais de dois animais de estimação.Têm alguma mascote no lar?



Mascotes mais frequentes são cães e gatos


Estes são os animais que mais percorrem os corredores dos lares de idosos portugueses. Os animais são, em larga escala, de raça indefinida, ou seja, são «rafeiros». Nos lares que responderam ter animais como mascote, vários foram os que assumiram ter mais que um tipo de animal. As combinações mais frequentes de mascote são mesmo de cães com gatos, e de cães com aves. Dos lares questionados que têm animais de estimação, 56% têm cães e 44% gatos, mas as aves também têm um lugar especial nas residências sénior portuguesas, sendo que estão presentes em 24% dos lares. 

Que tipo de animal têm como mascotes?


Os papagaios, os canários e os periquitos dominam, no que às espécies de aves diz respeito. Ainda existem alguns lares que têm peixes, tartarugas, ou mesmo animais de maior dimensão como sejam burros e póneis, sendo que estes são uma minoria.



Poucos lares aceitam animais de estimação dos idosos residentes


Muitos lares não aceitam animais de estimação dos idosos dentro das suas instalações. Questionados sobre se aceitam animais de estimação dos idosos, a larga maioria, 82%, não aceita. Aceitam animais de estimação de idosos residentes?Destes, 52% apontam que a razão pela qual não aceitam é porque nunca lhes foi pedido para aceitar um animal de estimação de um idoso. A segunda resposta mais comum é que falta legislação apropriada, 10% não aceitam por não terem um «espaço próprio», 8% referem o acréscimo de trabalho e uma percentagem não significativa refere a falta de aprovação das famílias para impedirem a entrada de animais domésticos dos idosos.



Só 18% dos lares permitem animais dentro do quarto dos idosos, e apenas em quartos individuais


Os inquiridos que responderam que aceitam os animais de estimação dos idosos no lar referem que são permitidos vários animais, desde cães a gatos, aves e mesmo peixes. Neste pequeno universo, 27% dos inquiridos não impõem quaisquer restrições aos espaços em que andam os animais de estimação.

Por outro lado, outros 27% referem o espaço exterior como único local onde os animais podem circular. Já 18% referem que apenas os idosos em quartos individuais podem ficar com os seus animais de estimação nesse espaço. Pelo contrário, 18% só permitem aos animais circular fora das habitações dos idosos e 9% explicam que depende do tipo de animal que o idoso tem.Têm algum tipo de restrições a estes animais?




Um terço dos lares reconhece que as famílias cada vez mais valorizam lares que aceitam animais de estimação


Questionados se as famílias valorizam um lar que aceite animais de estimação dos idosos, em detrimento daqueles que não apresentam essa possibilidade, quase metade dos lares inquiridos consideram que este não é um requisito valorizado pelas famílias. Já 33% (um terço das respostas) acreditam que, cada vez mais, as famílias valorizam um lar que permite que os idosos levem os seus próprios animais de estimação. 18% afirmam que as famílias sempre valorizaram esta questão.

As famílias valorizam lares que aceitem animais de estimação?



Lares cada vez mais recetivos a animais


Do que nos foi possível verificar, cada vez mais os lares inquiridos percebem a importância que o afeto dos animais podem ter nos idosos e estão recetivos aos animais de companhia. Mas será mais fácil o próprio lar ter mascotes, como muitos já têm, do que os idosos levarem os seus próprios animais de companhia.

O problema que se impõe é o trabalho extra que os animais acarretam, a falta de espaço próprio e também a falta de uma legislação que defina esta matéria. Seja sobre mascotes ou aceitação de animais de estimação dos idosos residentes, não existe uma legislação que preveja estas situações.


​Ainda existem entraves, como a falta de uma legislação sobre os animais de estimação em lares de idosos


Das respostas que mais se evidenciam, é a falta de legislação sobre o tema que mais impede os lares de ter mais animais de estimação nas suas instalações. Existem mesmo situações relatadas em que os animais foram retirados do lar pela Direção-Geral de Saúde. Pelo que nos foi possível determinar, não havendo legislação efetiva em relação a esta matéria, os lares andam a «navegar à vista» e estão sujeitos aos pareceres inconstantes e arbitrários das autoridades locais. Isto coloca sérios entraves à permanência dos animais nos lares de idosos, apesar de serem amplamente reconhecidos os benefícios que os animais trazem na convivência com os idosos.



Maioria acredita que os lares devem ter espaços próprios para receber animais de estimação de idosos


Devem haver quartos com espaços próprios para receber idosos com animais de estimação? ​Existem opiniões fraturantes em respeito à última pergunta da sondagem Lares Online. Enquanto alguns acreditam que possa ser uma possibilidade e a sua resposta é afirmativa, já outros há que colocam um «não» taxativo como resposta. Para além disto, há opiniões que consideram desnecessário tratar-se de um rácio obrigatório, mas apelam à criação de legislação própria que preveja esses casos, a ser aplicada (ou não) a critério das instituições e das suas condições específicas.
Devem haver quartos com espaços próprios para receber idosos com animais de estimação?Os motivos do não prendem-se com várias questões, mas principalmente porque os lares têm a sua própria dinâmica e são todos diferentes entre si, impossibilitando uma obrigatoriedade geral. As respostas dos profissionais apelaram também ao problema associado a aspetos logísticos e higiénicos, para além de que alguns idosos poderão ser intolerantes aos animais, ou simplesmente a presença dos animais não ser benéfica para a totalidade dos residentes.


Animais têm benefícios claros na saúde dos idosos e devem ser incorporados na vida em lares


Existem incontáveis estudos científicos que confirmam o que a maioria das pessoas reconhece empiricamente: que os animais de estimação trazem profusos benefícios ao ser humano, nomeadamente aos idosos. O combate à solidão é claramente um grande benefício que um animal traz. O sentimento de solidão tende a agravar-se com o passar dos anos e um animal de companhia adequado pode ser uma excelente solução, mesmo nos lares de idosos, até porque a separação pode causar angústia e dificultar a adaptação do idoso.


Com o animal de estimação, o idoso cria uma rotina saudável, tem um propósito para se levantar, para sair do quarto e tratar do animal, auxiliando uma vida mais ativa. O alívio dos sintomas provocados pelo stress é também um benefício incontestável que um animal de estimação oferece ao seu dono. Existem estudos que indicam que os idosos que adotam um animal de estimação tomam menos medicação e a sua pressão arterial baixa. Em termos de saúde física e mental, os idosos experienciam uma melhoria generalizada.

Um animal de estimação pode ainda trazer um sentido de segurança ao idoso, principalmente se se tratar de um cão. E também pode conduzir a novas amizades. Quem já não parou para fazer festinhas a um cão ou a um gato de outra pessoa? Portanto é considerada urgente a legislação que regule esta situação nos lares, em que população vulnerável pode ver o seu dia-a-dia muito mais colorido. Já sabemos que 9 em cada 10 idosos iria para um lar com o seu animal de estimação, agora falta que a legislação o permita.



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