Coisas que não devemos dizer aos nossos pais idosos

Por Joana Marques , 28 de Janeiro de 2020 Envelhecimento


Nem sempre é fácil encarar o envelhecimento dos nossos pais. Há um momento em que nos apercebemos que os nossos pais estão a envelhecer, a perder a energia e a vitalidade com que nos acostumaram durante todo o tempo que tomaram conta de nós. Nesta nova etapa, a comunicação entre os filhos e os pais idosos é fundamental para evitar equívocos, conflitos e momentos de tensão.

Os nossos pais são sempre invencíveis, até ao dia em que percebemos que são seres mortais e com fragilidades decorrentes da idade. 


A boa comunicação é a base para conciliar a relação entre o filho adulto e as memórias do filho criança.



Quando os papéis se invertem, os filhos devem preparar-se emocionalmente para se adaptarem à nova realidade de ter que cuidar dos pais e zelar pelo seu bem-estar físico e psicológico. Cuidar dos pais idosos é um dever moral, mas acima de tudo deve ser um processo tranquilo e de aceitação. O envelhecimento traz consigo doenças típicas da idade mais avançada, esquecimentos, queixas devido a dores físicas e alguma teimosia. Para lidar com esta nova realidade, os filhos devem saber como comunicar com os pais e ter cuidado com o que é dito ou sugerido aos idosos. Descubra neste artigo algumas coisas que não deve dizer aos seus pais idosos.


​A importância da família

Lidar com o envelhecimento dos pais deve ser um trabalho de equipa. Toda a família próxima deve estar envolvida e ajustar-se às necessidades dos idosos. A responsabilidade pelo bem-estar dos pais não deve recair sobre uma única pessoa. Sempre que possível, incentive irmãos, filhos, primos ou outros familiares próximos a ser ativos e a estarem presentes. Pode mesmo haver situações em que sejam necessárias ajudas externas (enfermeiras, auxiliares, cuidadores formais) e quando há disponibilidade financeira, toda a ajuda é bem-vinda. No entanto, não delegue em estranhos tomadas de decisão e o suporte emocional de que os seus pais precisam.


Seja paciente e ponha-se no lugar dos seus pais.



Aceite que eles vão ter falhas de memória com mais frequência e que também eles estão a lidar com o próprio processo de envelhecimento, o que nem sempre é fácil.

Mesmo no caso de a responsabilidade de cuidar dos seu pais idosos recair toda sobre si (é filho único ou os outros familiares estão ausentes), esteja emocionalmente disponível para ouvir com atenção o que eles têm para lhe dizer, mesmo que sejam queixas ou teimosias e manias típicas da idade. É claro que é importante estar presente para as questões do quotidiano, como ir às compras, ao médico ou tratar de burocracias, mas o fundamental é que dedique aos seus pais tempo de qualidade e que não os exclua por completo das tomadas de decisão. Os filhos continuam a ser filhos e não devem assumir um papel de pais dos seus próprios pais.

Dê espaço e liberdade ao idoso para que ele se continue a sentir autónomo, dentro das suas limitações, pois só assim é que contribui para o seu bem-estar psicológico, indissociável da auto-estima.


Coisas que não deve dizer aos seus pais idosos

Na relação entre filhos e pais idosos, saber o que dizer na altura certa pode ser mais complicado do que parece à primeira vista. Pode haver vezes em que nos enervamos por não conseguirmos fazer o idoso entender o nosso ponto de vista e aquilo que consideramos ser o melhor para ele. A falta de paciência dos filhos pode levar a que se digam coisas que não se queria dizer, ou pelo menos não da forma e no tom em que foram ditas. As explosões emocionais não são benéficas para nenhuma das partes e só contribuem para o aumento do stress do idoso e para a ocorrência de pensamentos negativos.


Os filhos não devem demonstrar a sua frustração quando não conseguem comunicar com os pais idosos, seja por teimosia ou por perdas de memória que obrigam à  repetição do que já foi dito.



Evite também irritar-se por ter que repetir várias vezes a mesma coisa ou por ouvir perguntas repetidas. O envelhecimento não pode ser dissociado de uma perda progressiva das funções mentais. São frequentes pequenos esquecimentos, mas também se pode instalar um processo progressivo de demência, situação que exige cuidados redobrados na altura de falar com os pais.

Isso que está a dizer está errado

Quando não se justifica, não contradiga ou corrija os seus pais. Os mais velhos costumam teimar e cismar e mais vale concordar do que dar início a uma discussão. Além disso, ao estar a apontar um erro não está a ter em conta que o idoso pode estar num momento mais confuso ou menos lúcido e relembrá-lo dessas fragilidades só causa constrangimento e mágoa.

É assim como eu estou a dizer / Vai fazer como eu digo

Cuidar dos seus pais idosos não lhe dá o direito de impôr as suas vontades ou crenças, por muito que esteja convencido de que é o melhor para eles. Ao limitar a autonomia dos seus pais, só está a contribuir para que se sintam cada vez menos úteis e ativos nas suas próprias vidas. A comunicação nunca deve ser impositiva ou unilateral.


Acorde! Não vê que está a perder o filme/concerto?

Fazer companhia aos seus pais ou acompanhá-los a eventos culturais é uma excelente forma de os manter ocupados, ativos e estimulados. No entanto, lembre-se de que se o idoso adormecer isso não traduz falta de interesse. A maior parte dos espectáculos (ou mesmo quando está a ver um filme em casa) estão às escuras e adormecer durante uns minutos é muito comum, especialmente se o idoso tiver dificuldades em dormir durante a noite. Deixe-o passar pelas brasas e depois conte-lhe o que aconteceu. É preferível do que acordá-lo com abanões ou dizer-lhe que não deve dormir durante o evento.

Parece mesmo uma criança!

Uma das piores coisas que pode fazer é infantilizar com o idoso ou mesmo falar com ele como faria com uma criança. Embora se diga que a velhice é uma segunda infância, na realidade o idoso é um adulto, com uma grande história de vida, pelo que não é a dar-lhe sermões, a ensiná-lo ou impor limites que vai contribuir para o seu bem-estar. Aliás, optar por um discurso infantilizado ou lidar com os seus pais idosos como se fossem crianças só contribui para o declínio das funções cognitivas que, por si só, já estão num processo descendente.

Não seja paternalista, não aumente o volume da sua voz ou abrande a sua forma de falar.



Não ouviu o que eu disse?

O envelhecimento também afeta a audição, pelo que se notar que o idoso tem dificuldades em ouvir o que diz, não se enerve. Pode ser sinal de surdez, mas também de alheamento, distração ou desinteresse. É importante que esteja atento, porque por vezes com a velhice também vem a melancolia e é preciso combater a tendência para o isolamento e formulação de pensamentos negativos. Repita o que disse as vezes que forem necessárias, de forma pausada, tranquila e calorosa.

Também não deve fazer perguntas retóricas como «não se cansa de estar sempre a dizer a mesma coisa?» quando o idoso se repete. Os seus pais idosos podem simplesmente não se lembrar de que já lhes deu determinada informação anteriormente. É preferível optar por escutar de forma ativa, sem interrupções, porque conversar faz parte da socialização do idoso e muitas vezes a existência de diálogo é mais importante do que o que está a ser dito.



Isso não tem nada a ver com o que estamos a falar!

Por vezes, os idosos têm tendência para sobrepôr temas de conversa e isso pode acontecer por duas razões: estão distraídos, com o pensamento longe, ou não querem mesmo falar desse assunto. Caso perceba que os seus pais querem mudar de conversa, confirme se é porque o tema o aborrece, o melindra ou desperta emoções negativas. Ainda assim, se o assunto for sério e estiver relacionado com algum problema físico ou psicológico do idoso e ele não quiser falar sobre isso, insista com prudência. Com a saúde, prevenir é mesmo o melhor remédio.



Cultive o lado positivo

Vão sempre existir situações em que vai dizer qualquer coisa aos seus pais idosos que os melindra ou que provoque uma discussão. Dependendo da saúde mental do idoso, não vale a pena perguntar se ele se lembra de uma coisa muito específica ou bombardeá-lo com perguntas sobre o que ele fez ou deixou de fazer. Com ou sem sinais de demência, o idoso é como uma pessoa mais nova: tem dias bons, dias maus, vontades, humores e frustrações. Durante o envelhecimento, são os filhos que têm que se adaptar aos pais e às suas circunstâncias e peculiaridades.


Seja paciente, fale com clareza, não contrarie, estabeleça sempre contato visual e seja cuidadoso com o que diz. 



Fale com os seus pais sempre pela positiva, escute realmente o que eles têm para lhe dizer, sem interrupções e imposições. Aceite que eles têm opiniões diferentes das suas e que devem ser respeitadas, a não ser que impliquem atitudes arriscadas ou irrefletidas. Escolha as batalhas que quer travar com os seus pais, pois os desafios do envelhecimento são múltiplos e não é possível combater em todas as frentes (e ao mesmo tempo!) - seja no que à mobilidade ou memória diz respeito.

Quando tudo falhar na comunicação entre si e os seus pais idosos, opte pelo humor. Rir é o melhor remédio é um chavão, mas o que é certo é que o riso partilhado alivia tensões, aproxima as pessoas e tem o benefício de aligeirar o ambiente quando os assuntos são demasiado sérios.


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