[Covid-19] Coisas bizarras que acontecem em tempos de pandemia

Por Joana Marques , 06 de Maio de 2020 Notícias


Conviver com a doença Covid-19 é o novo normal. O início deste mês de Maio fica marcado pelo período de transição do estado de emergência para o estado de calamidade. Com a estabilização do número de infetados e a progressiva reabertura das atividades económicas, as obrigações passam a deveres. Adivinham-se novas readaptações, normas, regras e formas de sociabilização.



Desde as dúvidas eternas (usar ou não máscara), aos mitos e às notícias falsas, passando pelas curas milagrosas e pelas teorias da conspiração, há de tudo um pouco nesta pandemia.



Entretanto, passados seis meses desde o início do surto em Wuhan, o epicentro chinês desta pandemia, e dois meses depois de ter sido identificado o primeiro caso em Portugal, já é possível fazer uma retrospectiva e assinalar quais foram as coisas mais bizarras, inexplicáveis e até idiotas que aconteceram desde que o novo coronavírus entrou no nosso quotidiano. Enquanto ainda não se sabe como será o «novo normal» nos lares de idosos, e se os utentes vão poder ou não começar a receber visitas, leia este artigo que se foca no lado B da pandemia.



Usar uma máscara qualquer ou não usar, eis a questão


A passagem ao estado de calamidade trouxe uma obrigatoriedade: o uso de máscaras cirúrgicas ou comunitárias nos transportes públicos e em espaços fechados. Desde o início desta pandemia que as máscaras são uma questão central e na impossibilidade de as adquirir a criatividade entrou em acção.



Da China chegam-nos imagens estapafúrdias, mas divertidas, de pessoas com garrafões de água, sacos de plástico, capacetes e até máscaras feitas de meias laranjas ou limões, que não são eficazes.



Estas situações revelam que, por vezes, rir é mesmo o melhor remédio contra uma situação que foge ao nosso controlo. Na realidade, deve usar máscara nos próximos tempos, até porque se não o fizer poderá ser impedido de entrar em espaços fechados, transportes públicos e arriscar-se a ser multado. Ignore informação inconsistente e informe-se sobre a correta utilização deste método preventivo.



Desinfeção criativa


Os conselhos mais bizarros que circulam nas redes sociais (a maior parte mitos ou notícias falsas) estão quase todos relacionados com métodos de prevenção e desinfeção individuais. Nestas últimas semanas, as nossas redes sociais têm sido inundadas por mezinhas caseiras inofensivas, mas também por sugestões que podem agredir severamente o nosso corpo, interna ou externamente.



A sugestão de Trump de injetar desinfetante nos pulmões como forma de combater a Covid-19 é uma das maiores bizarrias desta pandemia. Junte à categoria não tente isto em casa.



Já antes das propostas bizarras do presidente dos EUA (ingerir desinfetante e utilização de luzes ultravioleta), circulava o mito de que borrifar álcool pelo corpo ou ingerir lixívia matava o vírus. No entanto, não o faça, pois desinfetantes, como álcool, lixívia ou cloro, podem danificar as suas membranas mucosas e provocar sequelas irreversíveis. Estas substâncias apenas servem para desinfetar superfícies! 



Beber água só promove a hidratação, tal como consumir shots de Vitamina C contribui para o aumento da venda de laranjas do Algarve. O chá quente não mata o vírus devido à elevada temperatura.



Circulou igualmente a sugestão de que quem bebesse água de 15 em 15 minutos teria menos probabilidades de ser infetado. Mais um mito e uma interpretação criativa do funcionamento do corpo humano. A ingestão de água, chá de limão ou outras ervas e vitamina C são atos que servem para hidratar o corpo e reforçar o sistema imunitário, de forma natural, como sempre se fez antes do aparecimento do novo coronavírus.


A questão da desinfeção é, de facto, central no combate a este novo vírus, o que deu origem a práticas muito pouco recomendáveis para o ambiente, que até está a beneficiar deste abrandamento global das atividades poluentes. Damos-lhe o exemplo de uma praia espanhola que foi alvo de uma desinfeção, um erro que foi de imediato condenado pelas associações ambientalistas. Esta aberração ambiental apenas pôs em grande perigo o habitat natural de nidificação de aves protegidas.



Prevenção diversa, bizarra e ineficaz



  • Fumar canábis ou consumir cocaína e outras drogas mais pesadas, já que a única coisa que este tipo de substâncias faz é temporariamente aliená-lo da realidade e dos problemas que esta crise pandémica despoletou e destruir a sua saúde, dado o seu caráter viciante e prejudicial.


  • Aumentar ou iniciar o consumo de vinho não impede a contaminação, uma vez que não existem quaisquer evidências científicas de que o novo coronavírus não consiga sobreviver neste tipo de bebida alcoólica. 


  • Utilizar óleos naturais (como o de coco) ou urina de vaca, como tem acontecido entre os crentes da religião hindu - que confere poderes sagrados e sobrenaturais às vacas - não são opções de prevenção racionais. 


  • Fazer gargarejos com água com sal ou vinagre, pois, mesmo que estas substâncias tenham propriedades anti-inflamatórias e desinfetantes, não eliminam o vírus antes de ele se alojar nos pulmões.


  • Vacinar-se contra a pneumonia ou influenza também é inútil, uma vez que o patógeno que provoca a Covid-19 é novo e só agora tiveram início as primeiras tentativas de desenvolvimento de uma vacina específica. Da mesma forma, não se automedique com antibióticos: se tiver sintomas contacte a linha SNS 24 e siga os procedimentos.



A atração fatal pelas teorias da conspiração


Face ao desconhecido, o ser humano tem uma necessidade imperial de encontrar explicações lógicas. Durante esta pandemia, têm circulado diariamente diversas teorias da conspiração, explicações  elaboradas e incríveis, que são privilegiadas em detrimento da justificação mais simples: o vírus é de origem natural, como tem sido reiterado inúmeras vezes pela OMS.



Uns dizem que o vírus foi fabricado num laboratório em Wuhan, outros que coincidiu com a instalação da nova rede 5G, uma tecnologia de comunicação inovadora criada na China.



Aqui ficam algumas das explicações bizarras que têm sido avançadas para justificar a existência da Covid-19:

  • Fabricado em laboratório pelos chineses para fazer impor a sua hegemonia económica sobre o mundo em geral, e os EUA em particular. Aliás, o presidente Trump afirma com frequência que o vírus foi fabricado na China com o objetivo específico de impedir a sua reeleição, pois não tem outra forma de explicar o modo bizarro como a crise tem sido gerida (o número de infectados e de mortos neste país é agonizante).


  • Criado em conluio com Bill Gates e o instituto britânico Pirbright, embora na realidade o instituto não seja financiado por Bill Gates e tenha como único objetivo desenvolver vacinas para prevenir infeções respiratórias em aves. 


  • Um castigo divino que se abateu sobre a população chinesa por esta consumir animais exóticos e em riscos de extinção.


  • Uma doença fabricada por grupos farmacêuticos que procuram um aumento dos lucros através da venda de vacinas.





«Estão-nos a esconder os números reais»


As diversas formas de contabilizar os infectados e mortos pela Covid-19 têm dado origem a algumas situações bizarras. Um dos pilares do controlo desta pandemia é a questão dos números e, quanto mais fiáveis eles forem, melhor serão as estratégias definidas para combater a crise de saúde pública e económica que se tem instalado por todo o mundo. No entanto, uma vez que o número de infeções, internamentos e óbitos é introduzido por seres humanos, por vezes acontecem erros e casos não contabilizados ou contados em duplicado.



A crença de que os Estados, sejam eles quais forem, estão a encobrir os números reais de infetados e mortos é perigosa e só contribui para aumentar o medo e a desconfiança. 



Na realidade, a OMS desaconselha autópsias caso a morte aconteça fora dos hospitais, como forma de proteger os profissionais de saúde. Sem um teste prévio de confirmação, é impossível saber com certezas absolutas quantas pessoas morreram  ao certo por Covid-19.



A Covid-19 levou a uma desumanização da morte


Mais grave do que a fiabilidade dos números, é a forma como por vezes são tratados os corpos dos falecidos por Covid-19.  O elevado número de falecimentos e a incapacidade de lidar com tantos corpos tem levado a práticas desumanas e pouco dignas. 

Um pouco por todo o mundo, é bizarro mas necessário, os mortos não têm o desejado velório e funeral. 



Isto não acontece apenas em países menos desenvolvidos. Na cidade de Nova Iorque, foi noticiada a descoberta de corpos empilhados em camiões frigoríficos, já em decomposição, nas imediações de uma agência funerária.



Há situações em que os familiares só sabem do enterro depois de ele ter sido realizado, especialmente se foi feito em valas comuns, uma solução desumana, mas à qual se recorre quando o número de óbitos é tal que não há capacidade para fazer uma gestão digna dos falecimentos. 



Houve diferenças geográficas na gestão da crise pandémica


Dois casos únicos e verdadeiramente diferentes chegam-nos do Norte da Europa: a Islândia e a Noruega que (à semelhança do que já tinha acontecido na Coreia do Sul) optaram pela massificação dos testes Covid-19. 


Testar todos os habitantes de cada país seria o ideal, já que permitiria aos governos adaptar as suas estratégias aos números reais de infeções ativas e casos assintomáticos. No entanto, isso só é possível em países com uma população mais diminuta, como é o caso da Islândia, e com um poder económico suficientemente robusto para ter à disposição um número ilimitado de testes.



No entanto, não é verdade que as estratégias a Norte da Europa tenham sido melhores do que as dos países do Sul, como Portugal, Espanha e Itália.


No extremo oposto da Islândia está o caso da Suécia, que optou por uma abordagem mais relaxada, assente na ideia de cidadania e responsabilidade individual de manter o distanciamento social. Ainda assim, a Norte, a Suécia é o país com maior número de infeções, especialmente entre a população mais idosa, embora a ideia continue a ser a manutenção de medidas menos rígidas e de uma vida «quase normal».

Em Inglaterra e na Holanda tentou-se a imunidade de grupo, que assenta na ideia de «gestão do vírus» e deixa que o contágio entre pessoas ocorra de forma a que uma elevada percentagem da população fique imune depois de ter ficado ligeiramente doente. É uma opção bastante arriscada e os números em Inglaterra ou nos EUA (onde não existe coerência de medidas preventivas, mas sim estratégias contraditórias) comprovam que a imunidade de grupo satura os sistemas de saúde e pode levar a um número incontrolável de infeções e mortes.



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