[Entrevista] Residência A80: abordagem inovadora no cuidado

Por Sónia Domingues , 29 de Dezembro de 2021 Profissionais


Com uma grande aposta na qualidade e especialização dos serviços, a  A80 Residência Sénior, situada em Sintra, tem vindo a evidenciar-se no âmbito dos cuidados a idosos, muito em particular com aqueles que se encontram mais fragilizados.


Em entrevista à Lares Online, Mónica Pereira desvenda a metodologia que emprega na A80 Residência Sénior, para que o idoso se sinta em casa, mas com os cuidados de saúde mais apropriados, para garantir uma vivência prolongada e feliz.



A80: aposta forte em formação


A administradora apresenta uma ampla formação académica em gestão e enfermagem, com pós-graduação em gestão organizacional de equipamentos destinados a pessoas idosas e formação em gestão em saúde. Mónica Pereira tem vindo a implementar na residência sénior uma política de incentivo à formação do seu quadro de profissionais. Esta diretora geral considera que apenas assim a qualidade dos serviços prestados melhora, assim como os profissionais se sentem mais valorizados e motivados.



O quadro de pessoal na residência é muito qualificado. É a formação uma prioridade?


    Mónica Pereira: Sim, nós apostamos muito na formação dos nossos colaboradores, a nossa visão é que as pessoas tenham uma vida plena, que sejam valorizados, seja qual for a idade, é esta a nossa visão. Portanto, desde os residentes, os colaboradores aos familiares, todos têm que sentir que estão bem consigo mesmo e viver uma vida plena, dentro das suas capacidades conseguirem ter felicidade e alegria de viver.  Uma mudança de paradigma, é isso mesmo que nós queremos. É mostrar que o facto de entrar para uma instituição não significa que tem que parar de viver, muito pelo contrário. Por isso é que existem técnicos dentro das instituições e eles têm que trabalhar para que cada pessoa continue a seguir o seu projeto de vida.

    Sim, e apostamos muito na valorização. Residentes, colaboradores e familiares, todos têm que sentir que estão bem e a viver uma vida plena.



    Qual é a abordagem dos profissionais aos residentes na A80?


      Mónica Pereira: Nós temos uma metodologia implementada que é a «Humanitude», que foi processada através do Instituto Gineste-Marescotti Portugal. Com esta metodologia, conseguimos chegar até ao residente idoso de uma forma assertiva, de uma forma correta, preservando sempre os gostos, os interesses, os hábitos de vida se cada um deles. Cada um é um ser único e na Residência A80 fazemos tudo para que o facto de terem saído do seu domicílio seja minorado e que o impacto seja o menor possível. De tal forma que permitimos que as pessoas tragam algum mobiliário para o seu alojamento, personalizamos de alguma forma a sua habitação, de acordo com aquilo que os residentes idosos gostam e preferem. Mesmo em termos de horários, de refeições, ou do tipo de refeições (temos pessoas vegetarianas) e fazemos face a essas necessidades todas.

      Cada residente é um ser único, para nós. Seja a nível de horários, refeições, alojamento, tudo é personalizado.



      Considera que os idosos acabam por ganhar qualidade de vida?


      Mónica Pereira: Na Residência A80, temos uma preocupação não só com a abordagem social mas também, e acima de tudo, com a abordagem a nível da saúde. Portanto, a pessoa é uma só e não podemos olhar para ela como um ser que precisa de socialização, mas também que tem comorbilidades que necessitam de atenção. A nível de qualidade de vida, claro, os nossos residentes idosos acabam por ter muita mais estimulação, muito mais atividades, como treino de marcha, o que no domicílio seria muito difícil de fazer. E também será difícil, com toda a certeza, no domicílio ter um dia preenchido de atividades.

      A ida para um lar não deve ser vista como um retrocesso, ou um final de vida, até porque aqui têm muito mais estimulação.



      Há mais de 3 anos presente na Lares Online


      Como tem corrido a parceria com a Lares Online?


      Mónica Pereira: Esta parceria tem sido muito benéfica, e por isso continuamos sempre em contacto. Este último ano é que foi mais complicado por causa da pandemia, reduziu as visitas e tudo mais. Mas na verdade a parceria com a Lares Online sempre correu de forma a que ambas as partes ficassem satisfeitas. A parceria tem sido fluida, com muita harmonia e, acima de tudo, benéfica.

      A parceria com a Lares Online tem sido fluida, com harmonia e benéfica para ambas as partes.



      Recentemente, subscreveram um novo serviço, como tem sido a experiência?


      Mónica Pereira: Tem sido boa, temos recebido bastantes encaminhamentos. Infelizmente já não conseguimos dar resposta imediata a todos eles, porque já não temos vagas. Mas sempre que possível damos andamento aos processos e tem corrido lindamente. 

      Recebemos bastantes encaminhamentos e infelizmente já não conseguimos dar resposta imediata a todos os pedidos.



      Uma residência de referência em Sintra


      Como se tornou a A80 numa residência de referência na zona centro?


        Mónica Pereira: Nós temos uma grande variedade de serviços e de atividades. Acima de tudo, também tentámos, ao longo deste anos, fazer face às necessidades com que os residentes chegavam até à A80 Residência Sénior, nomeadamente ao nível das demências. Portanto sempre investimos muito na abordagem à pessoa com demência, com inovações ao nível das atividades, dos serviços prestados. De tal forma que hoje temos um projeto em andamento, que se designa por Nutri A8+, a nível da alimentação e da hidratação, que faz face às necessidades da evolução das demências. 

        Sempre investimos nas necessidades dos residentes, nomeadamente na abordagem à pessoa com demência. Hoje temos o projeto Nutri A8+, por exemplo, ao nível da alimentação e hidratação.



        O que é ao certo esse projeto?


        Mónica Pereira: Este projeto surgiu de uma formação que eu realizei na Holanda, em que em determinados patamares da evolução das demências, existe uma dificuldade em alimentar-se, nomeadamente disfagia para sólidos e para líquidos. Não está apenas estritamente associado às demências, mas grande parte das pessoas com demência chegam infelizmente a este patamar da doença. Esta é uma alimentação que é adaptada e modificada, em que a comida fica com o formato do próprio alimento no prato e está numa consistência de puré. Facilmente a pessoa se consegue alimentar, não perdendo a sua autonomia e como tem o formato do alimento, acabamos por continuar a fazer uma estimulação à própria pessoa.

        A alimentação é adaptada, tendo a comida consistência de puré mas ficando com o formato do próprio alimento no prato.



        Consideram como vossa principal aposta a especialização de cuidados a Alzheimer e outras demências?


          Mónica Pereira: É uma grande aposta, sim. Até porque grande parte das pessoas que chegam até nós já tem algumas dificuldades e déficits cognitivos e, cada vez mais, estes casos estão a aumentar. Portanto, já não é um problema ao nível nacional mas a nível internacional. A própria Organização Mundial de Saúde já alertou para este facto e nós vamos acompanhando e evoluímos no sentido de fazer face às necessidades com que nos vamos deparando no dia-a-dia. Sente-se pelo menos um retardamento da evolução, o que já é uma condição muito positiva a assinalar. 

          É uma grande aposta num problema que é internacional, vamos evoluindo e sentimos um retardamento na evolução das demências nos nossos residentes idosos.



          Oferecem também várias terapias...


            Mónica Pereira: Na A80 Residência Sénior temos terapia ocupacional, temos a terapeuta física e também a psicóloga. Portanto fazemos estimulação e treinos cognitivos. Temos também um programa de computador que adquirimos, o Sioslife que também faz essa própria estimulação, embora seja mais para a interação social, até mesmo com as famílias, que este tão afetada nestes últimos dois anos. Neste programa, o ecrã é de dimensões superiores ao normal e permite uma visualização muito melhor para os idosos, que já têm algumas dificuldades. 

            Já a terapia ocupacional trabalha muito as atividades de vida diária, e isso vem ao encontro da metodologia da Humanitude que é... as capacidades que ainda existem, nós estimulamo-las ao máximo, de forma a promovermos a autonomia de cada um dos residentes.

            Estimulamos, de várias formas, ao máximo as capacidades que os idosos têm, de forma a promover a autonomia.



            Existem novos desafios e uma nova perspetiva perante a pandemia?


              Mónica Pereira: ​Sim, sem dúvida. A pandemia veio mostrar algumas fragilidades que existiam nas instituições de apoio aos idosos, a verdade é essa. Mas pode ser que agora olhemos com outros olhos e realmente haja uma evolução positiva. Na verdade não podemos sacrificar mais os idosos, de forma a que eles fiquem longe de quem mais gostam. A verdade é essa, se não morrerem de Covid vão morrer de solidão e eu acho que isso também não está correto.



              A Lares Online é uma plataforma informativa especializada ​em equipamentos e serviços ​para idosos, que oferece apoio à família. A nossa missão é ajudar as famílias em Portugal a fazer escolhas conscientes e informadas. 


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