[Entrevista] Yasfir Ebrahim: o sucesso impulsionado pelos parceiros

Por Sónia Domingues , 26 de Agosto de 2022 Profissionais


​Por entre a grande cidade de Lisboa e os seus arredores, existem espaços de sossego e tranquilidade que se destacam pelo conforto e carinho que proporcionam aos seus residentes. Com seis lares a seu cargo, Yasfir Ebrahim acredita que o serviço que proporciona é essencial à sociedade, mas tem de ser realizado com muito empenho. Para este gestor, a receita do sucesso de qualquer lar de idosos é a conjugação de um lar de qualidade, com profissionais capazes e bem formados, e a parceria com a Lares Online, que proporciona visibilidade e conselhos preciosos. 



Yasfir Ebrahim: da banca para os cuidados a idosos

A Casa de Repouso Almirante, no centro de Lisboa, o Lar Encosta da Saúde, em Loures, a Casa de Repouso A Boa Samaritana, em Benfica, a Casa de Repouso do Calvário, em Alcântara, a Casa de Repouso Fonte Santa, em Loures  e, mais recentemente, a Quinta dos Apóstolos, também em Loures, são todos geridos por Yasfir Ebrahim. Apesar de o cargo anterior que tinha na banca ser também muito rigoroso e de responsabilidade, gerir os seis lares pertencentes à família requer muita dedicação, empenho e perseverança. O gestor considera que o cuidado ao idoso é uma atividade enriquecedora, apesar de ser emocionalmente exigente.


Como iniciou a sua caminhada no mercado dos lares?

Yasfir Ebrahim - Bem, este é um negócio de família, que começou em 1989, com o nosso primeiro lar. A partir daí fomos abrindo os outros. Com o passar do tempo, os meus familiares que estavam à frente foram envelhecendo, e sentiram a necessidade de colocar os mais jovens a tomar conta do negócio. Nessa altura, em 2015, eu trabalhava na banca e deixei o meu cargo para gerir os lares.

Em 2015 deixei o meu cargo na banca para gerir os lares, que são um negócio de família.



Existem semelhanças entre estes dois cargos?

Yasfir Ebrahim - São dois trabalhos totalmente diferentes: trabalhar na banca e trabalhar com idosos. A responsabilidade em ambos é grande. No caso da banca, trabalhamos com o dinheiro das pessoas e aqui trabalhamos com a vida humana. Este é um trabalho muito intenso e exigente, tendo em conta que, nos diversos lares do nosso grupo, temos a nosso cargo mais de 120 idosos.



Abriu recentemente um novo lar em Loures. Qual a diferença desta residência para as outras que tem?

Yasfir Ebrahim - Desde logo é um edifício criado de raiz para o efeito. As instalações foram pensadas minuciosamente para servir melhor o idoso. É também uma residência maior, onde podem residir cerca de setenta idosos. Podemos pensar ir mais além nos serviços que oferecemos, dado termos um maior número de residentes. Em termos de serviços de enfermagem, vamos passar a disponibilizar o serviço todos os dias da semana, sem exceção, em vez de ser apenas nos dias úteis. Isto apenas é possível porque a Quinta dos Apóstolos tem uma grande capacidade, e numa residência menor, não se justificaria um prolongamento do serviço aos dias de fim-de-semana. 

Esta residência sénior foi pensada minuciosamente para servir melhor o idoso, numa construção de raiz e com maior dimensão.



O maior dos desafios enquanto gestor no negócio dos lares 


Um dos principais indicadores de qualidade nos lares de idosos é o pessoal. Encontrar profissionais formados e capazes é um dos maiores desafios, e quando se gere 6 lares esta tarefa é ainda mais desafiante. Paralelamente, pretende-se fidelizar os colaboradores, e levá-los a trabalhar continuamente nos lares, sem muita rotatividade de pessoal. Yasfir Ebrahim e a família mantêm alguns dos trabalhadores desde o início de 1989.

Quando se administra seis lares, existem muitos desafios. Qual considera ser o seu maior desafio enquanto gestor?

Yasfir Ebrahim - Encontrar pessoas para trabalhar com as necessidades dos idosos é extremamente difícil. O que se tem verificado, em primeiro lugar, é que as pessoas que estão dispostas a trabalhar neste tipo de atividade têm sido essencialmente estrangeiros e há, de facto, muita oferta. Mas é difícil encontrar pessoas que estejam dispostas a fazer este trabalho com qualidade, com carinho, com a atenção que o idoso precisa. Nós temos que recrutar as pessoas e formá-las. É um trabalho contínuo e só assim conseguimos prestar um serviço de qualidade.

É extremamente difícil encontrar pessoas dispostas a fazer trabalho de qualidade com idosos. Num lar, o recrutamento é um trabalho contínuo.



Qual é a característica mais importante num auxiliar geriátrico?

Yasfir Ebrahim - É importante que a pessoa já tenha experiência, embora nem sempre aconteça, quer seja num hospital, noutros lares, ou em apoio domiciliário. A experiência é, de facto, o mais importante, porque alguém que nunca trabalhou com idosos pode cometer um erro perigoso. Uma pessoa sem experiência pode não ter a perceção que num idoso acamado, por exemplo, tem de se ter alguns cuidados na alimentação. É um risco muito grande colocar alguém sem experiência a prestar cuidados essenciais aos idosos, sem lhe dar a devida formação. A segurança dos residentes idosos nunca pode ser posta em causa.

Damos prioridade a profissionais que tenham experiência, temos de pensar sempre na segurança dos idosos residentes nos lares.



Conseguem manter colaboradores durante muito tempo, ou há rotatividade no pessoal?

Yasfir Ebrahim - Eu tenho pessoas que trabalham nas residências desde 1989, ano em que abriu o nosso primeiro lar. Ainda há pouco tempo abrimos a Quinta dos Apóstolos, em que a equipa é formada por 15 funcionários, sendo que três deles são nossos funcionários desde 1989. Mas recentemente, tem havido mais rotatividade. Mas isso acontece, na minha perspetiva, porque muitas das vezes recebemos estrangeiros, que às vezes vêm à procura de residência em Lisboa, como ponto de partida, mas vão para outros países da Europa, que lhes oferecem melhores condições financeiras do que Portugal pode fornecer. Nós tentamos que os trabalhadores fiquem por muitos anos, porque isso ajuda na prestação de cuidados aos idosos, serem sempre as mesmas caras e não haver uma mudança constante, porque não se consegue criar uma ligação entre o idoso e a casa e acaba por não haver fidelização.

Temos funcionários que se mantêm connosco desde 1989, o que ajuda na prestação de cuidados aos idosos. Mais recentemente, tem havido mais rotatividade no pessoal.


Yasfir Ebrahim, gestor de seis lares na zona de Lisboa e Loures

Presente na Lares Online desde 2014, e 100 clientes angariados depois


Em termos da parceria com a Lares Online, qual é o balanço que faz destes oito anos?

Yasfir Ebrahim - Eu acredito que tenha sido um dos primeiros parceiros da Lares Online, pelo menos é essa perspetiva que eu tenho e, desde que começamos, correu sempre muito bem. A plataforma tem crescido imenso e a verdade é que os clientes particulares nos nossos lares surgem em grande parte devido à parceria que temos com a Lares Online. É uma parceria de sucesso!

Sou um parceiro antigo da Lares Online e correu sempre muito bem. A plataforma tem crescido imenso e os nossos clientes surgem em grande parte devido à Lares Online. É uma parceria de sucesso!



Qual é o lugar das comunicações que fazemos no seu dia-a-dia?

Yasfir Ebrahim - Costumo ler as informações que me enviam, frequentemente. Às vezes, enquanto gestor, tenho que analisar as causas de alguma coisa estar a correr menos bem ou como deveria proceder em relação a uma determinada situação. Recordo-me de ler no blog LO, recentemente, um artigo sobre aquilo que não deve acontecer quando recebemos o contacto de alguém interessado. Uma das coisas que diziam, e bem, era não atender a chamada. É uma das formas de se perder um cliente. Se não atender, deve retornar quanto antes, entre outras dicas, este é um exemplo. Eu de facto, vou lendo essas dicas que me são úteis na gestão das casas de repouso, sem qualquer dúvida.

Leio frequentemente os artigos e as dicas da Lares Online, que me são úteis na gestão das casas de repouso, sem qualquer dúvida.



Resposta de lar ainda é reativa e não uma opção ativa


​Apesar de os lares serem cada vez mais uma boa aposta para o envelhecimento ativo e socialização, os idosos e as famílias portuguesas ainda só pensam nestas instituições de forma reativa. Segundo Yasfir Ebrahim, os idosos continuam a ir para lares depois de acidentes ou altas hospitalares, e acabam por receber serviços de reabilitação e não de prevenção.

Da sua experiência, quando é que os idosos ou as famílias procuram os serviços de um lar?

Yasfir Ebrahim - Muitos dos contactos que temos são feitos após a ocorrência de um acidente, uma queda ou algo que demonstra que os idosos já não estão conseguem cuidar de si próprios. Depois esta situação despoleta uma intervenção no que diz respeito à recuperação. Quando somos contactados, as famílias procuram saber os serviços que temos, nomeadamente a fisioterapia e os cuidados de enfermagem. Querem que o idoso esteja devidamente acompanhado, do ponto de vista da saúde. E depois também é importante a animação, o bem-estar do idoso, as condições das instalações.

A maioria das famílias contacta-nos mais no âmbito de recuperação, depois de uma queda ou acidente. Ainda não há pensamento preventivo da ida para lares para manutenção da autonomia.



Quanto tempo demora o idoso, em média, a integrar-se no lar?

Yasfir Ebrahim - Na realidade, muitas das vezes, é mais difícil para a família do que para os idosos. Quando os idosos chegam até nós, começam a conhecer-nos e acabam por perceber que afinal até estão num sítio em que podem estar muito mais ativos do que estavam em casa. Nos lares, podem conhecer mais pessoas, também estão em segurança e não têm que ter os receios de caírem ou de não conseguirem fazer alguma coisa. Na sua integração, é extremamente importante que eles se conectem com outros idosos. As equipas dos lares (nomeadamente as de fisioterapia, de enfermagem, as próprias ajudantes de ação direta, a equipa de animação) ajudam a que haja uma integração do idoso. Mas a verdade é que, quando os idosos conversam com os outros residentes, quando têm as mesmas histórias de vida, sentem-se mais felizes, mais alegres e integrados.

As famílias acabam por ter mais dificuldade na adaptação que os idosos, em que a adaptação regra geral é muito rápida.



Como se quebra a barreira do preconceito contra os lares, que ainda existe?

Yasfir Ebrahim - Na minha perspetiva, esses preconceitos que ainda existem em relação aos lares são causados por uma minoria de lares, que acabam por ser notícia. Aquilo que vemos na comunicação social são casos pontuais de situações menos positivas. Acabam por se refletir na imagem geral que as pessoas têm dos lares, mas a verdade é que os lares de idosos são um serviço essencial para a sociedade. Quando o idoso chega a determinada instituição e verifica que afinal é totalmente diferente, então muda de ideias. Os idosos acabam por conhecer mais pessoas, são bem tratados, têm diversas atividades e estão sempre acompanhados, e verificam que até estão melhor do que estavam em casa. É um preconceito a ser revertido naturalmente, de forma gradual.

Esse preconceito é causado por uma minoria de lares, que acaba por ser notícia e que se reflete numa imagem geral negativa, mas a verdade é que os lares prestam um serviço essencial e quando o idoso vai para um lar, verifica que afinal é totalmente diferente. 



O amor ainda é um tema-tabu no que à terceira idade diz respeito… Mas conhece casos nas suas residências, de idosos que encontram o amor no lar?

Yasfir Ebrahim - Sim, a verdade é que é muito mais comum do que se pensa. Eu tenho alguns casos de idosos que se conheceram na residência sénior e apaixonaram-se. Alguns casais comunicaram à diretora técnica que queriam ficar os dois no mesmo quarto e a diretora respeitou a posição deles e falou com as famílias. Mas ainda antes da mudança de quarto, já havia troca de carinhos e temos que respeitar, as pessoas são independentes. As famílias, por vezes reagem bem, outras vezes não reagem muito bem, nós também temos que gerir isso. Mas temos que respeitar a autonomia deles. Até porque lhes dá outro ânimo no dia-a-dia, já querem ficar no lar juntos para sempre.

O amor é mais comum do que se pensa, temos vários casos de idosos que se conheceram no lar e apaixonaram-se. Depois já querem ficar juntos para sempre, no lar.


Yasfir Ebrahim, gestor de 6 dos Lares Online

Para Yasfir Ebrahim, o acompanhamento e formação adequada dos funcionários são essenciais para o bem-estar e felicidade dos idosos residentes em cada um dos seus seis lares. A parceria com a Lares Online na divulgação dos seus lares, juntamente com um serviço de qualidade no apoio aos idosos, é a receita do sucesso das suas seis instituições.



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