Diferença entre ser idoso e ser velho

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Diferença entre ser idoso e ser velho

14.10.2013 | 11:00


Nascer é uma possibilidade, viver é um risco, envelhecer é um privilégio. (Mário Quintana). Quem acompanha meus artigos, sabe que tenho um carinho especial pelos idosos.
Dr. Telmo Diniz



Diferença entre ser idoso e ser velho

Em 1991, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o dia do idoso, que tem como objetivo sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e sobre a necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa. No Brasil, até o ano de 2006, a data era celebrada em 27 de setembro, porém, em razão da criação do estatuto do idoso, em 1º de outubro, o dia do idoso foi transferido para esta data.

Há quem pense: “por que celebrar o dia do idoso? Idoso remete a doenças, incapacidade e inutilidade”. Isso poderia, até certo ponto, ser uma verdade há 50 anos. Porém, quanto mais descobertas a ciência faz, quanto mais benefícios conseguimos extrair da natureza, e quanto mais cedo começamos a nos preocupar com a saúde, mais tempo temos de vida. Pelo menos é o que comprovam infinitas pesquisas envolvendo a longevidade. Por isso, nada como chegar à terceira idade, cheio de disposição e ter motivos de sobra de comemorar o Dia do Idoso. O envelhecimento é uma fase natural da vida e é influenciado basicamente por três elementos: genética, estilo de vida e o meio ambiente.

Não envelhecemos mais como antigamente, quando idosos passavam o dia em um banco de praça reclamando sobre as diversas doenças que apresentavam. Hoje em dia, as pessoas envelhecem em um processo muito mais saudável. O que observamos são idosos mais ativos, preocupados com a saúde e com a melhoria na qualidade de vida. E, a meu ver, uma preocupação tremenda de se sentir produtivo “até aonde der”. O trabalho não só dignifica, mas também cria longevidade. Mas, quando “não der mais”, por motivos vários, como um derrame avassalador que nos leva pra cama, ou se o alemão Alzheimer “nos pega sem aviso” e nos deixam dependentes, paciência. Isso mesmo, passamos a ser pacientes idosos e dependentes. Nem todos envelhecem como querem.

Portanto, pontos importantes para uma vida longeva, incluem uma alimentação equilibrada com carnes magras e carboidratos complexos que incluem fibras. Adicionada de frutas, verduras e legumes in natura, que são ricos em vitaminas e minerais. Não menos importante para um estilo de vida saudável inclui uma atividade física regular, manutenção do peso ideal, evitar o consumo exagerado de álcool, não fumar e realizar acompanhamento médico periódico.

Chegamos ao século XXI, e no ano de 2030 seremos uma nação de idosos. Vamos parar para pensar que todos nós vamos envelhecer, bem ou mal, mas todos nós estamos caminhando nesse sentido.

Há uma diferença entre o que é “velho” e “idoso”. A verdadeira velhice está no espírito das pessoas, que simplesmente se entregam à passagem do tempo, esquecendo-se de que seu espírito pode permanecer jovem, apesar do corpo envelhecido. O espírito pode se manter jovem enquanto estivermos vivos, independendo do estado geral da matéria. Os joelhos podem doer devido ao desgaste das juntas, mas a alma pode e deve ser preservada. Existem velhos com 40 anos, e jovens com 80. Cada qual com uma maneira diferente de encarar a vida.

Idoso é quem tem bastante idade, velho é aquele “sabe tudo”, acha que já está pronto. Velhos normalmente são arrogantes! Idoso é uma pessoa de 60 anos, 70, 75. Já o velho pode ser aos 15 anos de idade, aos 20, 30, 40, ou seja, velho pode ter qualquer idade. Velho não tem humildade, não aprende, porque é incapaz de acompanhar as mudanças.

A pessoa idosa é cheia de vitalidade, pois é capaz de antecipar-se, de ficar de prontidão, não espera acontecer – vai atrás. O velho é reativo, enquanto o idoso tem proatividade. Existem e já existiram empresas que, em nome da reengenharia, dispensaram seus idosos. Arrependeram-se! Viram que, mandando o idoso embora, dispensaram o que era mais importante: tinham nas mãos, ao mesmo tempo, a experiência e a renovação. Agora, estão sendo contratados com nomes variados. Hoje mais conhecidos por “consultores”.

Ser velho é quando a cabeça fechou, achando que sabe de tudo, achando que não tem mais nada para aprender, “acabou, eu sou velho, eu estou morto em vida”. Mas, se eu estou com a cabeça aberta para novas experiências, para novos aprendizados, independentemente da idade, serei um idoso (provavelmente, bem satisfeito com meus feitos).

As pessoas velhas acreditam que não precisam aprender. O idoso tem idade, mas continua em processo de aprendizado, tem valor. O velho que não aprender a reaprender, necessariamente ficará obsoleto e necessitará ser cuidado, do ponto de vista físico e psíquico. É possível preocupar-se com o futuro, preparar-se para ele, mas sem desvalorizar o passado.

O velho está normalmente satisfeito. A satisfação paralisa, amortece, faz com que a gente se acomode. O velho é sedentário e rabugento. Já o idoso tem uma eterna insatisfação. Tem sonhos e aspirações. Tem espírito jovem. Guimarães Rosa já dizia isso. Segundo ele, a regra básica para não perecer é não estar satisfeito nunca. Temos que nos reinventar hoje e sempre, para que sejamos eternos idosos.

Fonte: Virús da Arte


 
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