Irá a vacina da Covid-19 normalizar a vida dos idosos em lar?

Por Joana Marques , 12 de Agosto de 2020 Lares e Residências


​Todos aguardamos com um misto de expectativa e ansiedade o dia em que for anunciada uma vacina contra a Covid-19. Os cientistas trabalham contra-relógio para travar a pandemia, embora a OMS já tenha dado a indicação de que é possível que nunca se encontre uma cura para esta infeção.



Há tendência para pensarmos que vai voltar tudo ao normal assim que for descoberta uma cura ou vacina contra a Covid-19. Será?



Por enquanto, a vacina ainda é uma incógnita, mas a pergunta permanece: irá a ciência a devolver a normalidade às nossas vidas, e em especial à vida dos idosos? 

Ou temos todos, e em particular os lares e centros de dia, que nos adaptar a esta nova realidade? A estas questões acrescentamos mais uma: será que a vacina vai ser eficaz em idosos de risco?



Em busca da panaceia


A Covid-19 pertence à grande família de vírus Coronaviridae, que causam doenças respiratórias cuja gravidade pode variar entre uma simples constipação até ao desenvolvimento de uma pneumonia fatal. Por ser diferente dos outros coronavírus já conhecidos, não foi possível travar a sua progressão devido à inexistência de um tratamento.



Não se sabe se as medidas anti-Covid, como o distanciamento social, a máscara e a higienização frequente, vão cair em desuso quando for encontrada uma cura ou vacina.



O que sabemos é que, tal como acontece com outras infecções virais como a gripe, os antibióticos não funcionam (ainda que a sua prescrição possa ser necessária caso o doente infetado desenvolva uma infecção bacteriana, frequente entre os doentes de risco como os idosos). 


Facto: as vacinas contra gripe e pneumonia não protegem contra a Covid-19, mas é importante que os idosos adiram à campanha de vacinação 2020/21.



No entanto, não devemos apostar todas as nossas fichas na vacina contra a Covid-19, especialmente porque os cientistas têm vindo a alertar para a possível ineficácia (e até efeitos negativos para a saúde) desta forma de imunização entre os idosos de risco.



A futura vacina pode prejudicar os idosos de risco?


Até agora, são quatro as vacinas já testadas em humanos, embora nos ensaios clínicos não seja mencionada a inclusão de idosos nos grupos que se voluntariaram. Além disso, durante as suas pesquisas, os cientistas começaram a questionar a eficácia de uma vacina Covid-19 em idosos.


Duas das vacinas são chinesas e as outras duas estão a ser desenvolvidas por consórcios dos EUA e do Reino Unido. Os cientistas têm combinado novas metodologias com métodos antigos e cuja eficácia já foi comprovada, mas não é expectável que uma futura vacina possa estar no mercado antes do início de 2021.



Nos idosos vai-se perdendo a capacidade de treinar as células imunitárias para reconhecer e combater novas infeções.



Com o passar dos anos, existe um envelhecimento do sistema imunitário, que vai sendo cada vez menos eficaz no combate a vírus e bactérias. O timo é o órgão mais importante no combate contra a Covid-19, pois é onde são produzidas as células T, que auxiliam o sistema imunitário na produção de anticorpos.


Quanto mais envelhecido estiver o timo, menor é o arsenal de células T adaptáveis, o que explica, em parte, as elevadas taxas de mortalidade por Covid-19 entre os idosos, sobretudo os de risco. Por volta dos 50 anos restam poucas células T no organismo com capacidade para reconhecer novos patogénicos.


Uma vacina só será prejudicial para os idosos se a sua composição contribuir para o aumento da inflamação do organismo, que já se encontra inflamado devido ao envelhecimento.



O processo de inflamação é outro entrave à eficácia de uma vacina, que por si só poderá não ser suficiente para proteger os idosos. Alguns médicos acreditam que será sempre necessária medicação anti-inflamatória adicional no caso de infeções por Covid-19 em idosos de risco, o que por si só comporta outros riscos para a saúde devido a potenciais efeitos secundários.



A vacina pode não ditar o regresso ao velho normal


Já verificamos que a eficácia da vacina em idosos é uma questão em aberto e, consequentemente, ainda é muito cedo para pensar na normalização da vida dos idosos em lar, pelo menos no que se refere ao relaxamento das regras de higiene e segurança que condicionam as visitas a idosos e o envolvimento em atividades que comportam riscos. Por enquanto, e até existirem informações mais concretas, a vida nos lares de idosos está intrinsecamente ligada à Covid-19.



O que fazer se a vacina não funcionar num dos grupos de risco que mais dela precisam? A sugestão dos cientistas é vacinar todos os que estão em contato com os idosos de risco.



Até que em Portugal exista uma taxa de imunidade mais elevada (neste momento o número ronda 1,5% quando o ideal seria entre 60% a 70%), os lares vão ter que continuar a apostar no aperfeiçoamento de medidas de higiene e segurança e rápida implementação dos planos de contingência caso surja um surto.



A inexistência de imunidade de grupo coloca todos os idosos em risco de contrair a doença caso surja uma segunda vaga, como já está a acontecer nalguns países Europeus.



Por enquanto o quotidiano nos lares para idosos continua sujeito às regras do novo normal, que dia após dia constituem um desafio para utentes e profissionais. Desse modo, é imperativo que os lares cumpram o mínimo dos mínimos em termos de requisitos para evitar o aparecimento de surtos e consequentes fatalidades:


Cumprir as orientações da DGS

Garantir que essa informação contribui para a consolidação da confiança das famílias nos lares. Isto significa que, neste momento, ter um plano de contingência e segui-lo é quase tão ou mais importante do que ter as licenças todas em dia.


Ter atenção a possíveis sintomas

Garantir que são criadas condições para que o vírus não se propague uma vez detectado e cause um surto que apenas contribui para o aumento do receio de idosos e familiares. Isto significa que é necessário ter espaços adequados para o isolamento de casos suspeitos ou doentes infetados e nunca deixar que se partilhem espaços comuns ou privados.



Portugal mantém-se confiante


Nesta altura, cerca de 70% dos portugueses afirma que a vacina contra a Covid-19 vai ser segura e concorda que os primeiros a ser imunizados devem ser os doentes de risco, em especial os idosos. Este otimismo leva a crer que em Portugal se acredita que uma vacina trará de volta a antiga normalidade.

​Por enquanto, e como já afirmamos, é melhor jogar pelo seguro, em especial nos lares para idosos e centros de dia, e garantir o cumprimentos de todas as regras de proteção pessoal e higienização.


Para encontrar um lar para idosos

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