Quem sou eu? A perda da identidade no idoso

Por Susana Pedro , 27 de Novembro de 2018 Demência


Todos nós vivemos com a inevitabilidade das mudanças que vemos serem operadas em nosso redor e nas mais diferenciadas esferas. Assistimos a mudanças políticas, desde o ressurgimento de grupos de extrema direita, passando pelo neoliberalismo, que conduzem a modificações aos níveis económico e social. Estas mudanças e transformações conduzem a uma agudização no levantamento de questões em relação à nossa identidade.

As nossas escolhas, vivências ou decisões vão moldando a nossa identidade


Com que grupos nos identificamos? Qual o nosso propósito? Que carreira teremos ou se a carreira que escolhemos é a que mais nos faz feliz? Casamos? Queremos ter filhos? Enfim, somos, durante a nossa vida, confrontados com escolhas, vivências ou decisões que vão moldando a nossa identidade. Estas questões tornam-se ainda mais profundas quando chegamos à velhice.


Quem sou eu? A perda da identidade no idoso



Num mundo em que o sucesso laboral ou a progressão na carreira são utilizados como elementos definidores do sucesso individual, o envelhecimento pode levar a um feroz questionar acerca do lugar do indivíduo no mundo, e, ainda, a uma interrogação por parte deste em relação ao lugar que ocupa no seio familiar, dado que, pelas condicionantes físicas e intelectuais, poderá não estar a apto a contribuir do mesmo modo que anteriormente.

A adicionar a este sentimento de indagação acerca do seu lugar e papel num mundo que muda a uma velocidade alucinante, junta-se, inúmeras vezes, o sentimento de isolamento e solidão por parte da pessoa idosa.


Quem sou eu? A perda da identidade no idoso



O seio familiar, em virtude de todas as mudanças impulsionadas pela exigência crescente do mercado laboral, fragmentou-se, deixando muito pouco espaço para os mais velhos.

Esta alienação dos idosos em relação a dois mundos: o laboral, para o qual o indivíduo idoso já não colabora ativamente; e o familiar, em que já não detém o cargo de cuidador, faz com que este ressinta negativamente a chegada da velhice.

Com todas estas mutações que não estão no seu controlo é natural que advenham questões constantes e persistentes em relação à sua identidade.

“Quem sou eu? “, “ O que devo fazer com os dias que passam?”, “ Em que posso ser útil?”, “ Serei um fardo para aqueles que mais amo?”.


Quem sou eu? A perda da identidade no idoso



Aliada a estas difíceis e pesadas indagações do Eu, chega um outro fator com o qual é penoso lidar: a dependência, seja ela física ou intelectual.



Todas estas transformações influem no modo como a velhice é experienciada pela pessoa idosa.

A reforma é sempre um embate extremamente penoso e profundo.


Uma pessoa que, durante décadas, conheceu um estilo de vida activo, populado por objectivos pessoais ou de carreira, em que terá contribuído ativamente no seio da sua comunidade, poderá ter que lidar com uma quietude e desaceleração impostas pelo abrandamento da sua actividade.

Sendo que a identidade é um processo que assenta numa construção que se vai adequando a cada fase ou estádio da vida, é legítimo o interpelar de uma mudança abrupta.


Quem sou eu? A perda da identidade no idoso




O envelhecimento e a entrada da pessoa idosa nesse novo período ou estádio da sua vida torna propícia a reflexão em relação ao seu passado e inevitabilidade do seu futuro.


É um período cheio de complexidade em que o Eu se transmuta de tal modo que é comum a questão “ Quem sou eu?”. A incapacidade de responder a esta questão por parte da pessoa idosa pode conduzir à destruturação em termos de identidade ou estrutura psicológica.


Quem sou eu? A perda da identidade no idoso




Como ajudar os mais velhos nesta fase tão delicada?

É necessário ajudá-los a reorganizarem-se e proporcionar-lhe novos papéis sociais.

​A família é extremamente importante, e dela deverá derivar o suporte, a compreensão e o amor de que os mais velhos tanto necessitam. Uma auto-estima saudável e o saber que são amados são essenciais e farão com que se sintam respeitados em todas as dimensões do seu ser.

Se estivemos a pensar em Idosos institucionalizados, é importante criar um equilíbrio entre a sua nova realidade e o contacto familiar, criando, em concomitância, novos papéis que os estimulam e que façam com que estes se sintam válidos nesta fase das suas vidas e ainda muito queridos e estimados pela família.


Quem sou eu? A perda da identidade no idoso

​Fonte das imagens: The General Consensus
Publicação de 1 de Outubro, 01:30



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