Lares Online do outro lado da linha: Catarina Gonçalves

Por Susana Pedro , 06 de Junho de 2022 Notícias


Catarina Gonçalves é Assistente Social, com mestrado em Intervenções na Infância, mas é na área da terceira idade que opera. Entrou na equipa Lares Online em dezembro de 2018, e desde essa altura já ajudou incontáveis famílias e idosos.

Através da linha de apoio, Catarina todos os dias fala com famílias que procuram lar para os seus familiares idosos, encontrando sempre soluções e lares de qualidade. Saiba mais sobre a Catarina, Consultora Lares Online, nesta entrevista!



Da formação à realidade do mercado


O que falta na formação em Serviço Social?


Faz muita falta a parte prática. O curso de Serviço Social é muito teórico, quase totalmente de cadeiras teóricas e tivemos só um estágio, no final do curso. É muito insuficiente, porque aquilo que temos nas aulas é importante, mas a prática só se percebe mesmo atuando. Com as cadeiras teóricas que temos, um estágio apenas não é suficiente. Eu não me senti preparada nesse sentido. Senti-me preparada na teoria, mas com aquilo que tive depois de aplicar na prática não.

Também era bom haver mais especialidade. Temos cadeiras de políticas de saúde, políticas sociais, economia…mas por exemplo a área dos idosos em concreto só me lembro de ter uma cadeira, e não foi muito específica. Há apoios sociais, de que hoje em dia na Linha de Apoio estou sempre a falar às famílias, que eu não fazia ideia que existiam. Foi apenas através da Lares Online que adquiri esse conhecimento. O curso devia ser mais específico em certas áreas, porque depois faz muita falta no mercado de trabalho.

Sem dúvida a parte prática, temos muita teoria mas não existem especializações nas diversas áreas de atuação, e apenas temos um estágio, que é muito pouco para nos preparar.



Porque vieste trabalhar na Lares Online?


Antes de mais por ser um projeto completamente inovador, que nunca tinha existido antes, nem nada semelhante. Só esse facto de ser algo que é único chamou logo a atenção. Depois, por o meu papel ser intervir com famílias, apesar de não ser cara a cara. Acaba por ser uma intervenção direta, mesmo por telefone, que nós temos diariamente com as famílias e às vezes até com os próprios idosos. Puxou por mim por ser uma das minhas áreas mais preferenciais, que é a área da terceira idade. Fiz uma pequena pesquisa e reparei que a equipa era bastante jovem, e isso de certa forma agradou-me. Vi que ia encontrar uma equipa com a qual teria algumas parecenças, que seria fácil integrar-me. Isso tudo fez com que eu viesse ter à Lares Online.

Vi na Lares Online um projeto inovador, um trabalho que era o que queria fazer na área dos idosos e uma equipa jovem e estimulante.



Trocarias o atendimento que fazes na Lares Online pelo serviço social numa instituição?


Não sei, depende muito das funções. Mas eu diria que não. Por exemplo, trabalhar num lar, enquanto assistente social ou diretora técnica, não é um sítio onde eu me veja muito confortável. Acaba por ser mais gestão de recursos humanos, algo em que eu não tenho formação e claro que não me sinto tão confortável. Onde estou, o que faço, acaba por estar mais enquadrado no que eu realmente gosto de fazer. Noutro cenário já seria mais viável, por exemplo, se fosse trabalhar num hospital, em acompanhamento e gestão das altas de idosos. Já fiz estas funções no meu estágio da faculdade, e também gostei muito, foi uma boa experiência. Agora trocar, trocar não. É muito diferente, não quero trocar o meu lugar na Lares Online. São situações muito mais stressantes, difíceis de gerir, é um trabalho que não é nada fácil. Como eu gosto muito daquilo que faço na Lares Online, não consigo pensar em trocar agora. 

Trabalhar noutra instituição é muito diferente, mais stressante e difícil de gerir... eu gosto muito do meu trabalho e não quero trocar o meu lugar aqui na Linha de Apoio Lares Online.


Catarina Gonçalves, Consultora da Linha de Apoio Lares Online



Uma função em constante atualização


O que mudou no teu trabalho desde que entraste na empresa?


Mudou muita coisa. A metodologia, a equipa, a minha forma de pensar com a experiência, a minha forma de atuar… Eu acho que mudou tudo, desde o início até aqui está tudo completamente diferente. Até a empresa mudou, cresceu muito. Os procedimentos, na base, acabam por ser os mesmos, mas os recursos mudaram muito. No início, tínhamos muito mais burocracias, muito mais campos para preencher, levávamos muito mais tempo a tratar de cada processo, comparado com atualmente. Hoje em dia é tudo muito mais rápido e otimizado, o que facilitou muito o nosso trabalho. Depois também há técnicas em si que vamos alterando ao longo do tempo. No contacto com as próprias famílias, vamos mudando a intervenção que vamos tendo, com a experiência. Mas o que impactou mesmo são os recursos que temos hoje, que contribuíram para que os processos fossem muito mais rápidos e mais simples para nós.

Mudou tudo, a empresa cresceu muito. Na Lares Online tem havido muitos desenvolvimentos, muito investimento. Hoje os processos são muito rápidos e simples, facilitam imenso o nosso trabalho diário.



Como te vês na Lares Online no futuro?


Essa é difícil. Eu vejo-me a fazer o mesmo, quero continuar a trabalhar com as famílias e com os idosos, a fazer intervenção direta. Desde que entrei até agora já passaram 3 anos, quase 4, e já mudou bastante, portanto possivelmente a empresa e a minha função vai continuar a mudar nos próximos anos. Agora o que me vejo a fazer em concreto… Há uma coisa que eu disse que gostava de fazer, que é lidar com as famílias diretamente. Mas sei que isso na nossa empresa é muito difícil. O número de pessoas que atendemos diariamente é muito elevado, e não conseguiríamos dar resposta. Seria mais fácil fazer formações ou masterclasses, para ter esse contacto presencial com pessoas. Numa ótica de formação ou atração de talento, até de divulgação, vejo-me a fazer isso facilmente.

Eu vejo-me a fazer o mesmo, quero continuar a trabalhar com as famílias e com os idosos, a fazer intervenção direta.



A pandemia e trabalhar a partir de casa alterou o teu dia-a-dia?


Sem dúvida que alterou muita coisa. Mas a forma de trabalhar não diria que tenha mudado. Estou a trabalhar da mesma forma, faço o mesmo horário. Eu sinto que estou mais focada em casa. No escritório havia muita gente, muita proximidade, muito ruído. Para nós, da linha de atendimento, nos conseguirmos concentrar no que a pessoa do outro lado estava a dizer nem sempre era fácil. Portanto em casa sinto que consigo estar mais focada, sem barulhos à volta. Acaba por ser um bocadinho mais fácil porque consigo ouvir as pessoas, e isso de facto mudou.

A nível das rotinas, isso sim. Como estou em casa, tenho mais tempo. Quando saio do trabalho, já estou em casa, não perco ali horas na deslocação, o que acaba por ser uma vantagem, sem dúvida. Por outro lado, todos os dias tenho falta de ter colegas à minha volta, para apoio no trabalho. A parte do barulho do escritório era chata. Mas íamos falando todos [da linha de atendimento], nem que fosse uma situação engraçada, virávamo-nos para o lado e partilhávamos, ou então alguma dificuldade, alguma forma de melhor ajudar a família…Íamos partilhando ali opiniões, íamo-nos todas ajudando umas às outras, isso fazia muita diferença no trabalho. E faz-me muita falta hoje.

Sem dúvida, a nível das rotinas: tenho mais tempo, sinto que estou mais focada em casa e ouço melhor as famílias.


Catarina Gonçalves, Consultora da Linha de Apoio Lares Online



​Educação e consciencialização das famílias


Achas que as famílias percebem as diferenças entre um lar clandestino e um licenciado?


Nem sempre. Há pessoas que nos chegam e pedem logo um lar licenciado, com tudo direitinho. Quando nos pedem isto, acho que percebem o peso que tem a licença ou o alvará na escolha de um lar, e claro que se querem precaver de possíveis consequências no futuro. Outras pessoas nem tanto. Há pessoas que nem sabem o que é um alvará. A noção de licenciamento ainda não está muito desenvolvida, visto que falamos com pessoas todos os dias que não sabem bem o que o alvará implica, e quais as consequências dos lares clandestinos. Nesta última situação, eu tento sempre explicar o melhor que posso. Digo que instituições que têm licença da Segurança Social têm tudo em conformidade com as normas e legislação dos lares. Tento sempre que percebam que é um risco optar por um lar sem alvará, visto que não são acompanhados pela Segurança Social, e que os residentes idosos não estão seguros como num lar legal.

Há muitas pessoas que não sabem o que é um alvará, e temos de lhes explicar que optar por um lar sem licença é arriscado.



Quais são os riscos da procura de lar, sem a Lares Online?


A procura de lar é um processo complexo e, por escassez de vagas, leva muito tempo. E mesmo que a família encontre um lar com vaga, não quer dizer que seja adequado às necessidades da pessoa idosa em causa. Há sempre o risco de, optando por um lar só por ter vaga, não correr bem para o idoso. Pode não ter referências de qualidade, pode não ter alvará, pode não ter condições para receber aquele idoso, não ter os serviços necessários ou não conseguir dar a resposta adequada. Tudo isto é um risco e leva a que o idoso não se sinta bem ou não tenha o trato de que necessita e pode levar a situações sérias. É sempre uma mais-valia recorrer ao serviços da Lares Online porque, para além de facilitarmos a procura e de a fazermos muito mais rapidamente que a pessoa individualmente, também temos em conta as necessidades do idoso e damos soluções o mais personalizadas possível, para que a integração do idoso corra bem.

Sem a Lares Online, as famílias perdem muito tempo na procura e correm o risco de não encontrar uma solução adaptada ao idoso e às suas necessidades.


Catarina Gonçalves, Consultora da Linha de Apoio Lares Online



Que dicas darias às famílias para escolher um lar de qualidade?


Há 3 dicas principais: ter atenção à primeira impressão no contacto com o responsável do lar, visitar as instalações e verificar a flexibilidade no horário de visitas. A intuição aqui é muito importante. Quando falam inicialmente com o responsável do lar, se as famílias sentirem alguma coisa de que não tenham gostado, eu recomendo que ouçam a intuição. Basta o primeiro contacto, uma chamada, e um lar pode ficar de lado, devido a uma comunicação que não correu bem desde o início.

A partir da 1ª impressão, as famílias tiram muitas conclusões fundamentais para a escolha de um lar. A aparência dos residentes no lar é fundamental, e vê-se na visita presencial às instalações. Se os idosos estão mais parados ou prostrados, é um mau sinal. Os residentes idosos devem estar dinamizados, a andar pelo lar, a fazer atividades. A flexibilidade também, principalmente do horário de visitas. Caso aconteça alguma coisa, ou a família não consiga visitar o idoso no horário previsto, haver flexibilidade para visitar a qualquer hora é fundamental. É de desconfiar lares que não têm alguma flexibilidade, pelo menos em casos pontuais.

A intuição é muito importante durante a escolha de um lar, seja no primeiro contacto com os responsáveis ou nas visitas presenciais aos lares.



Procura um lar de idosos? 

A Catarina Gonçalves pode ajudá-lo!

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